sábado, 31 de outubro de 2026

Guerra na Ucrânia: Rússia compromete-se a não recrutar mais ganeses... O Gana obteve do Presidente russo a garantia de que nenhum cidadão ganês participará na guerra contra a Ucrânia, no final da cimeira Rússia-África, realizada em Moscovo, afirmou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros do Gana.

© Maksim Konstantinov/SOPA Images/LightRocket via Getty Images    Por  LUSA  31/10/2026 

O Gana obteve do Presidente russo a garantia de que nenhum cidadão ganês participará na guerra contra a Ucrânia, no final da cimeira Rússia-África, realizada em Moscovo, afirmou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros do Gana.

Nos últimos meses, vários países africanos relataram que alguns dos seus cidadãos foram enganados para combater nas fileiras do exército russo e que muitos deles acabaram mortos no campo de batalha.

Segundo as autoridades ganesas, cerca de 272 ganeses foram recrutados para combater na Ucrânia desde 2022; destes, mais de meia centena foram mortos.

As autoridades ganesas intensificaram os encontros com os líderes ucranianos e russos com o objetivo de pôr fim a estes recrutamentos e repatriar os prisioneiros de guerra ganeses capturados na frente ucraniana.

"[Vladimir] Putin declarou que os ganeses já não estão autorizados a participar na guerra na Ucrânia (...) seja através de recrutamentos irregulares ou de manifestações voluntárias de interesse", afirmou hoje na rede social X o ministro dos Negócios Estrangeiros do Gana, Samuel Ablakwa.

A Rússia recebeu, esta semana, delegações de 48 países africanos — incluindo 22 chefes de Estado — para uma cimeira destinada a reforçar os seus laços com o continente, descrito pelo Kremlin como um "aliado natural".

A Rússia, um ator fundamental em África durante a era soviética, continuou a exercer uma influência significativa na região desde a queda da URSS.

Aproximou-se ainda mais dos países africanos — alargando os seus laços políticos, económicos e militares — após o início da sua ofensiva na Ucrânia, em fevereiro de 2022, seguida de pesadas sanções ocidentais que visavam isolar Moscovo.

Putin sublinhou que mais de 40 Estados africanos recebiam fertilizantes e cereais provenientes da Rússia, indicando que Moscovo exportou 13 milhões de toneladas de produtos agrícolas para África desde o início do ano.


ESPANHA: "Não é aceitável que Espanha sofra 2 acidentes ferroviários no mesmo ano"... O acidente ferroviário em Espanha, que deixou 69 mortos, foi qualificado como "não aceitável" pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez e afeta a campanha eleitoral que se aproxima.

© Carlos Lujan/Europa Press via Getty Images   Por  LUSA  31/10/2026 

O acidente ferroviário desta semana em Espanha foi qualificado como inaceitável pelo próprio primeiro-ministro e deixou em choque um país que já estava em plena campanha para as eleições de 29 de novembro.

"Não é aceitável que um país como Espanha sofra dois acidentes ferroviários de alta velocidade no mesmo ano", disse Pedro Sánchez por duas vezes esta semana, após o choque de comboios de quarta-feira em Urda, Toledo, em que morreram pelo menos 69 pessoas. Em janeiro, outras 46 pessoas morreram num acidente de comboios em Adamuz, Córdova.

Espanha decretou três dias de luto nacional e a generalidade dos partidos (à exceção do Vox, de extrema-direita) cancelaram a agenda pública até pelo menos este fim de semana, sobretudo, as ações de pré-campanha para as legislativas antecipadas de 29 de novembro.

As cúpulas dos maiores partidos nacionais, citadas pela imprensa espanhola, reconheciam que a par de respeitar o luto e o choque do país, é também agora necessário "recalcular estratégias e agendas" de campanha.

Até agora, a campanha tinha estado marcada por temas como a habitação, a imigração e a entrada ilegal de milhares de pessoas em Ceuta, a sustentabilidade das pensões, os pactos do Partido Popular (PP, direita) com o Vox ou os acordos e ruturas entre forças à esquerda dos socialistas.

As eleições foram convocadas em 05 de outubro pelo primeiro-ministro e líder do Partido Socialista (PSOE), Pedro Sánchez, no meio de protestos nas ruas pela crise da habitação e depois de forças de direita terem 'chumbado' no parlamento decretos do Governo com medidas para esta área.

Após dois meses em que a imigração e Ceuta centraram todas as atenções do debate público e mediático, no início do mês, os focos mudaram subitamente para a habitação e Pedro Sánchez antecipou as eleições.

A habitação "tem um quadro mais favorável para a esquerda", nas palavras do politólogo e professor universitário Pablo Simón, autor do estudo "A habitação como fratura política", da Universidade Carlos III, de Madrid, publicado no início de outubro.

Já a imigração, "mais favorável" à direita, além de ser atualmente um dos temas centrais dos partidos conservadores e de extrema-direita, em Espanha e no resto da Europa, tinha ganhado especial protagonismo desde finais de julho, por causa da entrada de mais de 70.000 pessoas de forma ilegal em 24 horas em Ceuta, um enclave espanhol no norte de África, com fronteiras com Marrocos.

Pedro Sánchez é primeiro-ministro desde 2018 e, desgastado internamente por vários casos confirmados e suspeitos de corrupção de pessoas que lhe são próximas, por uma paralisia legislativa por depender de uma geringonça de oito partidos no parlamento que lhe impediu de apresentar uma única proposta de Orçamento do Estado desde 2022 ou pela atuação em Ceuta, viu no tema da habitação "uma janela de oportunidade", coincidiram as análises de politólogos, analistas e meios de comunicação.

"A campanha eleitoral seguia por caminhos frívolos, até que outra tragédia nos lembrou para que serve votar. Enquanto alguns se dedicavam à virtualização política, falando-nos de partidos úteis, de jogadas de mestre ou de como conseguir mais lugares fundindo-se numa mesma candidatura eleitoral, a realidade bateu à porta", escreveu na sexta-feira a politóloga Estefania de Molina no jornal El Pais.

Apesar de (quase) não ter havido comícios ou entrevistas nos últimos dias, é já certo que o acidente de quarta-feira em Urda voltou a colocar Sánchez e o PSOE sob críticas e acusações generalizadas, após dois acidentes com comboios com mais de cem mortos num ano e notícias regulares de ocorrências e avarias nas infraestruturas ferroviárias e outras, como as da rede elétrica, com o apagão de 2025.

Entre as várias forças que já pediram esta semana que sejam assumidas "responsabilidades políticas", como a demissão do ministro dos Transportes, incluem-se até os parceiros do PSOE na coligação que está no Governo e outros da geringonça que reinvestiu Sánchez primeiro-ministro em 2023.

As sondagens mais recentes dão o PP como partido mais votado em 29 de novembro, mas sem maioria absoluta, que será possível com uma aliança com o Vox. O PSOE será o segundo mais votado, com uma diferença de seis pontos percentuais em relação ao PP, segundo a média das sondagens mais recentes.


Leia Também: Irão afirma que dois petroleiros foram imobilizados no Estreito de Ormuz

A Guarda Revolucionária do Irão declarou hoje que dois petroleiros foram imobilizados após incidentes no Estreito de Ormuz, numa área onde se têm multiplicado ataques enquanto se mantém o impasse diplomático entre Washington e Teerão...

GUINÉ-BISSAU: PRESIDENTE DE TRANSIÇÃO DA REPÚBLICA DA GUINÉ-BISSAU, GENERAL DE EXÉRCITO HORTA INTA-A, DESLOCA-SE A DAKAR PARA ASSISTIR À CERIMÓNIA DE ABERTURA DOS JOGOS OLÍMPICOS DA JUVENTUDE 2026.

 

Radio TV Bantaba