terça-feira, 6 de outubro de 2026

GUINÉ-BISSAU: GOVERNO DETERMINA MEDIDAS URGENTES PARA REGULARIZAR ABASTECIMENTO DE ÁGUA E ENERGIA

Por  Radio TV Bantaba   06/10/2026 

Conselho de Ministros aprova Compacto Nacional de Energia, fixa prazo para proposta de criação de uma entidade gestora dos serviços de água e determina maior fiscalização rodoviária.

O Conselho de Ministros, reunido esta terça-feira sob a presidência do Primeiro-Ministro, Ilídio Vieira Té, determinou a adoção urgente de medidas destinadas a assegurar, de forma gradual e sustentada, a regularidade do abastecimento de água e de energia elétrica em todo o território nacional.

Segundo o comunicado oficial, a sessão especializada, dedicada aos sectores da energia e dos transportes, analisou os problemas de abastecimento de água, as interrupções no fornecimento de eletricidade e a situação dos transportes e das telecomunicações. O Executivo avaliou igualmente os efeitos dessas dificuldades na vida das populações, nos serviços públicos essenciais e na atividade económica.

Durante a reunião, foi aprovado o Compacto Nacional de Energia, instrumento do Governo alinhado com a Política Nacional de Energia para o período 2025–2035.

No domínio da água, o Conselho de Ministros instruiu os responsáveis governamentais pelos sectores envolvidos a apresentarem, até 20 de outubro, uma proposta para a criação de uma entidade gestora dos serviços de água. A tarefa envolve as áreas da Energia, dos Recursos Naturais, do Ambiente e Ação Climática, da Presidência do Conselho de Ministros e Assuntos Parlamentares e da Administração Territorial e Poder Local.

Na área das telecomunicações e da modernização administrativa, o Executivo encarregou o Ministro dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital de adotar, em articulação com o Ministério das Finanças e a Autoridade de Regulação das Telecomunicações (ARN), as medidas necessárias à integração do Instituto Tecnológico para a Modernização Administrativa (ITMA) no orçamento da ARN. A decisão visa assegurar a sustentabilidade financeira e a regularidade do funcionamento do instituto.

Fiscalização rodoviária reforçada

O Conselho de Ministros incumbiu também o Ministro do Interior e da Ordem Pública de reforçar a fiscalização do cumprimento das regras de trânsito.

Entre as prioridades figuram o uso obrigatório de capacete pelos condutores de motociclos e ciclomotores, a posse de carta de condução e de seguro válido, a documentação dos veículos e o controlo da circulação com um número de passageiros superior ao permitido.

Novos responsáveis na Administração Pública

No capítulo das nomeações, o Conselho de Ministros deu anuência à designação, por despacho do Primeiro-Ministro, de Edalberto Gomes Cuino para Diretor-Geral das Contribuições e Impostos, de Lassana Nancó para Diretor-Geral do Centro de Formalização de Empresas e de Juviano Leopoldo Correia Landim para Presidente da Câmara Municipal de Bissau.

O comunicado esclarece que, em consequência destas nomeações, termina a comissão de serviço dos anteriores titulares das mesmas funções.

O documento é assinado pelo Ministro da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares, Usna António Quadé.

Guiné-Bissau: "Não há condições" para eleições a 6 de dezembro... O presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau considerou hoje que "não há condições" para a realização de eleições a 06 de dezembro, salientando que o prazo para apresentação de candidaturas terminou hoje sem serem apresentados candidatos.

© Lusa    06/10/2026 

"Hoje é a data limite para submissão de candidaturas às próximas eleições, mas não tenho conhecimento de qualquer candidatura que tenha dado entrada, por isso acredito que é objetivo dizer que a data de 06 de dezembro é impraticável, não só por causa dos prazos, mas porque não estão reunidas as condições para uma ida às urnas", disse Domingos Simões Pereira aos deputados da comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros.

Recebido hoje em audição pelos deputados, em Lisboa, para "falar no âmbito da cooperação interparlamentar e da defesa dos direitos humanos e do Estado de Direito na Guiné-Bissau", segundo a agenda da audição, o líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) salientou que não é possível fazer campanha eleitoral neste país lusófono africano quando a atividade política está suspensa.

"Quando nós falamos de democracia, falamos de liberdade de expressão, falamos de liberdade de manifestação, falamos de liberdade de reunião e de organização, e, se essas condições não estão repostas, uma vez que toda a manifestação política está suspensa na Guiné-Bissau, os partidos políticos estão proibidos de realizar qualquer atividade, então como é que se pode falar de normalidade e de preparação para eleições?", questionou.

Para Domingos Simões Pereira, a gravidade da crise obriga à intervenção de parceiros internacionais, como Portugal, a União Africana, a União Europeia, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para "ajudar a encontrar pontos de intersecção a partir dos quais se possa construir os consensos necessários" para fazer regressar a ordem constitucional ao país.

"Não vim aqui pedir sanções, vim pedir que nos continuem a ver como interlocutores válidos para restituir a esperança de que podemos voltar a ter uma sociedade normal e um Estado de Direito, uma Constituição respeitada, e que quem não a respeita sujeita-se a ser sancionado", disse o líder do PAIGC aos deputados portugueses.

Questionado pelos jornalistas no final do encontro, Simões Pereira disse que as autoridades precisam de dar sinais concretos de que querem normalizar o regular funcionamento das instituições, para se poder sair do estado de transição.

"Quando digo que as atuais autoridades devem merecer um voto de confiança, uma forma de merecer esse voto é sinalizarem que estão interessadas em criar condições para a normalização política no país", disse, acrescentando que um bom sinal seria o regresso do funcionamento da comissão permanente da Assembleia Nacional.

Domingos Simões Pereira está em Lisboa desde 24 de julho, após sair da cadeia na Guiné-Bissau, onde se encontrava em prisão preventiva.

O ex-primeiro-ministro guineense e presidente eleito do parlamento estava a cumprir prisão preventiva desde o passado dia 10 de julho, no âmbito de um processo em que é acusado pela justiça militar de participação em alegada tentativa de golpe de Estado ocorrida em outubro de 2025 e foi autorizado pelo juiz de Instrução Criminal Mamadú Embaló a viajar para Portugal.

A Guiné-Bissau foi palco de um golpe de Estado a 26 de novembro de 2025, em vésperas da publicação dos resultados das eleições legislativas e presidenciais que tinham decorrido sem incidentes, em 23 de novembro.

Na sequência da ação militar, Domingos Simões Pereira, presidente do parlamento e líder da oposição, foi detido e, após dois meses na cadeia, regressou a casa, mas impedido de se movimentar.


GUERRA NA UCRÂNIA: Kyiv alerta para impacto global de ataques russos no mar Negro... O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, alertou hoje para as consequências globais dos ataques russos contra navios no mar Negro, após dois incidentes com embarcações em águas da Bulgária.

© Eduard Kryzhanivskyi/Ministry of Foreign Affairs of Ukraine/Global Images Ukraine via Getty Images   Por  LUSA  06/10/2026  

"A Rússia está a criar uma perigosa cadeia de consequências. Ao atacar navios civis, transforma a navegação num desafio", afirmou Sybiha numa mensagem sobre a recente vaga de ataques no mar Negro.

Segundo o chefe da diplomacia ucraniana, o aumento dos riscos para a navegação faz subir os custos dos seguros e dos transportes e ameaça o abastecimento alimentar dos mercados mundiais.

Sybiha acusou Moscovo de transferir "o custo da sua guerra contra a Ucrânia" para países muito além das fronteiras ucranianas.

"Os ataques russos no Mar Negro transformam-se em maiores riscos para os marinheiros, custos mais elevados para o comércio e maior incerteza sobre o abastecimento alimentar para pessoas muito além da região", explicou o ministro, argumentando que a liberdade de navegação perde significado se a Rússia puder colocar em risco tripulações civis e navios comerciais.

"A segurança alimentar global não pode depender de um cargueiro de cereais conseguir atravessar o Mar Negro sem ser atingido por um drone russo", acrescentou o ministro.

Sybiha defendeu que a comunidade internacional não deve permitir que Moscovo imponha um "imposto oculto ao comércio internacional através da violência e da insegurança".

"Conter as consequências não é suficiente. É preciso abordar a fonte do perigo. Quanto maior for a capacidade que a Rússia conservar para travar esta guerra, mais longe chegarão as suas consequências", afirmou Sybiha.

O chefe da diplomacia ucraniana defendeu, por isso, o reforço do apoio à Ucrânia e a redução da capacidade russa para realizar ataques.

As declarações surgem depois do afundamento e do incêndio de duas embarcações em águas da Bulgária, no contexto dos ataques registados no mar Negro.


Leia Também: Polónia vai instalar sistemas de defesa Patriot na fronteira ucraniana

A Polónia anunciou hoje que vai instalar sistemas de defesa Patriot na província de Lublin, na fronteira com a Ucrânia, em resposta ao aumento dos incidentes de segurança com drones russos, que já provocou o destacamento da Força Aérea.

Segundo reportou a rádio oficial polaca, o ministro da Defesa da Polónia, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, explicou que o objetivo é "proteger a província de Lublin" e garantir a segurança tanto da população como dos serviços de transporte aéreo, frequentemente interrompidos pelos sistemas de alerta.

O ministro anunciou também o destacamento de mais efetivos militares na região, incluindo unidades não tripuladas, em particular nas localidades de Bilgorae, Lukuva e Poniatova...

ANTÓNIO SUCA NTCHAMA NOMEADO COMO MINISTRO DO INTERIOR E DA ORDEM PÚBLICA

Por Radio Voz Do Povo  06/10/2026 

O Presidente de Transição da República da Guiné-Bissau, General de Exército Horta Inta-a, nomeou António Suca Ntchama para o cargo de Ministro do Interior e da Ordem Pública.

A nomeação foi oficializada através do Decreto Presidencial N.º 23/2026, de 6 de Outubro, divulgado na Nota Informativa N.º 21 de 06 de Outubro de 2026, emitida pelo Gabinete de Comunicação e Relações Públicas da Presidência da República.

António Suca Ntchama assume a pasta do Interior e da Ordem Pública em substituição do anterior titular, Brigadeiro-General Mamasaliu Embaló, exonerado no mesmo dia pelo Decreto Presidencial N.º 22/2026.

Na mesma deliberação, o Presidente de Transição nomeou ainda Fidelis Forbs para Ministro das Pescas e Economia Marítima, cargo que ficou vago após a exoneração de Virgínia Maria da Cruz Godinho Pires Correia.


Guiné-Bissau: 📌Juviano Leopoldo Correia Landim é o novo Presidente da Câmara Municipal de Bissau (CMB), substituindo Umaro Baldé no cargo.

Por Radio Voz Do Povo  06/10/2026

A nomeação foi aprovada pelo Conselho de Ministros na reunião de 6 de Outubro de 2026, em Bissau, para que, por Despacho do Primeiro-Ministro, se proceda ao movimento do Pessoal Dirigente da Administração Pública.

Com a decisão, é dada por finda a comissão de serviço do anterior Presidente da Câmara Municipal de Bissau, abrindo caminho para Juviano Landim assumir a gestão da autarquia da capital.

Na mesma deliberação, o Conselho de Ministros deu anuência à nomeação de Edalberto Gomes Cuino para Diretor-Geral das Contribuições e Impostos, no Ministério das Finanças, e de Lassana Nancó para Diretor-Geral do Centro de Formalização de Empresas (CFE), no Ministério da Economia, Plano e Integração Regional.

Copiloto da Flydubai teria planeado colidir com aeroporto de Israel... As autoridades acreditam que o copiloto que tentou sequestrar um avião da Flydubai planeava colidir com o Aeroporto Ben Gurion de Telavive ou com um edifício residencial no centro de Israel.

© Getty Images/Giuseppe CACACE / AFP    Por  Notícias ao Minuto  06/10/2026 

As autoridades acreditam que o copiloto que tentou sequestrar um avião da Flydubai planeava colidir com  o Aeroporto Ben Gurion de Telavive ou com um edifício residencial no centro de Israel.

Segundo vários meios de comunicação israelitas e norte-americanos, que citam fontes próximas da investigação, Hamam Al-Hammami, um cidadão omanita, terá planeado o ataque sozinho. 

O suspeito, note-se, esteve a ser interrogado pelas autoridades durante o fim de semana.

Depois de ter atacado o piloto, Al-Hammami planeava colidir contra o aeroporto israelita ou contra um edifício residencial em Telavive. Um atentado semelhante ao ocorrido no dia 11 de Setembro, nos Estados Unidos. 

Durante o interrogatório, o homem revelou ainda que pretendia sequestrar um avião de um voo anterior. No entanto, terá mudado de ideia porque tinha a bordo alguém conhecido. 

De salientar que decorre uma investigação para apurar as falhas de segurança, assim como o recrutamento do copiloto pela companhia aérea Flydubai. 

De acordo com a BBC, as autoridades de Omã disseram que Hamam Al-Hammami havia sido proibido de voar pela companhia Oman Air, tendo sido transferido para um cargo administrativo alegadamente devido a preocupações com a sua visão extremista. 

Posteriormente, foi contratado pela Flydubai, empresa sediada nos Emirados Árabes Unidos, depois de ter passado pela verificação de segurança habitual. No entanto, não terão examinado o histórico do suspeito onde constava possíveis sinais de radicalização. 

A imprensa relata ainda que o ataque foi planeado há vários meses e que o suspeito viajou diversas vezes para Israel para obter informações. 

De recordar ainda que as autoridades da Austrália confirmaram na segunda-feira que estão a investigar alegadas ligações ao país do copiloto de um voo da Flydubai que terá atacado o piloto durante uma viagem para Israel.

A Polícia Federal Australiana (AFP, na sigla em inglês) disse que a Equipa Conjunta de Contraterrorismo de Victoria, integrada pela AFP, pela Polícia de Victoria e pela Organização Australiana de Inteligência de Segurança, está a investigar as alegadas ligações do homem à Austrália.

Isto após a imprensa local ter revelado que o copiloto do voo da Flydubai, Hamam al Hammami, natural de Omã, obteve um visto de estudante em 2014 e estudou na Austrália entre 2015 e 2017.

O incidente aconteceu na quarta-feira, quando os dois pilotos de um voo que fazia a rota entre Dubai (Emirados Árabes Unidos) e Telavive (Israel) se confrontaram na cabine, o que provocou uma queda do avião de cinco mil metros em menos de 30 segundos, gerando pânico a bordo e levando a alertas de emergência.

Uma investigação posterior feita pelo Ministério Público dos Emirados Árabes Unidos concluiu que o copiloto tentou atacar o piloto e desviar o avião, iniciando "a execução de um atentado terrorista".

O copiloto já havia sido impedido de voar em Omã por suspeitas de comportamentos extremistas.

O caso está também a ser investigado pelas autoridades dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita.

No domingo, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ordenou uma revisão das medidas de segurança nos voos internacionais para Israel, na sequência do ataque.

"Netanyahu instruiu o diretor do Conselho de Segurança Nacional, Shmuel Ben Ezra, para nomear um responsável para conduzir uma revisão abrangente de todos os aspetos relacionados com a segurança da aviação civil estrangeira com destino a Israel", afirmou o gabinete do primeiro-ministro em comunicado.

Segundo avançou a Rádio do Exército ("Galei Tzahal", em hebraico), o Ministério dos Transportes de Israel recebeu alertas de várias agências israelitas indicando deficiências na supervisão dos pilotos estrangeiros que voam para o país.

Citando documentos confidenciais, a rádio adiantou que, em 2025 e 2024 o Ministério foi alertado para a falta de cumprimento das responsabilidades em relação à segurança da aviação.

As diretrizes de segurança israelitas proíbem os pilotos de países com os quais Israel não mantém relações diplomáticas, como Omã, de voar para Israel.

Exército do Mali e paramilitares russos lançam operação em Kidal... Bamako, 06 out 2026 - O exército do Mali e os paramilitares russos do grupo Africa Corps iniciaram hoje operações aéreas e terrestres de grande escala na região da cidade estratégica de Kidal, controlada pelos rebeldes desde final de abril.

© Samir Maouche / Hans Lucas / AFP via Getty Images  Por LUSA  06/10/2026 

"Estas operações têm como objetivo localizar e neutralizar os grupos armados terroristas que operam em toda a região, destruir os esconderijos e as suas redes de abastecimento, [e] restabelecer de forma duradoura a segurança das populações e a livre circulação de pessoas e bens", indicaram as autoridades num comunicado.

Uma fonte independente de segurança disse à agência de notícias France-Presse (AFP) que "o comboio de reforços militares malianos iniciou a marcha em direção a Kidal esta manhã cedo, partindo da localidade de Anéfis", acrescentando que nos últimos dias têm ocorrido diversos ataques, mas que ainda não se registou nenhum confronto com os separatistas tuaregues da Frente de Libertação do Azawad (FLA).

Segundo um oficial do exército maliano, as tropas das forças armadas do Mali e os aliados russos "estão em movimento há alguns dias na região", sendo que a principal preocupação das autoridades é a segurança das populações e o combate ao terrorismo.

Desde 2012, o Mali enfrenta uma profunda crise de segurança, alimentada sobretudo pela violência de grupos extremistas, dos seus aliados separatistas tuaregues da FLA e de grupos criminosos comunitários.

Este país do Sahel, dirigido por uma junta militar, aproximou-se da Rússia, cujos paramilitares do grupo Africa Corps o ajudam na sua luta antiterrorista.

O país está mergulhado numa situação de segurança ainda mais crítica desde o final de abril de 2026.

Os extremistas do Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (JNIM), aliados à Al-Qaida e à rebelião da FLA, lançaram então uma série de ataques coordenados contra posições estratégicas da junta e do exército em várias cidades, incluindo nos arredores de Bamako, a capital.

Os ataques custaram, nomeadamente, a vida ao ministro da Defesa e a perda do controlo da cidade de Kidal.


Leia Também: São Tomé. Constitucional confirma vitória do MLSTP sem maioria absoluta

O Tribunal Constitucional (TC) são-tomense confirmou hoje o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP, oposição) vencedor das eleições legislativas de 27 de setembro, com 24 dos 55 deputados eleitos.

Os dados definitivos foram anunciados hoje pelo presidente do TC, Artur Vera Cruz, no final dos trabalhos da Assembleia de Apuramento Geral e definitivo, que confirmou os mandatos anunciados provisoriamente pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN), apesar de ligeira alteração no número de votos por candidaturas.

Segundo os dados finais, o MLSTP elegeu 24 mandatos, a Ação Democrática Independente (ADI) obteve 23, a coligação Movimento de Cidadãos Independentes-Partidos Socialista/Partido de Unidade Nacional (MCI-PS/PUN) obteve seis mandatos, enquanto o Movimento Basta elegeu dois...

Protestos em França? "Não é sobre escolas, é sobre o Islão", diz Trump... O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou que os protestos que decorrem em França desde meados de setembro são "nada menos do que uma migração em massa fora de controlo", apontando que o "Islão quer assumir um país que já foi grande".

© Kent NISHIMURA / AFP via Getty Images   Por  Notícias ao Minuto  06/10/2026 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou, esta segunda-feira, dia 6 de outubro, que os protestos que decorrem em França são "nada menos do que uma migração em massa fora de controlo", apontando que o "Islão quer assumir um país que já foi grande".

"O que está a acontecer em França é nada menos do que uma migração fora de controlo. Isto não é sobre escolas, é sobre o Islão que quer assumir um país que já foi grande", escreveu Donald Trump na plataforma social Truth Social. 

Recorde-se que, iniciado a 17 de setembro na região parisiense, um movimento de estudantes que reivindica mais recursos para as suas escolas expandiu-se gradualmente, no meio de um clima social tenso, a pouco mais de seis meses da eleição presidencial.

Notícias ao Minuto

A mobilização ocorre em plena polémica devido às acusações mútuas de violência entre polícias e menores, que teve segunda-feira outro dos seus pontos altos, quando um adolescente de 15 anos perdeu uma mão, em circunstâncias ainda sob investigação, durante confrontos à porta de uma escola secundária de Lens (norte de França).

Hoje, os protestos estudantis reuniram entre 256.000 e 450.000 manifestantes, segundo os diferentes números divulgados pelas autoridades e pelos sindicatos, respetivamente, numa jornada que decorreu de manhã sem grandes incidentes.

Apenas em Paris, o Ministério do Interior francês calculou em 56.000 o número de participantes na marcha encabeçada pelos alunos do ensino secundário, enquanto as centrais sindicais elevaram esse número para 100.000. Em todo o país o governo francês calcula em 256 mil o total de manifestantes, enquanto os sindicatos falam em cerca de 450 mil.

Em todo o caso, trata-se de um dos maiores protestos deste ano e de um reflexo do descontentamento social de uma boa parte dos franceses com a deterioração dos serviços públicos e com o aumento do custo de serviços básicos, como os de energia.

Desde que a revolta eclodiu, em meados de setembro, foram registados mais de 600 polícias e agentes da Gendarmaria e pouco mais de 200 estudantes feridos e mais de 5.000 detenções em todo o país, além de danos nos estabelecimentos de ensino e no mobiliário urbano já avaliados em várias dezenas de milhões de euros.

A convergência das lutas entre estudantes, sindicatos e a esquerda ocorre após a apresentação do plano orçamental para 2027 do Governo de Sébastien Lecornu, criticado por incluir medidas de poupança que o executivo justifica devido à elevada dívida do país (quase 120% do PIB) e à pressão que as obrigações francesas sofrem nos mercado.


Leia Também: Protestos estudantis juntam 86 mil e fecham quase 900 escolas em França

O protesto estudantil em França juntou hoje de manhã 86 mil pessoas em manifestações em várias cidades ao redor de Paris e fechou, parcial ou totalmente, quase 900 escolas, avançou o Ministério do Interior.

Segundo o ministério, um quarto do total de escolas secundárias suspendeu as aulas hoje antes do início de uma manifestação em Paris, apoiada pelos sindicatos de professores e que, de acordo com fonte policial, deverá reunir entre 20 mil e 40 mil manifestantes.

O protesto começou há cerca de duas semanas numa escola secundária da região de Paris, mas rapidamente se transformou num movimento nacional de pressão sobre o Governo do Presidente cessante Emmanuel Macron, marcado por confrontos com a polícia e tumultos...

Presidente de Transição exonera dois membros do Governo... O Presidente de Transição da República da Guiné-Bissau, General de Exército Horta Inta-a, exonerou dois membros do Governo, através do Decreto Presidencial n.º 22/2026, datado de 6 de outubro.

Foram exonerados o Brigadeiro-General Mamasaliu Embaló, do cargo de Ministro do Interior e da Ordem Pública, e Virgínia Maria da Cruz Godinho Pires Correia, do cargo de Ministra das Pescas e Economia Marítima.

Segundo a nota informativa da Presidência da República, as exonerações produzem efeitos imediatos.

A decisão foi assinada pelo Presidente de Transição, General de Exército Horta Inta-a, em Bissau, a 6 de outubro de 2026

Por  Radio TV Bantaba    06/10/2026 

Explosão a norte de Riade após ataques dos rebeldes do Iémen... Uma explosão foi ouvida hoje no norte da capital da Arábia Saudita, disseram residentes à agência francesa AFP, horas depois de ataques ao aeroporto internacional de Riade reivindicados pelos huthis do Iémen.

© FAYEZ NURELDINE/AFP via Getty Images  Por  LUSA   06/10/2026 

Desconhece-se ainda o local onde ocorreu a explosão e se causou vítimas ou danos.

A nova explosão surge em plena intensificação das trocas de tiros entre a Arábia Saudita e os combatentes huthis pró-iranianos do Iémen.

Os rebeldes disseram que atingiram na segunda-feira o aeroporto internacional da capital saudita, Riade, e uma refinaria da petrolífera estatal Aramco.

Justificaram que os ataques constituem uma resposta ao apoio aéreo do reino saudita à contraofensiva lançada pelas forças iemenitas no domingo.

A coligação que apoia o Governo iemenita desde 2015 disse estar em curso a operação "Alvorecer do Iémen" para recuperar partes do território do Iémen nas mãos dos huthis, incluindo a capital, Sana.

As forças da coligação reivindicaram na segunda-feira à noite ganhos territoriais em zonas estratégicas do litoral do mar Vermelho perdidos em setembro para os huthis.

A coligação liderada pela Arábia Saudita afirmou que estava a prestar um "apoio aéreo 24 horas por dia às forças armadas iemenitas no terreno".

Os huthis denunciaram 60 ataques aéreos sauditas em 24 horas.

Em resposta, afirmaram que atacaram o aeroporto de Riade com drones, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro.

Visaram também uma refinaria da Aramco em Rabigh, instalações militares e dois aeroportos no sul do país, disse o porta-voz militar dos rebeldes, Yahya Saree.

A Arábia Saudita confirmou hoje os ataques dos huthis contra os aeroportos em Jizan e Najran, que causaram três feridos ligeiros e danos materiais.

Os combatentes huthis alertaram as companhias aéreas de que o espaço aéreo sobre a Arábia Saudita "não é seguro", com exceção das cidades santas de Medina e Meca, que sustentam nunca ter tido como alvo.

As hostilidades entre as forças governamentais e os huthis, no poder numa grande parte do Iémen há uma década, reataram em julho após anos de acalmia, abrindo uma nova frente na guerra no Médio Oriente.

Após ofensiva relâmpago em setembro, os huthis tomaram o controlo de todo o litoral oeste do Iémen, que confina com o mar Vermelho.

Desde então, visam regularmente as instalações petrolíferas e militares do reino vizinho.

A Arábia Saudita e as forças governamentais iemenitas pediram apoio internacional, nomeadamente aos Estados Unidos, sem sucesso até ao momento.

Após uma reunião em Riade, a Turquia, o Paquistão e a Arábia Saudita concordaram em passar "imediatamente à aplicação prática do acordo de defesa mútua" que assinaram em agosto em Meca.

Decidiram "tomar as medidas necessárias para fornecer as forças e meios militares acordados, e implantá-los rapidamente no reino", de acordo com um comunicado conjunto dos três países.

Esta é a primeira vez que é acionado o acordo, que associa o segundo maior exército da NATO (Turquia), a principal potência do golfo Pérsico (Arábia Saudita e a única potência nuclear do mundo muçulmano (Paquistão).

A coligação dirigida pela Arábia Saudita no Iémen anunciou na segunda-feira à noite ter atingido alvos militares em Al-Hodeida, grande porto do mar Vermelho sob controlo dos huthis.

Os huthis reforçaram em setembro o controlo sobre o estreito de Bab el-Mandeb, na região.

A importância estratégica de Bab el-Mandeb aumentou com o bloqueio iraniano do estreito de Ormuz, do outro lado da península Arábica, após o início da guerra no Médio Oriente em fevereiro.

As forças governamentais reivindicaram na segunda-feira à noite ter "repelido os huthis da zona de Bab el-Mandeb, do aeroporto de Dhubab, do campo de al-Omari e da cidade de Mokha".

Fontes militares abstiveram-se, contudo, de confirmar oficialmente a retomada de Mokha.

A coligação declarou igualmente "assegurar a proteção aérea do estreito de Bab el-Mandeb", essencial para o transporte de hidrocarbonetos.


Guarda Nacional detém suspeito de homicídio à facada em Sedengal... O Núcleo de Investigação Criminal da UT n.° 02/NORTE da Guarda Nacional (GN) deteve, na manhã desta terça-feira, 6 de outubro, um indivíduo de 25 anos de idade, indiciado pelo homicídio de Quiletche N'TCHAMA.

Por  GN - Guarda Nacional   06/10/2026 

A detenção ocorreu por volta das 09h00, na localidade de Sedengal, no norte da Guiné-Bissau.

O suspeito encontrava-se em fuga desde a madrugada do passado dia 4 de outubro. 

O crime ocorreu por volta da 01h00 desse dia, na aldeia de Lopaz — uma zona fronteiriça nos arredores de Sedengal —, na sequência de uma discussão motivada por um telemóvel pertencente à vítima. 

A altercação escalou rapidamente para agressões físicas, culminando no esfaqueamento mortal de Quiletche N'TCHAMA.

Após dois dias de diligências e buscas consecutivas, a GN conseguiu localizar e intercetar o jovem na aldeia de Catel, que será colocado à disposição das instâncias judiciais competentes do país.

CRONOLOGIA: Do 7 de Outubro à guerra no Irão: Cronologia do conflito no Médio Oriente... Os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 em Israel lançaram uma vaga de conflitos que atingiu desde logo a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, mas também vários países do Médio Oriente até chegar ao Irão.

© Amir Levy/Getty Images   Por   LUSA   06/10/2026 

Durante a devastadora campanha israelita de resposta aos islamitas no enclave palestiniano, a guerra atraiu os aliados do Irão no Médio Oriente, o chamado "Eixo da Resistência" que também integra o Hamas, arrastando vários países da região, a começar pelo Líbano.

Mas o conflito foi alargado ao longo dos últimos três anos, passando por Síria, Iraque e Iémen, até chegar ao próprio Irão e à região do Golfo.

Eis uma cronologia de alguns dos principais conflitos no Médio Oriente desde o 7 de Outubro:

2023

07 Out – Às primeiras horas da manhã, milhares de 'rockets' são disparadas sobre Israel a partir da Faixa de Gaza, antes de combatentes palestinianos liderados pelo Hamas romperem as linhas de separação entre os dois territórios.

Durante a "Operação Dilúvio de Al-Aqsa", cerca de 1.200 pessoas são mortas em comunidades israelitas, instalações militares e da polícia e no festival de música Nova, e outras 251 são levadas como reféns.

Os ataques mais sangrentos de sempre em Israel chocam a comunidade internacional e, no mesmo dia, Telavive lança a "Operação Espada de Ferro" na Faixa de Gaza.

08 out - O grupo xiita libanês Hezbollah dispara dezenas de projéteis contra posições militares no norte de Israel, em solidariedade com a "resistência palestiniana".

Israel responde com tiros de artilharia em zonas do sul do Líbano.

16 out - Começa a retirada de civis do norte de Israel, onde cerca de 60 mil pessoas ficarão deslocadas junto da fronteira com o Líbano.

27 out – Início da invasão terrestre do norte de Faixa de Gaza, levando mais de um milhão de pessoas a fugir das suas casas.

31 out – Os rebeldes Huthis, aliados do Irão no Iémen, lançam mísseis balísticos e drones contra Israel, em apoio dos "irmãos oprimidos na Palestina" e ameaçam manter os ataques até ao fim da guerra na Faixa de Gaza.

02 nov – A Resistência Islâmica no Iraque, uma aliança de grupos xiitas apoiados pelo Irão, reivindica o primeiro de vários ataques aéreos contra Israel.

24 nov – Primeira trégua entre Israel e Hamas: durante uma semana, são trocados 105 reféns (81 dos quais israelitas) por 240 prisioneiros palestinianos e entra ajuda humanitária no território.

Nesta altura, as autoridades do enclave palestiniano, controladas pelo Hamas, registam cerca de 15 mil mortos, na maioria civis.

2024

11 jan – Uma coligação internacional liderada pelos Estados Unidos lança uma ofensiva contra os Huthis no Iémen, em resposta às ameaças dos rebeldes à navegação no Mar Vermelho.

26 jan – Após uma queixa da África do Sul, o Tribunal Internacional de Justiça ordena a Israel que tome "todas as medidas possíveis para proteger a população palestiniana e evitar qualquer ato de genocídio na Faixa de Gaza".

01 abr - Um ataque aéreo atribuído a Israel atinge o consulado do Irão em Damasco e mata 16 pessoas, incluindo dois generais iranianos e outros cinco membros da Guarda Revolucionária, o exército ideológico do regime iraniano.

13 abr – O Irão realiza o primeiro ataque direto contra Israel, disparando mais de 300 mísseis e drones.

19 abr – Teerão confirma "fortes explosões" na província de Isfahan, no centro do país, após Israel ter anunciado que iria responder aos ataques iranianos.

07 mai - O exército israelita assume o controlo do lado palestiniano da passagem fronteiriça com o Egito em Rafah, durante as operações terrestres no sul do enclave.

O balanço de mortes na Faixa de Gaza é nesta altura de cerca de 34 mil, na maioria civis, segundo as autoridades locais.

22 mai - Espanha, Irlanda e Noruega anunciam a intenção de reconhecer o Estado da Palestina, decisão formalizada dias depois, a 28 de maio.

31 jul - O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, é morto num ataque em Teerão atribuído a Israel, depois de assistir à posse do Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.

25 ago – O Hezbollah desencadeia um vasto ataque com centenas de 'rockets' e drones contra o norte Israel, em retaliação pelo assassínio, em Beirute no mês anterior, de Fuad Shukr, braço direito do líder do movimento, Hassan Nasrallah.

17 e 18 set - Numa ação de sabotagem sem precedentes, Israel faz explodir simultaneamente milhares de aparelhos de comunicação e 'pagers' de membros do Hezbollah em várias partes do Líbano, causando 37 mortos e 3.000 feridos.

22 set – Após fortes ataques aéreos cruzados entre Israel e Hezbollah, a ONU alerta para "uma catástrofe iminente" na região.

No dia seguinte, o exército israelita recomenda aos habitantes do sul do Líbano que abandonem zonas próximas de potenciais alvos do Hezbollah.

28 set - Israel mata Hassan Nasrallah e outros altos dirigentes do Hezbollah num ataque à sede do movimento, em Dahieh, na periferia sul de Beirute.

01 out - As forças israelitas iniciam uma invasão terrestre no sul do Líbano, na mesma área de atuação dos militares da missão da ONU (FINUL). Ao mesmo tempo, prosseguem os bombardeamentos intensivos em zonas do Hezbollah, eliminando vários dos seus dirigentes políticos e militares. No mesmo dia, o Irão lança bombardeamentos com 180 mísseis balísticos contra Israel, em retaliação pelos assassínios dos líderes do Hamas e do Hezbollah.

28 out – Israel responde com vagas de ataques aéreos em várias regiões da República Islâmica, incluindo Teerão.

21 nov – O Tribunal Penal Internacional (TPI) emite mandados de captura para o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para o seu ministro da Defesa, Yoav Gallant, por crimes de guerra e contra a humanidade e uso da fome como método de guerra na Faixa de Gaza.

O TPI visa também o antigo líder militar do Hamas Mohammed Deif, que tinha sido eliminado em 13 de julho, embora a sua morte só tenha sido confirmada mais tarde.

27 nov - Israel e Hezbollah acordam um cessar-fogo, com mediação de França e Estados Unidos, que prevê a retirada das tropas israelitas e das milícias do Hezbollah no sul do Líbano.

As autoridades libanesas registam quase quatro mil mortos e perto de 1,4 milhões de deslocados até ao anúncio da trégua. Do lado israelita, são contabilizadas as mortes de 82 soldados e 47 civis.

08 dez - O Presidente sírio, Bashar al-Assad, é derrubado por uma aliança de grupos rebeldes liderada por Ahmad al-Sharaa, um ex-jihadista apoiado pela Turquia e com passado ligado a grupos terroristas, com os quais já tinha entretanto rompido.

No mesmo dia, Israel anuncia que se posicionou na zona tampão desmilitarizada no sul da Síria, com vista a proteger as suas comunidades nos Montes Golã ocupados.

Nas semanas seguintes, as forças israelitas bombardeiam centenas de alvos militares na Síria.

2025

19 jan – Entra em vigor o segundo cessar-fogo entre Israel e o Hamas, durante o qual 33 reféns são trocados por cerca de dois mil prisioneiros palestinianos.

Em menos de dois meses, o exército israelita retomará as operações militares na Faixa de Gaza.

13 jun – Israel lança uma ofensiva aérea contra o Irão, visando o seu programa de enriquecimento de urânio, incluindo cientistas e também dirigentes e altas patentes militares.

Durante a chamada "guerra dos 12 dias", os dois países lançam fortes ataques mútuos com mísseis e drones até à declaração de um cessar-fogo.

O anúncio da trégua é feito pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, depois de ordenar que bombardeiros B2 atingissem três instalações nucleares na República Islâmica.

22 ago – Peritos de uma comissão independente da ONU declaram fome na Cidade de Gaza e pela primeira vez no Médio Oriente, alertando que 500.000 pessoas enfrentam uma situação catastrófica.

O primeiro-ministro israelita rejeita o que classifica de uma "mentira descarada" manipulada pelo Hamas.

09 set – Israel reivindica um "ataque dirigido" contra líderes do Hamas, sem especificar o local, pouco depois de terem sido registadas explosões em Doha, Qatar, no local onde se reuniam negociadores do grupo palestiniano.

16 set - Uma comissão internacional independente de investigação da ONU acusa Israel de genocídio na Faixa de Gaza.

A diplomacia de Telavive "rejeita categoricamente" este "relatório tendencioso e mentiroso" e pede a dissolução imediata da comissão.

21 e 22 set – Uma dezena de países ocidentais reconhecem oficialmente o Estado da Palestina - entre os quais Portugal ao lado de potências como Reino Unido, França e Canadá.

Esta vaga de reconhecimentos ocorre em plena guerra na Faixa de Gaza e aplicação de fortes restrições impostas à população da Cisjordânia e Jerusalém Oriental desde o 07 de Outubro, acompanhadas de uma escalada de violência "sem precedentes", segundo a ONU, atribuída ao exército israelita e colonos radicais.

Em resposta a este movimento diplomático, Netanyahu comenta que se trata de "uma enorme recompensa ao terrorismo" e avisa que o Estado da Palestina "não vai acontecer".

29 set – O Presidente norte-americano anuncia um roteiro de 20 pontos para a Faixa de Gaza, que inclui um cessar-fogo e a libertação de todos os reféns, bem como a abertura do diálogo com vista a um acordo definitivo.

10 out – O cessar-fogo na Faixa de Gaza entra em vigor e, nos dias seguintes, são devolvidos os últimos 20 reféns vivos e 28 mortos, em troca de quase dois mil prisioneiros palestinianos.

O compromisso prevê também o reforço da entrada de ajuda humanitária no território e a retirada das forças israelitas para trás do que designaram como "linha amarela".

Os meses seguintes serão marcados por sucessivas acusações mútuas de violação do acordo e os ataques israelitas tornam-se quase diários.

2026

28 fev – Após uma série de ultimatos de Donald Trump ao Irão relacionados com o seu programa nuclear, os Estados Unidos e Israel iniciam uma ofensiva aérea conjunta contra a República Islâmica e matam o seu líder supremo, Ali Khamenei, e outras altas personalidades iranianas.

O Irão responde de imediato contra Israel e países do Golfo, sob o pretexto de albergarem bases militares norte-americanas.

Ao mesmo tempo, impõem um bloqueio naval no estreito de Ormuz, por onde passavam 20% dos hidrocarbonetos mundiais, fazendo disparar os preços dos combustíveis.

02 mar – O Hezbollah retoma os ataques aéreos contra o norte de Israel, em solidariedade com o Irão.

18 mar – O Irão lança bombardeamentos contra Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Qatar, onde atinge a principal instalação de gás qatari, em Ras Laffan.

Os ataques contra instalações energéticas no Golfo surgem em resposta a bombardeamentos israelitas do campo de gás de South Pars, integrado no maior complexo do mundo e partilhado com o Qatar.

Além daqueles três países, as forças iranianas atacam em várias ocasiões ao longo do conflito o Iraque, Omã, Kuwait, Bahrein, Jordânia e Síria, visando não só alvos relacionados com os Estados Unidos, mas também infraestruturas económicas, sobretudo petrolíferas.

12 abril – Delegações dos Estados Unidos e do Irão terminam horas de negociações históricas frente a frente na capital do Paquistão mas não chegam a acordo sobre os temas essenciais do programa nuclear e de produção de mísseis de Teerão. As conversações também são infrutíferas ao nível do apoio iraniano a grupos armados no Médio Oriente, em troca da suspensão de sanções.

No dia seguinte, o Presidente norte-americano ordena um bloqueio naval aos portos iranianos.

14 abr – Representantes do Líbano e Israel, países sem relações diplomáticas, realizam um primeiro encontro de paz em Washington. O Hezbollah não reconhece este diálogo, tal como rejeita o seu desarmamento ordenado por Beirute.

31 mai – Após várias semanas de bombardeamentos intensivos no Líbano, Israel alarga as posições militares que mantinha desde o conflito anterior no sul do país para zonas que não ocupava há mais de um quarto de século.

O novo conflito aberto repete o cenário já vivido em 2024, provocando nos meses seguintes mais de 4.300 mortos, segundo as autoridades de Beirute, e acima de 1,2 milhões de deslocados.

17 jun – Estados Unidos e Irão acordam um memorando de entendimento, que inclui um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio naval norte-americano.

No entanto, o memorando vai colapsar com os dois lados a retomar os respetivos bloqueios, sem que prossigam negociações previstas no memorando para um acordo de paz definitivo em menos de dois meses.

26 jun – Israel e Líbano aceitam um acordo-quadro, que prevê o posicionamento de forças regulares libanesas em zonas-piloto no sul do país, das quais os militares israelitas deverão retirar-se.

Os confrontos entre Israel e o Hezbollah prosseguem.

08 jul – Donald Trump declara que o cessar-fogo com o Irão "acabou", mas que as negociações podem continuar.

Seguem-se vários dias de novos bombardeamentos contra a República Islâmica, que responde contra países árabes da região.

04 ago – O chefe do Governo israelita recusa retirar as suas tropas da Faixa de Gaza até ao completo desarmamento do Hamas, em reação ao acordo anunciado na semana anterior pelo líder da Casa Branca, entretanto já aceite pelos islamitas palestinianos.

Em pausa, ficam os 15 pontos previstos no roteiro (que inicialmente eram 20 pontos) apresentado pelo Conselho da Paz para a Faixa de Gaza, que, além da retirada israelita e desmilitarização do enclave, inclui a criação de um governo tecnocrático palestiniano, uma força internacional de estabilização e a reconstrução do território.

07 ago – Arábia Saudita, Turquia e Paquistão assinam um acordo de defesa mútua para fazer face à escalada de confrontação militar no Médio Oriente.

19 ago – Benjamin Netanyahu avisa a Turquia que não vai permitir o aumento da presença militar turca na Síria, um dia depois de Israel bombardear uma base aérea no norte do país, sob justificação da alegada presença de uma delegação de Ancara.

25 ago - O líder das Forças Democráticas Sírias (FDS), uma aliança de maioria curda, anuncia a dissolução do grupo armado que lutou contra a organização terrorista Estado Islâmico e a integração dos seus combatentes no exército regular, adiando a aspiração a uma autonomia alargada no norte do país.

25 ago – O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, apresenta a "Operação Pária Económico", que procura isolar a economia iraniana, através de sanções secundárias a entidades e indivíduos que desenvolvam relações comerciais com Teerão.

27 ago - Irão e Omã declaram progressos nas negociações da gestão conjunta do estreito de Ormuz, com eventual cobrança de portagens, mas o acordo fica por formalizar.

08 set - Doze países ocidentais, na maioria europeus e incluindo Portugal, anunciam a preparação de sanções contra colonos israelitas na Cisjordânia

Segundo as Nações Unidas, a escalada de violência nos territórios ocupados, incluindo Jerusalém Oriental, resultaram na morte de mais de 1.100 palestinianos desde 07 de outubro de 2023, dos quais 250 eram crianças.

10 set - Os Huthis conquistam a cidade de Moka, numa vasta operação militar contras as tropas governamentais, e alargam o seu controlo no oeste do Iémen junto ao mar Vermelho e estreito de Bab el-Mandeb, que serve de alternativa a Ormuz.

Os Huthis alegam que os seus avanços militares no Iémen não procuram atingir a navegação comercial, exceto para os navios da Arábia Saudita, aliado do Governo iemenita, que estão sujeitos a um bloqueio dos rebeldes desde julho.

O reacendimento da guerra civil no Iémen leva a uma sequência de bombardeamentos entre Huthis e Arábia Saudita.

22 set – O Departamento do Tesouro norte-americano anuncia uma proibição dos voos de companhias aéreas iranianas. Apesar de as ligações com China e Rússia, parceiros próximos da República Islâmica, continuarem, vários países do Médio Oriente aderem às novas sanções, que Teerão classifica como "desumanas".

23 set – Mais de 1.400 palestinianos foram mortos em ataques israelitas desde a entrada em vigor do cessar-fogo na Faixa de Gaza, segundos dados das autoridades do território considerados fiáveis pela ONU, elevando o total de vítimas mortais para acima de 74 mil.

24 set - Dezenas de delegações abandonam a sala plenária da 81.ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque, e boicotam o discurso de Benjamin Netanyahu.

Antes de começar a sua intervenção, o líder israelita convida os "cobardes morais" que ainda não tinham saído do local a fazê-lo naquele momento.

30 set – O copiloto de um avião da FlyDubai com destino a Telavive, com 180 passageiros israelitas a bordo, ataca o comandante, supostamente com a intenção de derrubar o aparelho.

Os relatos descrevem que só a resistência do comandante e a ação de vários passageiros impediram os planos do copiloto, um cidadão de Omã com registos de radicalismo islâmico, e permitiram uma aterragem de emergência na Arábia Saudita com todos os ocupantes a salvo.

O caso é tratado pelas autoridades dos Emirados Árabes Unidos e de Israel como um ato terrorista e ocorreu um dia depois de Netanyahu ter alertado para a possibilidade de um ataque ao seu país até às eleições legislativas de 27 de outubro.

30 set - Os Estados Unidos concluem a sua retirada militar oficial do Iraque, país que invadiram há mais de 20 anos para derrubar o regime de Saddam Hussein e onde liderava uma coligação internacional de combate ao Estado Islâmico.

A saída é celebrada em Teerão, que vê uma oportunidade de alargar a sua influência num país de maioria xiita, e ocorre a par do objetivo do Governo de Bagdad de desarmar os grupos integrados na Resistência Islâmica no Iraque, que, ao longo do conflito no Golfo, atacaram Estados vizinhos, em apoio a Teerão.

04 out - O Irão está a analisar a mais recente proposta feita pelos Estados Unidos, através do Qatar e adverte para a impossibilidade de uma "solução militar" para a guerra.

Dias antes, Donald Trump tinha rejeitado uma proposta iraniana para reabrir o estreito de Ormuz e discutir o programa nuclear de Teerão, em troca do levantamento das restrições à economia iraniana.

Durante a Assembleia-Geral da ONU, o líder da Casa Branca disse que tinha de escolher entre "aniquilar" o Irão ou chegar a um acordo, advertindo que uma solução diplomática só seria possível após as eleições intercalares para o Congresso norte-americano, agendadas para 03 de novembro.


OMS: Dois em cada três jovens europeus sofreram abusos... Dois em cada três jovens europeus afirmam ter sido vítimas de abusos, negligência, violência doméstica ou outras experiências adversas semelhantes durante a infância, segundo um inquérito divulgado hoje pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

© Lusa   06/10/2026 

De acordo com o estudo, realizado junto de 26 mil pessoas com idades entre os 18 e os 30 anos na União Europeia, Noruega e Islândia, um em cada cinco inquiridos revelou ter vivido quatro ou mais tipos de experiências adversas na infância.

Entre estes, 76,3% afirmaram ter necessitado de apoio profissional em matéria de saúde mental.

Segundo os resultados, este grupo apresenta uma maior probabilidade de sofrer violência, mas também de a exercer, tendo frequentemente sido alvo de 'ciberbullying' durante a infância. Os dados foram recolhidos entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.

A OMS indica que uma maior exposição a experiências adversas na infância aumenta o risco de abandono escolar, desemprego ou de viver em agregados familiares de baixos rendimentos. Os inquiridos tendem também a revelar menor confiança nos outros e um fraco sentimento de pertença à comunidade.

"Quando uma criança cresce num ambiente de violência ou num lar em crise, não deve surpreender-nos que essas experiências a acompanhem anos mais tarde na escola, no mercado de trabalho e nas suas relações", afirmou a diretora de Sistemas de Saúde da OMS Europa, Natasha Azzopardi-Muscat.

A responsável sublinhou que não se trata de um problema que afeta apenas uma minoria nem apenas uma questão de saúde mental, mas também de um desafio social e económico que exige a intervenção de vários setores para além dos serviços de saúde.

Face aos resultados, a OMS apelou a medidas para combater as condições que favorecem estas situações, nomeadamente a pobreza, a exclusão social e a violência nas comunidades.

A organização recomendou ainda que os sistemas de saúde e apoio social, bem como os setores da educação e da justiça, sejam capazes de identificar e responder de forma adequada às pessoas afetadas por adversidades na infância, ajudando-as a "quebrar o ciclo antes de este ser transmitido à geração seguinte".


segunda-feira, 5 de outubro de 2026

GUINÉ-BISSAU: TOMADA DE POSSE DE NOVOS RESPONSÁVEIS DO DIPIC... Realizou-se hoje dia 5 outubro, nas instalações do Comissariado Nacional da POP, cerimónia de tomada de posse de novos responsáveis do Departamento de Informação Policial e Investigação Criminal (DIPIC) da POP na sequência das nomeações em comissão de serviço para o exercício de diferentes funções de responsabilidade no seio daquela estrutura.

Por  Comissariado Nacional da Polícia de Ordem Pública Guiné-Bissau  05/10/2026 

Um momento que representa um reforço do compromisso institucional com a disciplina, a competência, a responsabilidade e o profissionalismo no exercício da missão policial.

Foram nomeados para as seguintes funções:

● Subinspetor/Mestre Zeca Sousa Cordeiro -  Coordenador do Departamento de Informação Policial e Investigação Criminal Centro;

● Subinspetor Félix Batista -  Coordenador do DIPIC no Comando Regional Norte;

● Subinspetor Alfucene Embaló -  Conselheiro do Comandante do DIPIC;

● Inspetor Isnaba Ndetche Intchene -  Delegado Regional do DIPIC na Região de Cacheu;

● Inspetor António Mendes - Adjunto do Chefe da Divisão de Delitos Económicos do DIPIC;

● Agente Domingos Tambá - Adjunto do Chefe da Divisão de Informação Policial do DIPIC;

● 1.º Subchefe Marcelino Bosse - Chefe da Brigada de Análise e Avaliação do DIPIC;

● 2.º Subchefe Fatu Djau - Chefe da Brigada de Registo e Arquivo do DIPIC;

● Agente Demba Baldé - Chefe da Brigada de Narcotráfico do DIPIC;

● Agente João Bacar Jalo - Chefe da Brigada de Delitos Económicos do DIPIC;

● Agente João Bacas Mendes - Chefe da Brigada de Recolha de Dados de Informação do DIPIC;

● Agente Aniquela S. G. Fernandes- Delegada do DIPIC na 1.ª Esquadra da POP;

● Agente Abdu Djassi- Chefe da Brigada de Gestão e Base de Dados do DIPIC;

● Agente Ivanildo Gomes- Chefe da Brigada de Furto do DIPIC;

● Agente Jailson A. Mango- Chefe da Brigada de Instrução de Processos do DIPIC.

A Polícia de Ordem Pública felicita os empossados e formula votos de êxito no desempenho das novas funções, apelando ao elevado sentido de responsabilidade, dedicação e espírito de missão, em prol do reforço da segurança e da proteção dos cidadãos.

PJ DETÉM SUSPEITO DE ABUSOS SEXUAIS EM SÉRIE CONTRA MENORES

Por  Polícia Judiciária da Guiné-Bissau   05/10/2026 

A Polícia Judiciária (PJ), através da Brigada de Combate aos Crimes contra Mulheres e Crianças, deteve e apresentou ao Ministério Público, esta segunda-feira, 5 de outubro de 2026, um homem de cerca de 30 anos, suspeito de abusos sexuais reiterados contra menores, sobretudo crianças do sexo masculino.

O indivíduo volta a ser alvo de investigação por factos de natureza sexual envolvendo menores, sendo este, segundo os elementos disponíveis na Polícia Judiciária, o quarto processo em que surge referenciado por suspeitas semelhantes.

A repetição das denúncias e a natureza dos factos investigados levam as autoridades a tratar o caso com particular preocupação, por revelar um padrão reiterado de alegadas condutas de natureza sexual dirigidas contra crianças, circunstância que coloca o suspeito sob investigação por possíveis abusos sexuais em série.

Todos os processos anteriormente registados envolvendo o mesmo indivíduo foram remetidos ao Ministério Público para os competentes procedimentos de investigação e eventual responsabilização criminal 

16 de Outubro de 2026 - Lançamento do livro “Mahanyela: A Vida na Periferia da Grande Cidade de Ka Mpfumo, Lourenço Marques, Maputo” de Nely Nyaka na UCCLA

Fonte Anabela Carvalho,  Assessora de Comunicação  UCCLA   05-10-2026 

Lançamento do livro “Mahanyela: A Vida na Periferia da Grande Cidade de Ka Mpfumo, Lourenço Marques, Maputo” na UCCLA

A solidariedade e o apoio aos mais necessitados ocupam um lugar de destaque nas memórias de Nely Nyaka, reunidas no livro “Mahanyela: A Vida na Periferia da Grande Cidade de Ka Mpfumo, Lourenço Marques, Maputo”, que será apresentado no dia 16 de outubro, pelas 18 horas, no auditório da UCCLA.

Relatada na primeira pessoa, a obra cruza o percurso pessoal da autora com as transformações históricas e sociais do país onde nasceu, incluindo o processo revolucionário. Entre experiências, desafios e vivências, sobressai a atenção dedicada aos outros e à ajuda a quem mais precisa, conferindo ao seu testemunho uma forte dimensão humana e solidária.

A sessão será moderada por Fernando Jorge Cardoso, especialista em assuntos africanos, e contará com a presença de Gita Honwana Welch, coautora e apresentadora da obra, e de José Manuel Lopes de Castro, editor da Blue Book.

O lançamento do livro será transmitido, em direto, através da página do Facebook da UCCLA em https://www.facebook.com/UniaodasCidadesCapitaisLinguaPortuguesa/ 

Biografia:

Nely Nyaka nasceu no dia 2 de novembro de 1920, na Catembe, Moçambique. O seu ativismo social começou cedo, primeiro no seio da Igreja Metodista Wesleyana e, mais tarde, no Instituto Negrófilo (que depois assumiu a designação de Centro Associativo dos Negros da Colónia de Moçambique). Esteve na criação e foi uma das mais notáveis dinamizadoras da Associação Pfuna, dedicada a mitigar a pobreza e a miséria de crianças órfãs.

Em 1939, casou-se com Raul Bernardo Honwana e foram viver para a Moamba, tiveram oito filhos.

Raul, que militou no Grémio Africano nos tempos de Karel Pott, publicou, em 1984, um livro de memórias, que vem constituindo referência em muitos trabalhos académicos.

Inspirada pelos trabalhos do seu marido, que faleceu em 1994, Nely decidiu também deixar, por escrito, o seu legado às novas gerações. Estas memórias percorrem uma longa e enriquecida vida de uma extraordinária personagem deste século moçambicano, mulher dotada de uma memória prodigiosa, exemplo de probidade e repositórios de valores.

Profunda conhecedora de Lourenço Marques (Maputo) e, mais particularmente, dos seus bairros periféricos, onde cresceu, Nely Nyaka fala-nos, em Mahanyela - A vida na periferia da grande cidade, dos marcos geográficos e sociológicos da sua cidade, das famílias que a habitavam, das práticas e dos costumes da comunidade e dos artifícios a que se recorria para mitigar a pobreza, e para vencer as enormes barreiras criadas pelo poder colonial a todos os que não fossem brancos.

Estendendo-se até aos nossos dias, o relato da Vovó Nely, como era carinhosamente chamada, acompanha com muito humor e surpreendente lucidez - que desmente os seus quase 100 anos de idade - as profundas transformações que ocorreram na história recente do país. Pelo seu ineditismo, este livro é um acervo imprescindível para o conhecimento e estudo futuros, transformando-se assim num referencial importante da moçambicanidade.

Faleceu a 5 de abril de 2024, aos 103 anos. 

Sinopse:

O livro “Mahanyela: A Vida na Periferia da Grande Cidade de Ka Mpfumo, Lourenço Marques, Maputo”, da autoria da minha Mãe, Nely Nyaka, abrange um período de cerca de 100 anos.  Nasceu a 2 de novembro de 1920, em Ka Tembe, e veio a falecer a 5 de abril de 2024, aos 103 anos.

Mahanyela é uma palavra na língua Ronga (uma das mais de 40 línguas nacionais em Moçambique) que se traduz literalmente por ´Forma de Viver´/Forma de Ser/Forma de Estar.

O livro foi inicialmente publicado em outubro de 2018, uma semana antes de autora completar 98 anos, com o título ´Mahanyela: a Vida na Periferia da Grande Cidade´, sob chancela da editora Moçambicana Marimbique.  

Através da sua história pessoal, a autora põe o leitor em contacto com a vida nos bairros suburbanos da grande cidade de Ka Mpfumo, mais tarde Lourenço Marques e hoje Maputo.  

Ela fá-lo assinalando os principais marcos geográficos e sociológicos da ‘sua’ zona da cidade. Mahanyela presenteia o leitor com uma cartografia urbana em que as referências importantes sãos os caminhos, as casas de famílias e os moradores,  as cantinas, as escolas, os locais de culto, os mercados, as relações entre os diferentes grupos de moradores, no contexto de mudanças profundas, convulsões sociais e transformações sociopolíticas e culturais que, ao longo de várias décadas foram influenciando as formas de viver dos habitantes de Ka Mpfumo/Lourenço Marques/Maputo, nos subúrbios da grande cidade e não só. 

Os meus pais, acreditavam fervorosamente na importância de mandar os filhos à escola, custasse o que custasse, mas isso não diminuía a necessidade que sentiam de nos equipar, com outras formas de conhecimento, especialmente aquelas que nos dessem a consciência de quem somos e donde viemos. 

Inspirada pela publicação, em 1985, do livro de Memórias do seu marido, Raúl Bernardo Honwana, Nely Nyaka achou importante deixar também por escrito a sua história de vida, como parte do um legado comum. 

Neste livro ela refere também alguns dos temas que foram tratados no livro Memórias do meu pai, consequência inevitável dos 54 anos que tiveram de vida em comum e que a ambos marcaram profundamente. Mas no livro Mahanyela esses temas têm um tratamento diferente por ser também diferente a perspetiva do narrador. No relato da minha mãe (ao invés da dimensão política claramente presente em Memórias), ela ressalta a perspetiva local, o lado doméstico, da comunidade, a abordagem feminina, a candura da observação.

Dos 54 anos do seu casamento com o meu pai (falecido em outubro de 1994), 27 foram vividos na Moamba, uma vila localizada a 75 quilómetros da capital, onde o meu pai era o intérprete da administração. Segundo a autora, a Moamba moldou-nos de uma forma muito especial, a nós e aos nossos filhos.

Foi efetivamente na Moamba aonde ela começou a sua vida de mulher adulta, casada e mãe de família. Nesse percurso, ela invoca e reconhece a importância do apoio e solidariedade dos locais, nomeadamente amigos, compadres, régulos, comerciantes, pessoal para as crianças da saúde e caminhos de ferro. Mas é também nesse período que ela aprofunda laços de parentesco e amizade com famílias que viviam nas proximidades da Moamba, no Sábie, em Ressano Garcia, Pessene, Dingue, Tenga, entre outros.

A vila de Ressano Garcia próximo da fronteira de Komatipoort entre Moçambique e a África do Sul, tinha para nós um charme especial que incluía as compras anuais de Natal. Depois do ritual das compras em Komatipoort, havia os almoços e jantares em casa dos nossos familiares, os Mognes, e frequentemente a convivência com amigos de família como os Garridos, os Pintos, os Isaías, entre tantos outros. No fim da visita a Ressano Garcia havia sempre um refresco, na esplanada do glamoroso Hotel Costa Pereira. 

A autora esteve no centro de grandes realizações e sucessos, que partilha connosco na sua narrativa - o seu ativismo social, capacidade de organização, carácter de grande frontalidade e coragem e extrema facilidade de criar empatia e se relacionar com outros seres humanos, incluindo, de origens, raças e culturas diferentes da sua. Mas ela esteve também no centro de grandes tragédias pessoais que partilha igualmente connosco, em Mahanyela - a cegueira do seu filho Raúl, aos seis anos, resultado de uma febre meningite, a prisão pela PIDE do seu marido, Raul Honwana em 1962, do seu filho Luís a 23 de dezembro de 1964, a morte trágica do seu filho Fernando, no desastre aéreo que igualmente vitimou o primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel, e tantos outros episódios.

Nesta obra, a autora não se limitou a contar como eram as coisas no antigamente. Ela expressa preocupação com questões candentes da nossa sociedade, como a relação dos diferentes grupos linguísticos no mosaico nacional e os resquícios de tribalismo que ainda existem. Discute também temas da vida política do país, não hesitando em exprimir discordância ou desagrado em relação a certos posicionamentos oficiais no processo de governação de Moçambique. 

Este livro contém histórias que ultrapassam, na sua dimensão, a memória de uma só família ou de uma só pessoa. 

Coube-me a mim o privilégio de recolher da minha mãe esta narrativa, que é inteiramente sua, para a transformar num livro, que é agora publicado em Portugal. 

Que privilégio!

Gita Honwana Welch