segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Putin pode tomar controlo de empresas que falhem contra drones... O presidente russo assinou hoje um decreto que permite às autoridades tomar controlo provisório de "infraestruturas vitais" cujos proprietários não garantam a respetiva proteção face aos crescentes ataques de drones ucranianos.

© Gavriil Grigorov / POOL / AFP via Getty Images    Por   LUSA  24/08/2026 

O documento em questão, publicado no portal de informação jurídica do Estado russo, indicou como motivo para a implementação desta medida "a deteção de ações ineficazes" para defender as instalações contra ataques inimigos ou violações das normas de segurança.

Outra das razões para o estabelecimento do controlo temporário é o atraso na reparação das instalações danificadas, segundo o decreto.

Na sequência do aumento dos ataques ucranianos contra alvos na retaguarda russa e da incapacidade das defesas antiaéreas de proteger todo o território, muitas empresas viram-se obrigadas a tomar medidas para se protegerem, seja através da instalação de redes antidrones, de meios de guerra radioeletrónica ou de armamento antiaéreo.

O ministro das Finanças, Anton Siluanov, afirmou que o Estado não tencionava financiar a segurança das empresas face aos ataques com drones.

A empresa mais afetada nas últimas semanas pelos drones ucranianos foi a empresa de comércio eletrónico Wildberries, cujos sete maiores centros logísticos foram encerrados após terem sido atingidos, segundo Kiev.

Segundo o Serviço de Inteligência Externa da Ucrânia, durante os primeiros seis meses de 2026, o setor comercial russo "aumentou as suas compras de sistemas antidrones em 6,6 vezes, em comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo os 5,32 milhões de dólares [cerca de 4,59 milhões de euros ao câmbio atual]".

"As empresas estão a alargar a sua gama de equipamentos. A maior parte da procura centra-se em detetores de drones fixos e portáteis, sistemas de alerta, bem como em equipamentos para interferir com canais de controlo, transmissão de dados e navegação por satélite", assinalou o órgão ucraniano.

Além disso, "as grandes empresas estão a formar unidades de resposta móveis equipadas com dispositivos de deteção e neutralização de drones; a criação de cada unidade deste tipo custa entre 600.000 e 850.000 dólares [entre 514 mil e 728 mil euros]", acrescentaram os serviços de informação ucranianos.

Por sua vez, o jornal russo Nezavísimaya Gazeta salientou que as empresas russas, particularmente as do setor petrolífero, enfrentam dificuldades na instalação de sistemas antidrones, uma vez que são necessárias autorizações de várias entidades russas e não existem normas sobre como construir instalações de proteção contra drones.

O jornal acrescentou que esta situação se complica ainda mais devido a obstáculos burocráticos que exigem autorizações do Ministério da Defesa e do Ministério Público, sem as quais as empresas podem ser sujeitas a processo penal por incumprimento da legislação russa.

Esta é mais uma medida no sentido de proteger empresas do setor privado visadas pela nova onda de ataques ucranianos.

No final de julho, as autoridades da região de Krasnodar (sul da Rússia) anunciaram que iriam organizar defesas antiaéreas contra drones ucranianos empregando funcionários de empresas locais, aos quais prometiam não os enviar para a linha da frente e um salário.

Esta região banhada pelo Mar Negro tem sido das mais afetadas pelos ataques ucranianos.

Os responsáveis pela administração da região consideram que a melhor solução face aos ataques ucranianos é criar grupos móveis de resposta antiaérea compostos por funcionários de empresas locais.

No final de maio, o jornal russo RBC informou que as empresas russas poderiam, a partir de agora, adquirir armas de grande calibre para se defenderem de ataques com drones.

Assim, as empresas poderão adquirir artilharia antiaérea, torres de artilharia, sistemas de radar, veículos especiais e sistemas de guerra eletrónica.

As autoridades esperam que as novas regulamentações adotadas a nível estatal permitam um fornecimento mais rápido de armas e equipamentos aos grupos responsáveis pela defesa móvel, compostos por reservistas, voluntários e funcionários do setor privado, com o objetivo de proteger as infraestruturas russas.


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