© Lusa 24/08/2026
O Gabinete de Segurança Alimentar do Conselho de Estado (o Executivo chinês), o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais e a Administração Estatal para a Regulação do Mercado anunciaram conjuntamente que pediram às autoridades locais a realização de controlos específicos e o rastreio dos produtos afetados, para impedir que cheguem ao mercado.
A medida foi adotada depois de as autoridades do condado de Kangbao, pertencente à cidade de Zhangjiakou, no norte da China, terem confirmado a autenticidade de vídeos divulgados na Internet que denunciavam que algumas couves eram mergulhadas numa solução de formaldeído.
Segundo a investigação preliminar, a prática foi realizada ilegalmente por compradores grossistas dos produtos hortícolas durante o processo de carregamento, para prolongar a conservação durante o transporte.
Os três organismos centrais garantiram que qualquer infração detetada será punida "de forma firme" e que as inspeções vão abranger diferentes regiões do país.
O formaldeído pode ser prejudicial para a saúde: a exposição à substância pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, enquanto a ingestão aguda de soluções que a contenham tem sido associada a efeitos graves, segundo a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.
O caso gerou várias reações na rede social chinesa Weibo, onde a palavra-chave ('hashtag') sobre o assunto acumulava hoje mais de 14 milhões de visualizações.
"Parece que vamos ter de comprar os nossos próprios aparelhos e transformar-nos em inspetores de segurança", lamentou, em tom sarcástico, um utilizador, enquanto outro afirmou que este tipo de práticas é "um segredo conhecido por todos".
A segurança alimentar tem sido alvo recorrente de polémica na China nas últimas décadas.
Um dos episódios mais graves ocorreu em 2008, quando leite para bebés adulterado com melamina causou a morte de pelo menos seis crianças e afetou cerca de 300 mil menores, num escândalo que abalou durante anos a confiança de muitos consumidores nos produtos lácteos chineses.
Mais recentemente, em 2024, as autoridades multaram sete empresas após terem descoberto que óleo alimentar tinha sido transportado em camiões-cisterna anteriormente utilizados para produtos químicos, sem uma limpeza adequada.
Em julho de 2025, uma intoxicação por chumbo num jardim-de-infância de Tianshui, no noroeste da China, levou à hospitalização de 201 crianças.

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