domingo, 23 de agosto de 2026

Irão anuncia descoberta de grandes depósitos de gás no sul do país... O Irão anunciou hoje a descoberta de 7,5 biliões de pés cúbicos de gás na província de Fars, no sul do país, segundo o ministro do Petróleo, em plena "guerra económica" declarada pelos Estados Unidos contra a República Islâmica.

© Noushad Thekkayil/NurPhoto via Getty Images     Por  LUSA  23/08/2026 

Teerão, 23 ago 2026 (Lusa) -- O Irão anunciou hoje a descoberta de 7,5 biliões de pés cúbicos de gás na província de Fars, no sul do país, segundo o ministro do Petróleo, em plena "guerra económica" declarada pelos Estados Unidos contra a República Islâmica.

"Esta descoberta acrescenta uma quantidade significativa de hidrocarbonetos às reservas nacionais do Irão e reflete os esforços da indústria petrolífera para identificar e explorar novos recursos", afirmou Mohsen Paknejad, em declarações divulgadas pela agência de notícias Shana, ligada ao Ministério do Petróleo.

O governante iraniano estimou que poderão ser extraídos cerca de 5,7 biliões de pés cúbicos do total descoberto, o que equivaleria a 15 anos de produção da primeira fase de South Pars, o maior campo de gás natural do mundo.

O depósito contém também um volume significativo de gás condensado, que, segundo Paknejad, poderá gerar vários milagres de milhões de dólares para o Irão".

Desde o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, em 28 de fevereiro, o exército israelita atacou duas vezes o campo 'offshore' de South Pars, dividido entre o Qatar e a República Islâmica, que retaliou contra instalações energéticas dos países vizinhos do Golfo Pérsico.

O Irão possui a segunda maior reserva de gás natural do mundo e a terceira maior de petróleo, mas não dispõe de recursos para explorar estes recursos.

Como resultado, o país enfrenta apagões tanto no verão como no inverno e é obrigado a importar gasolina.

Ao mesmo tempo, enfrenta também dificuldades na exportação dos seus produtos petrolíferos devido às sanções impostas pelos Estados Unidos.

A descoberta acontece numa altura em que o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou "a operação económica mais devastadora alguma vez realizada contra qualquer país", no que chamou de "Dia D económico" contra o Irão, com o objetivo de terminar a guerra e reabrir o estreito de Ormuz.

Washington ainda não divulgou os detalhes das novas medidas económicas contra a República Islâmica, mas o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, alertou os países que prestarem "qualquer tipo de ajuda vital ao Irão" que sofrerão consequências económicas.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reconheceu hoje que a sociedade iraniana enfrenta "numerosas dificuldades", à medida que os Estados Unidos procuram aumentar a pressão sobre a economia iraniana.

Num discurso transmitido pela televisão estatal, o líder iraniano disse porém que o seu país está empenhado "numa guerra total nas frentes económica, militar e de segurança".

O presidente iraniano comentou também que a tentativa dos Estados Unidos de desmantelar a atual estrutura de poder da República Islâmica e de instalar autoridades mais favoráveis ??a Washington, como ocorreu na Venezuela, falhou completamente.

"O Irão não só não se tornou como a Venezuela, como o mundo ficou surpreendido com o nosso poder", declarou Pezeshkian, acusando os Estados Unidos de combinarem os seus ataques militares com táticas de desestabilização interna.

As partes assinaram um memorando de entendimento em 17 de junho, que implicou um cessar-fogo imediato e a abertura de negociações durante 60 dias para um acordo definitivo de paz, prazo que terminou na segunda-feira.

Os dois lados voltaram entretanto aos confrontos pouco depois da assinatura do memorando e o Irão repôs as restrições que mantinha à navegação comercial no estreito de Ormuz - por onde passavam 20% dos bens petrolíferos mundiais antes da guerra -, enquanto os Estados Unidos voltaram a aplicar um bloqueio naval aos portos iranianos.

As ameaças em Ormuz obrigaram os países exportadores de petróleo da região a procurar rotas alternativas, nomeadamente no mar Vermelho, onde os rebeldes Huthis do Iémen, apoiados por Teerão, impuseram por sua vez um bloqueio naval à Arábia Saudita.

O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, já advertiu que o estreito de Ormuz não será reaberto enquanto Washington não cumprir os compromissos previstos no protocolo assinado em junho, mantendo a pressão sobre os preços de bens petrolíferos e sobre o presidente norte-americano, Donald Trump, a cerca de dois meses das eleições intercalares nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, o Irão e Omã, países vizinhos nas duas margens do estreito, debatem há várias semanas a futura gestão desta passagem, num acordo negociado à margem do processo de diálogo entre Washington e Teerão.


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