domingo, 23 de agosto de 2026

Zelensky contra eleições: "Risco enorme" que "dividiria a Ucrânia"... O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, considera que a realização de eleições em tempo de guerra constituiria um perigo para o país, respondendo ao apelo do seu ex-ministro da Defesa para realizar um escrutínio.

© Oliver Bunic/Bloomberg via Getty Images   Por LUSA  23/08/2026 

"Penso que, numa guerra como esta, as eleições, por si só, representam um risco enorme", afirmou Zelensky, considerando que seriam um "tsunami" que "dividiria a Ucrânia".

O líder ucraniano respondeu hoje em conferência de imprensa às polémicas recentes, como a demissão, em meados de julho, do jovem e popular ministro da Defesa, Mikhaïlo Fedorov.

Este último causou grande agitação na terça-feira com um vídeo, no qual denuncia a corrupção e pede a "restauração de um processo democrático" através de eleições, apesar da invasão russa do país.

O mandato presidencial de Zelensky terminou em maio de 2024, mas não podem ser organizadas eleições na Ucrânia sob a lei marcial, em vigor desde o início da invasão russa em grande escala do país, desencadeada em fevereiro de 2022.

"Se quisermos destruir o país, então podemos avançar para a realização de eleições nestes tempos de guerra", respondeu Zelensky.

Hoje "é impossível nas condições em que nos encontramos atualmente, quando Putin não está disposto a considerar opções para um cessar-fogo", acrescentou ainda.

As declarações de Fedorov causaram mal-estar até mesmo entre os seus apoiantes.

De acordo com a última sondagem de opinião do Instituto de Sociologia de Kiev (KIIS), realizada em julho e agosto, apenas 15% dos inquiridos consideram que as eleições deveriam realizar-se antes do fim da guerra.

A decisão do Presidente de demitir Fedorov deu origem a manifestações que reuniram milhares de pessoas nas ruas de várias cidades do país, levando Zelensky a substituir também o comandante do exército, Oleksandre Syrsky, considerado um rival de Fedorov.

Sobre os protestos, o Presidente ucraniano defendeu o direito dos cidadãos a manifestarem-se, mas alertou para qualquer atitude "desrespeitosa" em relação ao exército e para o risco que representa uma divisão "entre a sociedade e os soldados".

"Desde quando é que o marketing começou a ter prioridade sobre as pessoas que dão a vida?" - questionou.


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