© Lusa 13/09/2026
A RDCongo declarou, em meados de maio, com várias semanas de atraso, a sua 17.ª epidemia de Ébola, uma doença extremamente mortal, que já matou mais de 15.000 pessoas em África nos últimos 50 anos.
Tendo tido início na província de Ituri (nordeste), o surto atual afeta regiões do leste e do norte da RDCongo, remotas e instáveis, onde a resposta sanitária tem dificuldade em conter a explosão de casos.
Esta semana, o surto alastrou-se a uma sétima província, o Sud-Ubangui, que faz fronteira com a República Centro-Africana e o Congo-Brazzaville.
As autoridades congolesas registaram 7.022 casos, dos quais 3.398 mortes e 1.671 recuperações desde o início da epidemia. No anterior balanço das autoridades, foram contabilizadas 3.310 mortes e 6.843 casos confirmados.
"O pico foi atingido" no "início da terceira semana de agosto", afirmou nas redes sociais o porta-voz do Governo congolês, Patrick Muyaya, no sábado.
"Todos os indicadores apontam para uma diminuição do número de casos", acrescentou, precisando que "10 das 61 zonas de saúde" afetadas pela epidemia não registaram novos casos desde "há pelo menos 21 dias".
O epicentro da epidemia continua a ser Ituri, onde foi registada a grande maioria dos casos.
Foram assinalados casos de Ébola em estabelecimentos de ensino, alguns dias após o início das aulas, o que suscitou a preocupação dos pais e dos responsáveis pela resposta sanitária, segundo responsáveis do setor da educação, que preferiram manter o anonimato.
"Estamos muito preocupados porque não sabemos de que família é cada criança, nem qual é o estado de saúde dos membros dessa família", declarou à agência francesa de notícias (AFP) Angele Magani, mãe de um aluno em Bunia, capital da província.
"Estamos com muito medo, apesar de as autoridades escolares nos tranquilizarem quanto às medidas sanitárias implementadas", acrescentou.
"Existe uma medida de lavagem obrigatória das mãos com sabão (...) e fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para ter, no máximo, 30 alunos por sala", assegurou à AFP Roger Mungimbo, um responsável escolar em Bunia.
"Sensibilizamos regularmente as crianças para que não se toquem, não se cumprimentem e lavem as mãos com frequência", afirmou.
As organizações responsáveis pela resposta à epidemia consideram que os fundos são largamente insuficientes para garantir o acompanhamento e o isolamento dos doentes na RDCongo.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estimou na terça-feira que eram necessários mais 5.000 profissionais de saúde para fazer face à epidemia.
Estão a ser testados vários tratamentos e vacinas contra o vírus Bundibugyo, responsável pelo surto atual, contra o qual não existe, até à data, qualquer vacina ou tratamento aprovado.

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