© Simona Granati - Corbis/Corbis via Getty Images Por LUSA 07/08/2026
Horas depois de Espanha ter exortado Itália a levantar os controlos de fronteiras que adotou após a entrada de 72.000 pessoas em Ceuta, ameaçando com "medidas proporcionais" caso tal não suceda até ao final de domingo, o gabinete da primeira-ministra Giorgia Meloni divulgou um comunicado, no qual anunciou que vai manter os controlos "pelo menos até 15 de agosto", data de uma possível nova chegada em massa de migrantes ao enclave espanhol no norte de África.
"A Itália não aceita ultimatos nem imposições do estrangeiro no que diz respeito à segurança nacional e ao controlo das fronteiras. Não tencionamos, em caso algum, rever a decisão de suspender a aplicação do Acordo de Schengen aos cidadãos de países terceiros provenientes de Espanha, pelo menos até 15 de agosto e, em qualquer caso, até que os riscos de segurança e de terrorismo para a Itália sejam completamente excluídos", indicou uma nota oficial publicada pelo Palácio Chigi, sede do Governo italiano.
Sublinhando que, "nessa data, tal como anunciado pelas próprias autoridades espanholas, espera-se, de facto, uma nova onda migratória em Ceuta", o executivo de direita e extrema-direita liderado por Meloni apontou que "só quando houver a certeza de que não haverá riscos de segurança e de terrorismo para a Itália, de que não haverá uma nova onda e de que não haverá migrantes em situação irregular a dirigir-se para o território europeu, é que se poderá rever o que já foi decidido".
"Isto sem prejuízo de um país amigo como a Espanha, à semelhança de decisões semelhantes adotadas no passado pelo Governo italiano, por exemplo, em relação à Eslovénia, e por governos europeus em relação à Itália e à própria Espanha", acrescentou a nota informativa.
Reforçando que, "caso todas estas condições deixem de se verificar, a Itália está pronta para prosseguir um diálogo construtivo com o Governo de Madrid", o governo de Roma destacou ainda que "as autoridades fronteiriças italianas farão tudo o que estiver ao seu alcance para garantir a máxima facilidade de circulação aos cidadãos espanhóis e europeus que, é importante sublinhar, não são afetados pelo restabelecimento dos controlos nas fronteiras aéreas e marítimas".
A reação do executivo de Meloni surge depois de o Governo liderado pelo socialista Pedro Sánchez ter exortado Itália "a pôr fim aos controlos e a tratar os espanhóis como os restantes cidadãos europeus".
"Caso não o faça até ao final do domingo, 09 de agosto, Espanha ver-se-á obrigada a adotar medidas proporcionais para proteger os interesses e a dignidade dos seus cidadãos", disse o executivo de Madrid, num comunicado.
Itália reintroduziu controlos fronteiriços em portos e aeroportos para passageiros oriundos de Espanha em 01 de agosto, depois da entrada de 72.000 pessoas em 24 horas em Ceuta, um enclave espanhol no norte de África.
O Governo espanhol sublinhou hoje que a decisão de Itália não tem precedentes "na história recente" e foi adotada "sem aviso prévio, de forma unilateral, e com argumentos espúrios que não se ajustam nem ao Código de Fronteiras Schengen nem à verdade".
Espanha destacou que nenhum dos migrantes que acedeu de forma irregular a Ceuta na semana passada "pôde ou pode entrar livremente no espaço Schengen" e que "a quase totalidade" já regressou a Marrocos.
Por outro lado, lembrou que Itália é o Estado-membro da União Europeia com mais entradas irregulares nos últimos anos, "com números que chegaram a duplicar os de Espanha", e que "Espanha nunca introduzir controlos para Itália".
A medida adotada por Itália é, assim, "contrária aos interesses da União Europeia, e discriminatória para a população espanhol", frisou o Governo de Espanha no mesmo comunicado.
"Os governos existem para promover o entendimento entre os países e o interesse geral das suas populações, e não para criar divisões e conflitos infrutíferos motivados por interesses eleitorais internos", defendeu ainda o Governo de Madrid.
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A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni (à esquerda) e o presidente dos EUA Donald Trump (à direita) apertam as mãos durante a cerimónia de boas-vindas antes da foto de família na Cimeira de Paz de Gaza, em Sharm El-Sheikh, Egito, em 13 de outubro de 2025.

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