sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Senado dos EUA aprova sanções mais duras contra Rússia e Irão... O Senado norte-americano aprovou hoje, por ampla maioria, um projeto de lei bipartidário que impõe sanções mais severas à Rússia e ao Irão.

© Getty Images   Por LUSA   07/08/2026 

A votação do texto, que foi aprovada por 86 votos a favor e 11 contra, pôs fim a mais de um ano e meio de negociações entre republicanos e democratas.

O texto tem agora de ser aprovado pela Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso), onde a votação só terá lugar no início de setembro, devido às férias parlamentares.

O projeto de lei permite ao Governo dos Estados Unidos impor direitos aduaneiros de até 100% aos cinco principais compradores de petróleo e gás russos, bem como aos países que contribuam para contornar as sanções em vigor contra o setor energético russo, entre os quais a China e a Índia.

As sanções estendem-se também ao Irão, uma vez que, há algumas semanas, a pedido do Presidente norte-americano, Donald Trump, a República Islâmica foi incluída no documento.

O texto prevê, nomeadamente, impedir o fim das sanções sobre os setores energético e de armamento do Irão.

No entanto, o projeto de lei, que foi apresentado pela primeira vez em abril de 2025, incide sobretudo na Rússia, com o objetivo de aumentar a pressão sobre Moscovo por causa da guerra e a ocupação do território ucraniano.

O texto engloba, por exemplo, novas sanções contra o Presidente russo, Vladimir Putin, bem como contra outros altos responsáveis.

"Esta lei aproxima-nos do fim do conflito" entre a Rússia e a Ucrânia, afirmou o senador republicano Jim Risch, presidente da Comissão dos Negócios Estrangeiros.

"Terá um impacto decisivo que vai além do que pode ser alcançado no campo de batalha; cortará o fluxo de dinheiro que alimenta a máquina de guerra de Putin", acrescentou o senador num discurso no hemiciclo antes da votação.

Pela primeira vez, os Estados Unidos também têm como alvo a chamada "frota fantasma" da Rússia, os navios utilizados por Moscovo para contornar os embargos ocidentais desde a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022.

O diploma foi batizado com o nome de Lindsey Graham, senador republicano que morreu a 11 de julho, que era um acérrimo defensor da causa ucraniana e defendia novas sanções contra Moscovo.

Um dia antes da sua morte, Graham tinha anunciado, juntamente com outros senadores republicanos e democratas, que tinha conseguido obter o acordo da Casa Branca para a aprovação destas novas sanções sobre os hidrocarbonetos produzidos pela Rússia, medidas que até então tinham sido bloqueadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

Para a irmã do antigo senador, Darline Graham, que o substituiu no Senado, a aprovação final do projeto de lei servirá para homenagear o irmão, mas também "atingirá Putin onde mais dói".

A lei inclui medidas que "visam particularmente aqueles que apoiam a guerra da Rússia na Ucrânia", afirmou Darline Graham no Senado antes da votação.

"Obriga os principais países que mantêm a economia da Rússia à tona a fazer uma escolha simples, mas crítica, entre fazer negócios com os Estados Unidos ou comprar energia russa barata", acrescentou a representante.

Para a senadora democrata Jeanne Shaheen, membro da Comissão dos Negócios Estrangeiros, "Putin só compreende a força e só responde à pressão".

"Esta lei representa a nossa melhor oportunidade de, finalmente, fazer ceder a máquina de guerra russa e forçar Putin a sentar-se à mesa das negociações", afirmou a senadora num comunicado na terça-feira.

No entanto, alguns políticos democratas mostraram-se preocupados com os novos poderes em matéria de direitos aduaneiros que seriam conferidos a Trump com esta nova lei.

No final de julho, a embaixada da Rússia nos Estados Unidos tinha condenado o projeto de lei que, na sua opinião, "presta um mau serviço aos Estados Unidos".

Tendo em conta a guerra no Irão, "com uma crise energética iminente e o aumento dos preços na véspera das eleições intercalares, sancionar a Rússia e os seus parceiros comerciais (...) seria extremamente contraproducente para os próprios Estados Unidos", afirmou na ocasião a embaixada num comunicado.


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