sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Eclipse do Sol será oportunidade para ver o que o brilho esconde... O eclipse total do Sol da próxima quarta-feira será uma oportunidade para o físico solar Ricardo Gafeira e outros cientistas observarem a camada mais externa da atmosfera solar que o brilho da estrela ofusca.

© Shutterstock     Por  LUSA  07/08/2026 

"Será uma oportunidade para registo de dados e ver se as simulações que já fizemos são precisas ou não", adiantou à Lusa o investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e diretor do Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra.

Ricardo Gafeira integra uma expedição informal de cientistas europeus que vai observar o eclipse total do Sol em Espanha, na província de Palência, onde o fenómeno terá a duração de quase minuto e meio.

Em Portugal, o eclipse total do Sol terá uma duração menor, de cerca de 26 segundos, e será apenas visível numa pequena zona do Parque Natural de Montesinho, em Bragança.

Para os cientistas que estudam o Sol, um eclipse total é uma janela que se abre para observar em terra a coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol composta por plasma e que, em situações normais, é "contaminada" pelo brilho da estrela.

"Permite-nos utilizar instrumentos mais versáteis para observar a coroa solar", sublinhou Ricardo Gafeira, assinalando que os telescópios espaciais possuem "resoluções mais limitadas".

O investigador levará consigo para Espanha um telescópio com um "filtro especial" e uma câmara fotográfica para captar, por breves instantes, as imagens de um halo de luz branca em redor do disco solar que será tapado pela Lua e observar algum evento inesperado, ou não.

Com essas imagens, Ricardo Gafeira espera incluir os dados obtidos em trabalhos científicos e "aumentar o conhecimento" sobre a atividade do Sol, nomeadamente sobre como o seu campo magnético se propaga para a coroa, influenciando o clima no espaço, e sobre como o vento solar está a ser ejetado.

O vento solar é um fluxo contínuo de partículas subatómicas com carga elétrica projetadas pela coroa e interage com a magnetosfera da Terra, um escudo protetor gerado pelo seu campo magnético.

Alterações no campo magnético do Sol podem causar erupções solares, ejeções de partículas que podem desencadear tempestades.

No espaço, as tempestades solares podem provocar danos em satélites, sondas e em naves, comprometendo a segurança de astronautas. Na Terra, podem perturbar as redes elétricas e telecomunicações.

"O Sol influencia a nossa vida diária, os satélites e os astronautas no espaço. Podemos aproveitar este momento para aprofundar a nossa compreensão dessa influência", afirmou, citada pela agência noticiosa Efe, a cientista da agência espacial norte-americana (NASA) Kelly Korreck.

Um avião científico da NASA equipado com quatro câmaras vai voar a grande altitude na quarta-feira, seguindo a trajetória do eclipse, e captar imagens da coroa solar durante quase três minutos (o tempo estimado para se ver a coroa solar em terra é de pouco mais de dois minutos).

Os cientistas esperam com estas imagens de alta resolução aprender mais, inclusive, sobre a formação de proeminências solares, estruturas de plasma que se estendem da superfície do Sol até à camada mais externa da sua atmosfera.

Balões científicos serão lançados em Espanha e na Islândia antes, durante e depois do eclipse para se compreender melhor as alterações na atmosfera terrestre.

Durante um eclipse total do Sol, em que o céu diurno fica repentinamente noturno, a atmosfera da Terra muda.

O eclipse será visível, se as condições de observação do céu o permitirem, numa faixa que atravessa o Ártico, a Gronelândia, a Islândia, Espanha e Portugal.

Em Portugal, o fenómeno será visto maioritariamente de forma parcial, com exceção da pequena zona do Parque Natural de Montesinho, variando a percentagem de ocultação do Sol entre 92% e 99% no continente e entre 74% e 77% nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

Para observar o raro fenómeno em segurança será necessário usar óculos protetores ou telescópios com filtros solares, de modo a evitar possíveis lesões nos olhos.

Em Espanha, as pessoas cegas (ou com baixa visão) vão poder seguir o eclipse com um dispositivo criado pela universidade norte-americana de Harvard que converte, em tempo real, as alterações na intensidade da luz solar em sons.

Em Portugal, no Centro Ciência Viva de Constância - Parque de Astronomia, o eclipse poderá ser "sentido" através de modelos táteis e descrições auditivas feitas por monitores.

Um eclipse total do Sol acontece quando a Terra, a Lua e o Sol estão perfeitamente alinhados e a Lua oculta completamente o disco solar por alguns momentos, tornando visível no céu o efeito de 'anel de diamante'.

Nas regiões onde a ocultação será mais acentuada deverá ser percetível um escurecimento da luminosidade, a temperatura do ar cai, o ruído ambiente diminui, as sombras tornam-se mais nítidas, os pássaros param de cantar.

O anterior eclipse total do Sol em Portugal ocorreu em 1912 e o próximo será só em 2144.

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