Por Rádio Capital Fm
O líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira (DSP), pronunciou-se esta sexta-feira (07.08), pela primeira vez, sobre o referendo constitucional convocado pelas autoridades de transição na Guiné-Bissau e não tem dúvidas de que a consulta resulta de uma "ilegitimidade".
Em entrevista à RTP, em Lisboa, Domingos Simões Pereira afirmou que, quando o povo é excluído das decisões, a democracia perde a sua essência.
"Quando o povo não está no centro do poder, a democracia não funciona. É o que está a acontecer na Guiné-Bissau. A entidade que neste momento está a pretender promover o referendo não resulta do povo e não resulta da escolha livre dos cidadãos guineenses. E, portanto, não tem as condições para poder cumprir esse objetivo", afirmou o dirigente político.
Domingos Simões Pereira afirmou que a convocação do referendo popular, além de carecer de "legitimidade", não oferece aos guineenses a oportunidade de manter o contacto com o instrumento a ser votado. Para "DSP", o próprio povo da Guiné-Bissau desconhece a "nova" Constituição da República.
"Ninguém conhece os pontos [da Constituição] e não é público o documento. Portanto, para além dessa questão de legitimidade, está-se a convocar o povo para decidir sobre um documento que não conhece", sublinhou.
Domingos Simões Pereira reconhece que não se sente à vontade de regressar a Bissau, para já, embora afirme que se sente bem fisicamente e a nível mental.
"Se eu não tiver a liberdade, a minha vida fica sem conteúdo", afirmou.
Domingos Simões Pereira foi libertado no passado 23 de julho, por "razão humanitária e legal", 13 dias após ser reconduzido às celas, por ordem do juiz Mamadú Embaló.

Sem comentários:
Enviar um comentário