© Lusa 20/08/2026
"A publicação por parte do Governo israelita do concurso público para o projeto do colonato E1 é um ato inaceitável e destrutivo", declarou na quarta-feira o chefe da diplomacia britânica.
Num comunicado, Ed Miliband denuncia que a construção dos mesmos "atravessaria o coração da Palestina e corre o risco de separar a Cisjordânia de Jerusalém Oriental, o que poria em perigo a viabilidade de uma solução de dois Estados".
O Governo israelita iniciou um concurso público para a construção de sete complexos residenciais com 1.234 habitações na zona E1, na Cisjordânia, parte de um plano de expansão aprovado, em agosto de 2025, que prevê a construção de 3.400 habitações.
Na altura, o ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich, defendeu que a expansão "praticamente elimina a ilusão dos dois Estados" ao dividir o território destinado a um Estado palestiniano.
Miliband manifestou a oposição de Londres aos colonatos "e o seu apoio a uma solução de dois Estados como a única via para garantir a segurança e a paz a longo prazo, tanto para palestinianos como para israelitas".
O chefe da diplomacia do Reino Unido asseverou que "todos os colonatos prejudicam esta perspetiva e constituem uma flagrante violação do Direito Internacional".
O diplomata indicou ter "deixado claro" ao homólogo israelita, Gideon Saar, que o Governo liderado por Benjamin Netanyahu "deve travar imediatamente os planos para o E1, retirar o concurso público e travar qualquer expansão de colonatos".
Além disso, Miliband disse que convocou o encarregado de negócios israelita no Reino Unido, a quem expressou a "profunda objeção" do Reino Unido ao projeto, assinalando ainda o impacto catastrófico da "violência e do terrorismo dos colonos" para as comunidades palestinianas.
"Nas próximas semanas, apresentaremos um conjunto abrangente de medidas para responder às políticas do Governo israelita, proteger a viabilidade do Estado palestiniano [e] impor sanções a quem participe na expansão ilegal dos colonatos", anunciou.
O Governo comandado por Andy Burnham deu deste modo continuidade à posição crítica do anterior gabinete trabalhista, liderado por Keir Starmer, em relação ao plano israelita de colonatos na Cisjordânia.
O projeto gerou críticas e protestos, com uma dezena de países - entre os quais Espanha, Reino Unido, França e Alemanha - a pedir em maio que empresas dos seus territórios não participem no concurso público dos colonatos.
Berlim também se manifestou na quarta-feira sobre o concurso, em linhas semelhantes às de Londres.
"Não deve haver mais medidas de anexação na Cisjordânia, sejam formais ou políticas, estruturais ou de outro tipo que, na prática, equivalham cada vez mais a uma anexação", defendeu o porta-voz adjunto do Governo alemão.
"São contrárias à solução de dois Estados", declarou Sebastian Hille, em afirmações recolhidas por meios de comunicação alemães, como os jornais Der Spiegel e Die Welt.
O projeto gerou também oposição do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que afirmou que a expansão "teria graves consequências para a integridade territorial do Território Palestiniano Ocupado e representaria uma ameaça existencial para a solução de dois Estados".
O porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric sublinhou que o secretário-geral instou Israel a "abster-se de adotar novas medidas a este respeito e a agir em conformidade com as resoluções relevantes das Nações Unidas e com o Parecer Consultivo do Tribunal Internacional de Justiça de 19 de julho de 2024".
O parecer defende que a política de construção de colonatos nos territórios palestinianos ocupados viola a proibição da deslocação forçada de pessoas e constitui um processo de anexação.
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Um ataque israelita contra uma esquadra de polícia na Cidade de Gaza provocou hoje pelo menos sete mortos e dezenas de feridos, segundo as autoridades locais citadas pela agência France-Presse (AFP).


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