© KAWNAT HAJU / AFP via Getty Images Por LUSA 28/07/2026
Num comunicado, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) indicou que durante uma "inspeção de rotina" junto da aldeia fronteiriça de Houla, a 02 de julho, os "capacetes azuis" (como são conhecidos os operacionais das missões de paz da ONU) "descobriram 385 contentores abandonados num edifício, contendo cerca de 4.000 quilogramas de explosivos, maioritariamente compostos à base de nitrato de amónio".
Especialistas da FINUL "realizaram operações no local para neutralizar este material, tornando-o inofensivo e eliminando o risco que representava", acrescentou a missão, sem indicar a quem pertenciam os explosivos.
Houla integra uma faixa com cerca de 10 quilómetros em território libanês, ao longo da fronteira com Israel, que foi ocupada, controlada e esvaziada da sua população pelas forças israelitas desde a última guerra, iniciada no princípio de março, com o movimento xiita libanês Hezbollah, apoiado pelo Irão.
O nitrato de amónio evoca recordações particularmente dolorosas no Líbano.
A 04 de agosto de 2020, um depósito com cerca de 2.750 toneladas de fertilizante à base de nitrato de amónio, armazenado durante anos sem condições de segurança no porto de Beirute, explodiu, provocando mais de 220 mortos, mais de 6.500 feridos e a destruição de vastas zonas da capital libanesa.
O Líbano foi arrastado pelo Hezbollah para a nova guerra na região ao reatar, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita, como retaliação da ofensiva israelo-americana contra o seu aliado iraniano.
Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do Líbano desde o conflito anterior.
Embora a intensidade da violência tenha diminuído desde o final de junho, na sequência de um memorando de entendimento entre o Irão e os Estados Unidos e da conclusão de um acordo-quadro entre Israel e o Líbano, Beirute continua a denunciar operações israelitas de destruição em localidades fronteiriças.
A Agência Nacional de Informação (ANI), agência oficial libanesa, noticiou em julho, por quatro vezes, explosões de origem israelita em Houla.
A 08 de julho, o município de Houla condenou "os crimes cometidos pelo inimigo israelita ao incendiar, fazer explodir e destruir habitações, edifícios públicos e propriedades privadas".
As incursões militares israelitas em solo libanês, sobretudo na zona sul, provocaram mais de quatro mil mortos, elevados níveis de destruição e novos deslocamentos de população.
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