terça-feira, 28 de julho de 2026

Ucrânia e Irão discutem ataque a navio para evitar escalada... O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano conversou hoje com o homólogo iraniano sobre o ataque da Ucrânia contra um navio do Irão no mar Cáspio que provocou a morte de um marinheiro, de modo a evitar uma "escalada desnecessária".

© OZAN KOSE/AFP via Getty Images  Por LUSA   28/07/2026 

"A diplomacia consiste no diálogo direto, mesmo quando este é difícil. Salientei que o nosso objetivo é evitar uma escalada desnecessária", escreveu Andriy Sybiga na rede social X após uma conversa telefónica com o homólogo iraniano Abbas Araghchi, dias depois do ataque com um drone, ocorrido no fim de semana passado.

Sybiga defendeu que as ações da Ucrânia visam "exclusivamente defender o país da agressão russa" e "nunca tiveram como objetivo atingir embarcações civis ou pessoas".

Ao falar sobre as manobras de Kiev, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que os ataques no mar Cáspio tinham atingido um navio de guerra russo e embarcações utilizadas para transportar carga militar ligada ao Irão.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano referiu no sábado que a declaração de Zelensky representava uma admissão tácita de um ataque que "demonstra a persistência da atitude irracional e hostil do regime ucraniano em relação à República Islâmica do Irão".

 "Ao atacar um navio mercante iraniano, o regime ucraniano não só violou o direito internacional, como também procura, de forma perigosa, semear a guerra e a insegurança", afirmou na mesma ocasião o ministério.

Araghchi também confirmou a chamada telefónica de hoje com Sybiga, mas sem adiantar detalhes.

O chefe da diplomacia ucraniana sublinhou que o objetivo de Kiev "é combater a agressão russa, que é a causa principal de todos os incidentes, e é a Rússia que assume toda a responsabilidade por todas as provocações e vítimas".

"Salientei a necessidade de se abster de quaisquer medidas que possam agravar a situação, bem como de pôr fim a qualquer apoio à guerra da Rússia contra a Ucrânia. Esta guerra é ilegal e tem de acabar", continuou Sybiga, acrescentando que "a Europa e o Médio Oriente merecem estabilidade, segurança e paz".

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Gueorguii Tykhy, confirmou que se tratava do primeiro contacto oficial entre Sybiga, que ocupa o cargo desde setembro de 2024, e Araghchi.

A conversa surge também para acalmar os ânimos entre os chefes de diplomacia, uma vez que um dia antes, Sybiga ter escrito nas redes sociais que as ameaças de Araghchi contra a Ucrânia eram injustificadas e que "o Irão não tem legitimidade para se fazer passar por vítima".

"Com as suas declarações, o Irão também tenta desviar a atenção do terror russo contra o transporte civil no mar Negro, que está a ameaçar a segurança alimentar global", acrescentou Sybiga na segunda-feira.

O Governo do Irão afirmou no sábado que um marinheiro foi morto e outro ficou ferido na sequência do ataque ucraniano.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão convocou ainda o encarregado de negócios da Ucrânia na capital iraniana, "a quem o Teerão transmitiu o seu forte protesto contra este ato hostil e criminoso".

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