segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Talibãs proíbem por lei todas as manifestações no Afeganistão... O Governo talibã publicou hoje uma nova lei policial que proíbe todas as manifestações no Afeganistão e alarga os poderes das forças de segurança para manter a ordem pública, incluindo o uso de armas e outros meios coercivos.

© Lusa  24/08/2026 

O diploma, aprovado pelo líder supremo talibã, Hibatullah Akhundzada, é composto por cinco capítulos e 53 artigos, segundo uma cópia oficial fornecida à agência de notícias espanhola EFE pelo Ministério da Justiça local.

“Qualquer tipo de manifestação em território afegão é proibida”, estipula o artigo 50.º, formalizando uma prática já em vigor desde o regresso dos talibãs ao poder, em agosto de 2021.

Nos primeiros meses após a queda de Cabul, os protestos continuaram, muitos liderados por mulheres, contra as restrições à educação, ao emprego e à participação pública.

As autoridades responderam com detenções, dispersão de ajuntamentos e aumento das restrições à convocação de manifestações, até reduzir de forma drástica os protestos públicos organizados contra o regime.

A nova lei elimina agora qualquer enquadramento jurídico para esse tipo de mobilização, proibindo completamente as manifestações, sem distinguir entre protestos pacíficos, marchas políticas e outras concentrações reivindicativas.

Denominando a polícia com o termo árabe “Shurta”, a lei exige ainda que os seus agentes cooperem com o Ministério da Propagação da Virtude e da Prevenção do Vício na aplicação de restrições à exibição de imagens nas ruas e cruzamentos.

Entre os meios cuja utilização é autorizada para manter a ordem estão os canhões de água, algemas, bastões de borracha e elétricos, escudos, arame farpado, barreiras metálicas, armas de fogo, munições e explosivos, de acordo com o artigo 37.º.

O diploma permite ainda o uso de armas de fogo durante levantamentos, crimes à mão armada contra a segurança e confrontos armados.

Outro artigo restringe a divulgação de informações por parte dos agentes da autoridade, proibindo-os de revelar dados cuja difusão possa causar danos a pessoas ou ao “interesse público”.

Em junho, um protesto de cidadãos em Herat contra a detenção arbitrária de dezenas de mulheres foi violentamente reprimido pelas forças talibãs, fazendo pelo menos dois mortos e mais de 20 feridos, segundo a ONU.

A nova lei formaliza, assim, parte do sistema policial desenvolvido pelos talibãs durante os cinco anos desde que regressaram ao poder no Afeganistão e consagra explicitamente proibições e práticas que até agora eram executadas através de ordens, decretos e decisões das autoridades de segurança.


Leia Também: Rebeldes do Iémen reivindicam ataque contra petroleiro saudita

Os rebeldes huthis do Iémen, apoiados pelo Irão, reivindicaram hoje o ataque a um petroleiro saudita ao largo de Yanbu, porto estratégico da Arábia Saudita no mar Vermelho.

Putin pode tomar controlo de empresas que falhem contra drones... O presidente russo assinou hoje um decreto que permite às autoridades tomar controlo provisório de "infraestruturas vitais" cujos proprietários não garantam a respetiva proteção face aos crescentes ataques de drones ucranianos.

© Gavriil Grigorov / POOL / AFP via Getty Images    Por   LUSA  24/08/2026 

O documento em questão, publicado no portal de informação jurídica do Estado russo, indicou como motivo para a implementação desta medida "a deteção de ações ineficazes" para defender as instalações contra ataques inimigos ou violações das normas de segurança.

Outra das razões para o estabelecimento do controlo temporário é o atraso na reparação das instalações danificadas, segundo o decreto.

Na sequência do aumento dos ataques ucranianos contra alvos na retaguarda russa e da incapacidade das defesas antiaéreas de proteger todo o território, muitas empresas viram-se obrigadas a tomar medidas para se protegerem, seja através da instalação de redes antidrones, de meios de guerra radioeletrónica ou de armamento antiaéreo.

O ministro das Finanças, Anton Siluanov, afirmou que o Estado não tencionava financiar a segurança das empresas face aos ataques com drones.

A empresa mais afetada nas últimas semanas pelos drones ucranianos foi a empresa de comércio eletrónico Wildberries, cujos sete maiores centros logísticos foram encerrados após terem sido atingidos, segundo Kiev.

Segundo o Serviço de Inteligência Externa da Ucrânia, durante os primeiros seis meses de 2026, o setor comercial russo "aumentou as suas compras de sistemas antidrones em 6,6 vezes, em comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo os 5,32 milhões de dólares [cerca de 4,59 milhões de euros ao câmbio atual]".

"As empresas estão a alargar a sua gama de equipamentos. A maior parte da procura centra-se em detetores de drones fixos e portáteis, sistemas de alerta, bem como em equipamentos para interferir com canais de controlo, transmissão de dados e navegação por satélite", assinalou o órgão ucraniano.

Além disso, "as grandes empresas estão a formar unidades de resposta móveis equipadas com dispositivos de deteção e neutralização de drones; a criação de cada unidade deste tipo custa entre 600.000 e 850.000 dólares [entre 514 mil e 728 mil euros]", acrescentaram os serviços de informação ucranianos.

Por sua vez, o jornal russo Nezavísimaya Gazeta salientou que as empresas russas, particularmente as do setor petrolífero, enfrentam dificuldades na instalação de sistemas antidrones, uma vez que são necessárias autorizações de várias entidades russas e não existem normas sobre como construir instalações de proteção contra drones.

O jornal acrescentou que esta situação se complica ainda mais devido a obstáculos burocráticos que exigem autorizações do Ministério da Defesa e do Ministério Público, sem as quais as empresas podem ser sujeitas a processo penal por incumprimento da legislação russa.

Esta é mais uma medida no sentido de proteger empresas do setor privado visadas pela nova onda de ataques ucranianos.

No final de julho, as autoridades da região de Krasnodar (sul da Rússia) anunciaram que iriam organizar defesas antiaéreas contra drones ucranianos empregando funcionários de empresas locais, aos quais prometiam não os enviar para a linha da frente e um salário.

Esta região banhada pelo Mar Negro tem sido das mais afetadas pelos ataques ucranianos.

Os responsáveis pela administração da região consideram que a melhor solução face aos ataques ucranianos é criar grupos móveis de resposta antiaérea compostos por funcionários de empresas locais.

No final de maio, o jornal russo RBC informou que as empresas russas poderiam, a partir de agora, adquirir armas de grande calibre para se defenderem de ataques com drones.

Assim, as empresas poderão adquirir artilharia antiaérea, torres de artilharia, sistemas de radar, veículos especiais e sistemas de guerra eletrónica.

As autoridades esperam que as novas regulamentações adotadas a nível estatal permitam um fornecimento mais rápido de armas e equipamentos aos grupos responsáveis pela defesa móvel, compostos por reservistas, voluntários e funcionários do setor privado, com o objetivo de proteger as infraestruturas russas.


Leia Também: Zelensky acusa Putin de estar "preso ao passado". E quanto à China?

O Presidente ucraniano acusou hoje o homólogo russo de estar "preso ao passado" e pediu à China que se manifeste contra as ameaças de Moscovo sobre o uso de armas nucleares.

UCRÂNIA/RÚSSIA: Ataques com drones fazem pelo menos seis mortos no sul da Rússia... Pelo menos três crianças e três adultos morreram hoje no sul da Rússia em ataques com drones atribuídos pelo Kremlin à Ucrânia, que atingiram também instalações da empresa de comércio eletrónico Ozon.

© Dmytro Smolienko/Ukrinform/NurPhoto via Getty Images   Por  LUSA  24/08/2026 

"Uma tragédia horrível na região de Krasnodar. Esta noite, como resultado do ataque maciço vindo da Ucrânia, três adolescentes de 13, 15 e 16 anos foram mortos", afirmou a provedora russa dos direitos da criança, Maria Lvova-Belova, através da plataforma Telegram.

O governador da região de Krasnodar, Veniamin Kondratiev, denunciou um ataque em grande escala contra "instalações civis, a população civil e as nossas crianças".

"Os restos de um drone caíram num centro infantil privado", afirmou Kondratiev, acrescentando que outras sete crianças ficaram feridas e estão a receber assistência médica.

Dois adultos foram igualmente hospitalizados, segundo o governador, que acrescentou que vários edifícios residenciais, incluindo alguns ainda em construção, sofreram danos provocados pela queda de drones.

Kondratiev reportou também um incêndio num armazém, sem identificar as instalações atingidas.

Na região fronteiriça de Belgorod, um homem morreu na localidade de Otradnoe depois de um drone FPV, de curto alcance, ter atingido o veículo em que seguia, segundo as autoridades locais.

Outros dois homens morreram em Tavrovo, depois de um drone ter explodido num centro comercial, informou o Governo regional.

A empresa russa de comércio eletrónico Ozon anunciou, por seu lado, ataques contra três dos seus armazéns, localizados em Adygeysk, na Adiguésia, Makhachkala, no Daguestão, e Nevinnomisse, na região de Stavropol.

Segundo a empresa, não foram registadas vítimas nem danos em Adygeysk e Nevinnomisse, embora os dois armazéns permaneçam encerrados.

Em Makhachkala, a Ozon afirmou que vários trabalhadores ficaram feridos e que deflagrou um incêndio, embora o governador interino do Daguestão, Fyodor Shchukin, tenha indicado que não existiam feridos.

Os ataques contra centros de distribuição da Ozon começaram durante o fim de semana, depois de uma campanha contra instalações de outra grande empresa russa de comércio eletrónico, a Wildberries.

O canal independente russo Astra noticiou inicialmente uma queda de 12% das ações da Ozon, enquanto a bolsa de valores de Moscovo informou posteriormente que os títulos da empresa chegaram a recuar 29,09%.

O Ministério da Defesa russo afirmou hoje ter abatido 351 drones ucranianos de asa fixa durante a noite em oito regiões da Rússia, na península da Crimeia, anexada por Moscovo, e sobre os mares Negro e de Azov.


China ordena inspeções após uso ilegal de formaldeído para conservar couves... A China ordenou inspeções especiais a couves e outros produtos hortícolas perecíveis em todo o país, após um caso de utilização ilegal de formaldeído para conservar produtos durante o transporte ter desencadeado nova polémica sobre segurança alimentar.

© Lusa    24/08/2026 

O Gabinete de Segurança Alimentar do Conselho de Estado (o Executivo chinês), o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais e a Administração Estatal para a Regulação do Mercado anunciaram conjuntamente que pediram às autoridades locais a realização de controlos específicos e o rastreio dos produtos afetados, para impedir que cheguem ao mercado.

A medida foi adotada depois de as autoridades do condado de Kangbao, pertencente à cidade de Zhangjiakou, no norte da China, terem confirmado a autenticidade de vídeos divulgados na Internet que denunciavam que algumas couves eram mergulhadas numa solução de formaldeído.

Segundo a investigação preliminar, a prática foi realizada ilegalmente por compradores grossistas dos produtos hortícolas durante o processo de carregamento, para prolongar a conservação durante o transporte.

Os três organismos centrais garantiram que qualquer infração detetada será punida "de forma firme" e que as inspeções vão abranger diferentes regiões do país.

O formaldeído pode ser prejudicial para a saúde: a exposição à substância pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, enquanto a ingestão aguda de soluções que a contenham tem sido associada a efeitos graves, segundo a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.

O caso gerou várias reações na rede social chinesa Weibo, onde a palavra-chave ('hashtag') sobre o assunto acumulava hoje mais de 14 milhões de visualizações.

"Parece que vamos ter de comprar os nossos próprios aparelhos e transformar-nos em inspetores de segurança", lamentou, em tom sarcástico, um utilizador, enquanto outro afirmou que este tipo de práticas é "um segredo conhecido por todos".

A segurança alimentar tem sido alvo recorrente de polémica na China nas últimas décadas.

Um dos episódios mais graves ocorreu em 2008, quando leite para bebés adulterado com melamina causou a morte de pelo menos seis crianças e afetou cerca de 300 mil menores, num escândalo que abalou durante anos a confiança de muitos consumidores nos produtos lácteos chineses.

Mais recentemente, em 2024, as autoridades multaram sete empresas após terem descoberto que óleo alimentar tinha sido transportado em camiões-cisterna anteriormente utilizados para produtos químicos, sem uma limpeza adequada.

Em julho de 2025, uma intoxicação por chumbo num jardim-de-infância de Tianshui, no noroeste da China, levou à hospitalização de 201 crianças.


UCRÂNIA: Coligação da Boa Vontade reúne-se em Kyiv no Dia da Independência... A chamada Coligação da Boa Vontade sobre a Ucrânia, composta por cerca de 30 Estados aliados de Kyiv, reúne-se na capital ucraniana por ocasião do 35.º aniversário da independência do país, hoje assinalado.

© Lusa    24/08/2026 

A reunião terá um formato híbrido - alguns dirigentes não estarão em Kyiv, caso do ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, participando por videoconferência - e será coorganizada pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, e pelo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que participa pela primeira vez num encontro deste grupo.

"A Rússia não deve ter dúvidas sobre a nossa determinação", declarou Burnham, em comunicado, antes de chegar a Kyiv.

"Não cederemos até que se estabeleça uma paz justa e duradoura", afirmou o líder do Governo do Reino Unido, na primeira viagem internacional desde que assumiu o cargo, no final de julho.

O líder trabalhista "deve anunciar que o governo concordou em permitir que a empresa de defesa MBDA partilhe informações confidenciais sobre componentes britânicos do míssil de longo alcance Scalp", referiu o comunicado.

Este míssil de cruzeiro é a versão francesa do Storm Shadow britânico, ambos baseados em tecnologia franco-britânica partilhada.

Esta decisão "permitirá aos franceses e ucranianos avançar na montagem deste míssil na Ucrânia", explicou Downing Street.

Em Kyiv, ao lado do Presidente Volodymyr Zelensky, estará, entre outros representantes, o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Esta coligação, lançada em março de 2025 por Paris em coordenação com o Reino Unido e que Portugal integra, reúne países dispostos a fornecer garantias de segurança à Ucrânia para impedir uma nova agressão da Rússia após o fim do atual conflito.

É a terceira vez que o grupo se reúne em Kyiv desde que foi criado e este encontro acontece num momento em que Moscovo têm intensificado os ataques com mísseis balísticos e a liderança ucraniana pede ajuda para reforçar a defesa aérea, fortemente debilitada ao nível de mísseis intercetores.

A última reunião da coligação aconteceu em julho, em França. Na altura, Macron anunciou que a força multinacional criada para ser destacada na Ucrânia após o fim da guerra com a Rússia ia começar a treinar nos "países vizinhos" nos "próximos meses".

No domingo, dirigentes dos oito países nórdicos e bálticos europeus estiveram em Kyiv para discutir com o Presidente ucraniano o reforço da defesa aérea face aos mísseis e artilharia russa.

"A Ucrânia precisa urgentemente de reforçar a sua defesa aérea", afirmou a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que integra uma comitiva governamental que junta a Dinamarca, Estónia, Finlândia, Islândia, Letónia, Lituânia, Noruega e Suécia.

Para a governante, é necessário avançar com uma "coligação" para produzir "antimísseis balísticos que irá desenvolver um moderno sistema europeu de defesa antimísseis, baseado nas capacidades e na experiência tanto ucranianas como europeias".

Frederiksen antecipou que, durante a cimeira entre a Ucrânia e o chamado NB-8, todos os líderes irão abordar, em especial, a importância de "reduzir os tempos de produção" deste sistema; uma combinação de plataformas de interceção e de técnicas de combate aos drones.

A reunião aconteceu após várias semanas de recrudescimento dos bombardeamentos por parte da Rússia.

Foi precisamente esta questão que esteve na ordem do dia durante parte da chamada realizada no sábado entre Zelensky e o Presidente francês, Emmanuel Macron.

Na reunião, mais uma vez, o líder ucraniano pediu que seja acelerada a "entrega de mísseis" e uma solução para "resolver a questão das licenças para a produção" dos equipamentos na Ucrânia.

Macron prometeu que a França iria entregar a Kyiv novos mísseis intercetores.

domingo, 23 de agosto de 2026

Guiné Conacri. Sobe para 22 n.º de mortos em desmoronamento de aterro... O deslizamento de um monte de lixo na madrugada de hoje no maior aterro sanitário da capital da Guiné, Conacri, provocou a morte de pelo menos 22 pessoas, de acordo com um balanço provisório do serviço de proteção civil do país.

© Getty Images  Por LUSA    23/08/2026 

O incidente aconteceu no bairro de Dar es Salam, nos subúrbios da capital.

Chuvas intensas que começaram por volta das 03:00 inundaram o lixo, provocando um desmoronamento, que soterrou as barracas nas proximidades.

A ministra da Administração do Território e da Descentralização, Djenabou Touré, deslocou-se esta manhã ao local e afirmou que aguardaria o fim das operações de busca para divulgar um balanço oficial.

O Governo anunciou, nos últimos dias, operações de despejo e de segurança nas áreas circundantes ao aterro, devido aos riscos de deslizamento.

De acordo com o tenente-coronel Baldé Mamadou Bailo, responsável pela higiene do Batalhão de Engenharia Militar, as autoridades previam encerrar o local hoje.

Trata-se de "uma tragédia que nos deixa consternados", afirmou na rede social Facebook um dos principais opositores guineenses, Cellou Dalein Diallo, exilado no estrangeiro, falando de "inúmeras vítimas".

A Guiné é governada pelo general Mamadi Doumbouya, que chegou ao poder através de um golpe de Estado em 2021, antes de ser eleito presidente em dezembro de 2025.

© Reuters

Colisões no espaço preocupam cada vez mais. Plano para resolver o problema reacende guerra de poder

Esta imagem composta, resultado de exposições captadas ao longo de 30 minutos numa noite do início de junho, mostra um céu repleto de satélites. (Alan Dyer/VWPics/Universal Images Group/Getty Images)     Por  Cnnportugal.iol.pt, 23/08/2026

À medida que o número de satélites em órbita terrestre continua a aumentar, cresce também o risco de colisões entre estas naves espaciais. Este tipo de acidentes pode originar campos de destroços capazes de inviabilizar áreas inteiras no espaço

Objetos espaciais já colidiram ou estiveram perto de embater no passado. Embora esses episódios continuem a ser raros, existem hoje mais de 18 mil satélites ativos e inativos em órbita — um valor que mais do que duplicou apenas nos últimos seis anos. A grande maioria concentra-se na mesma região, a órbita terrestre baixa, onde o aumento de tráfego torna as colisões estatisticamente mais prováveis.

A Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) aprovou agora um novo conjunto de regras, largamente apoiado pelo setor, que visa "modernizar" o processo de licenciamento de satélites e introduzir novas disposições de "segurança espacial". Em concreto, a regulamentação exige que os operadores de satélites partilhem dados de rastreio em tempo real, permitindo aos gestores de tráfego espacial uma visão mais abrangente da posição dos objetos em órbita. Historicamente, prever potenciais colisões tem sido um desafio complexo e perigoso.

Se as regras da FCC não reúnem contestação significativa, a sua implementação reacendeu uma guerra de poder sobre quem deve ter a palavra final no setor espacial.

A FCC tem atuado como regulador de facto dos satélites há décadas devido à sua autoridade para gerir o espectro de radiofrequências, que permite a transmissão sem fios de dados a partir do espaço ou de aeronaves. Contudo, com a expansão do setor espacial comercial, os legisladores têm defendido a transferência dessa competência regulatória para o Departamento do Comércio dos EUA. A intenção é que essa entidade assuma a supervisão do setor e trabalhe em proximidade com as empresas para assegurar a competitividade global da indústria norte-americana.

Políticos de diferentes quadrantes têm manifestado apoio à alteração. Em fevereiro, os dois membros seniores da Comissão de Ciência da Câmara dos Representantes — o republicano Brian Babin e a democrata Zoe Lofgren — enviaram uma carta à FCC a instar o organismo a abandonar ou rever as novas regras. Os parlamentares sustentavam que a legislação federal "não contém qualquer autorização clara do Congresso que capacite a FCC a regular a segurança espacial, a gestão do tráfego espacial ou operações espaciais mais amplas sem fins de comunicação".

A FCC não respondeu publicamente à missiva nem prestou declarações à CNN.

Contactados para comentar a situação, assessores do lado republicano na Comissão de Ciência adiantaram esta terça-feira que Brian Babin e Zoe Lofgren enviaram uma nova carta ao presidente da FCC, Brendan Carr, a solicitar o adiamento da votação e o início de conversações com os legisladores.

A comissão acabou por aprovar as regras de tráfego espacial por unanimidade esta quarta-feira de manhã.

O impasse regulatório ilustra a evolução acelerada da indústria espacial: numa altura em que empresas como a SpaceX, a OneWeb e a Amazon colocam centenas ou milhares de novos satélites em órbita, permanece por esclarecer quem dispõe de autoridade para fiscalizar as operações.

Monitorizar os céus

Embora o Congresso e o presidente Donald Trump tenham sinalizado a vontade de atribuir ao Departamento do Comércio a função de regulador e gestor do tráfego espacial, o processo permanece num impasse, em parte devido à incerteza sobre as verbas a orçamentar para essa missão. O Departamento do Comércio não respondeu aos pedidos de esclarecimento da CNN.

"Estamos numa zona cinzenta nesta altura", referiu o presidente da Associação da Indústria de Satélites, Tom Stroup, à CNN. "Pouco tinha sido feito em matéria de sustentabilidade espacial" ou na prevenção de colisões no espaço.

Tom Stroup sublinhou ainda a urgência da situação, dado que o setor apresenta planos ambiciosos: a SpaceX, por exemplo, pretende lançar uma constelação de até 1 milhão de satélites para instalar centros de dados em órbita.

Um foguetão Falcon 9 da SpaceX descola da Base da Força Espacial de Vandenberg com 25 satélites de internet Starlink a bordo, numa imagem captada a partir de Pasadena, na Califórnia, a seis de abril. (Mario Tama/Getty Images)

Relativamente às novas normas de sustentabilidade aprovadas pela FCC, o responsável considerou que "se poderia argumentar que deveriam ter sido implementadas há cinco anos".

"Uma coisa é clara: não podemos esperar mais cinco anos", acrescentou.

A SpaceX tem trabalhado em cooperação com a comunidade de Vigilância e Acompanhamento Espacial (SSA) e garante encarar a gestão do tráfego com responsabilidade. Ainda assim, as regras da FCC podem fixar um padrão para toda a indústria e reforçar a adoção de boas práticas.

A intervenção da FCC para incentivar uma atuação mais responsável no espaço conta com antecedentes. Em 2022, o organismo aprovou uma norma que exige aos operadores a remoção de satélites inativos no prazo de cinco anos, de forma a evitar a acumulação de lixo espacial durante décadas. (A liderança da Comissão de Ciência da Câmara dos Representantes também contestou essa medida, alegando falta de competência jurídica da comissão).

Dois anos mais tarde, a FCC passou a exigir que os operadores declarassem se os seus satélites foram concebidos para se desintegrarem na atmosfera no final da vida útil ou se existia a probabilidade de resistirem à reentrada e atingirem o solo.

"Os detritos orbitais degradam o ambiente para toda a atividade espacial futura", afirmou a então presidente da FCC, Jessica Rosenworcel, em comunicado emitido em 2024. "Por essa razão, as políticas que adotamos para resolver o problema são fundamentais."

As regras aprovadas esta quarta-feira visam resolver um problema antigo na gestão do tráfego espacial.

Atualmente, a monitorização de objetos no espaço é efetuada por telescópios e radares operados por governos e empresas privadas. No entanto, estes sistemas apresentam falhas de cobertura. Embora as empresas disponham de dados de localização em tempo real sobre os seus satélites operacionais, têm demonstrado reticência histórica em partilhar essa informação com terceiros.

A reserva devia-se, no passado, a preocupações com a privacidade ou com a salvaguarda de dados proprietários. Contudo, o setor evoluiu nos últimos anos, explicou o vice-presidente de soluções técnicas da LeoLabs, Adam Marsh, empresa especializada em vigilância espacial comercial.

Adam Marsh indicou que a maioria dos operadores de satélites não se opõe a partilhar dados de rastreio em direto. As novas regras da FCC dão um passo adicional ao tornar essa partilha obrigatória e ao exigir que a informação seja "precisa e oportuna".

A disponibilização de dados de qualidade é considerada essencial pela FCC. Se os sistemas de vigilância dependerem apenas de dados de observação limitados, podem falhar a deteção de manobras súbitas ou subtis que os operadores acompanham com facilidade. Nesses cenários, perante o risco de colisão entre dois objetos, torna-se difícil para os especialistas determinar o nível exato de perigo.

A nova regulamentação da FCC procura evitar esse cenário, solicitando aos operadores que partilhem informações com entidades governamentais de vigilância espacial ou com empresas especializadas que venham a ser indicadas pela própria comissão.

Uma das empresas que poderá vir a ser reconhecida pela FCC como prestadora destes serviços é a LeoLabs, que desde 2016 utiliza uma rede de radares em terra para monitorizar o espaço e detetar potenciais colisões. A entidade já recolhe dados em tempo real junto de operadores recetivos à partilha.

Os detalhes sobre a implementação das normas e o processo de seleção das empresas de vigilância pela FCC permanecem por definir, esclareceu Adam Marsh. A LeoLabs saúda a iniciativa, sustentando que a criação de salvaguardas no espaço ganha relevância à medida que o número de satélites em órbita aumenta.

"Estamos todos a testemunhar o que está a acontecer e o crescimento é enorme — o objetivo comum deve ser aumentar a segurança", referiu o responsável.

"Aquilo é uma grande vizinhança", acrescentou. "Se algo correr mal, afeta todos."

Modernização da regulamentação espacial

Permanece incerto o cenário que se colocaria caso o Departamento do Comércio avançasse com normas próprias de segurança espacial que entrassem em conflito com as diretivas existentes.

Para já, os próprios operadores de satélites mostram-se maioritariamente favoráveis às medidas da FCC.

"O que está a ser traçado é um excelente primeiro passo e creio que a comunidade deve tentar perceber o que mais pode ser feito", afirmou Derek Huerta, antigo gestor sénior da Starlink na SpaceX e atual responsável pela startup Eclipse Space.

O setor beneficia ainda de um incentivo adicional: as regras de rastreio de satélites integram um documento de 200 páginas que contempla reformas regulatórias amplas, desenhadas para tornar o lançamento de satélites mais simples e económico.

A indústria tem sustentado que os processos atuais se encontram desatualizados, constituindo um obstáculo para pequenos e grandes operadores. Avaliações técnicas complexas, exigências burocráticas e requisitos rígidos podem arrastar-se por vários meses.

Derek Huerta recordou o período em que estudava na Universidade Estatal Politécnica da Califórnia, no início dos anos 2000, altura em que uma equipa de estudantes de engenharia procurava aprovação para lançar um pequeno satélite experimental destinado a testar tecnologia de dissipação de energia.

O processo revelou-se moroso e desgastante, prolongando-se por mais de um ano.

O sistema foi concebido para dar resposta ao mercado de satélites de há várias décadas, quando "o setor lançava poucos satélites por ano", contextualizou Tom Stroup.

A realidade atual é distinta, com a maioria dos novos dispositivos a pertencer a operadores de megaconstelações como a SpaceX, a OneWeb, a Planet Labs ou a Amazon, que pretendem colocar milhares de pequenos satélites em órbita terrestre baixa.

A nova regulamentação da FCC afasta-se do modelo tradicional e prescritivo de aprovação — no qual as empresas eram obrigadas a apresentar relatórios e análises específicos para demonstrar o cumprimento dos padrões de segurança — em favor de regras baseadas em desempenho, que conferem maior flexibilidade às entidades na demonstração dessa conformidade.

A alteração permitirá "acelerar substancialmente" o processo de licenciamento, segundo a FCC. A simplificação das exigências será "uma vitória importante para pequenas startups e empresas de menor dimensão", defendeu Derek Huerta, e não apenas para gigantes como a SpaceX ou a Amazon.

O custo do processo de licenciamento tem constituído outro fator dissuasor, explicou o responsável, barreira que a nova regulamentação poderá ajudar a reduzir.

"Existem cauções que é necessário dar em determinadas fases do processo", esclareceu. "É preciso mobilizar cerca de 10 milhões de dólares [cerca de 9,2 milhões de euros], valor acessível para uma empresa como a Amazon ou a SpaceX. Mas para um empreendedor em fase inicial, esse montante pode representar a totalidade do capital angariado pela empresa."

Em suma, Derek Huerta considerou que as novas normas da FCC serão "excelentes" para o desenvolvimento do setor.

"Tornam o processo muito mais claro e permitem planear o licenciamento com maior previsibilidade", concluiu.

Tom Stroup acrescentou que a iniciativa legislativa da FCC reflete a crescente relevância nacional das atividades espaciais.

"Com a expansão da indústria vem o reconhecimento da importância do espaço e das oportunidades extraordinárias que estão a ser criadas", observou. O crescimento acelerado pode gerar desafios, admitiu o responsável, "mas são problemas que vale a pena resolver".

Irão anuncia descoberta de grandes depósitos de gás no sul do país... O Irão anunciou hoje a descoberta de 7,5 biliões de pés cúbicos de gás na província de Fars, no sul do país, segundo o ministro do Petróleo, em plena "guerra económica" declarada pelos Estados Unidos contra a República Islâmica.

© Noushad Thekkayil/NurPhoto via Getty Images     Por  LUSA  23/08/2026 

Teerão, 23 ago 2026 (Lusa) -- O Irão anunciou hoje a descoberta de 7,5 biliões de pés cúbicos de gás na província de Fars, no sul do país, segundo o ministro do Petróleo, em plena "guerra económica" declarada pelos Estados Unidos contra a República Islâmica.

"Esta descoberta acrescenta uma quantidade significativa de hidrocarbonetos às reservas nacionais do Irão e reflete os esforços da indústria petrolífera para identificar e explorar novos recursos", afirmou Mohsen Paknejad, em declarações divulgadas pela agência de notícias Shana, ligada ao Ministério do Petróleo.

O governante iraniano estimou que poderão ser extraídos cerca de 5,7 biliões de pés cúbicos do total descoberto, o que equivaleria a 15 anos de produção da primeira fase de South Pars, o maior campo de gás natural do mundo.

O depósito contém também um volume significativo de gás condensado, que, segundo Paknejad, poderá gerar vários milagres de milhões de dólares para o Irão".

Desde o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, em 28 de fevereiro, o exército israelita atacou duas vezes o campo 'offshore' de South Pars, dividido entre o Qatar e a República Islâmica, que retaliou contra instalações energéticas dos países vizinhos do Golfo Pérsico.

O Irão possui a segunda maior reserva de gás natural do mundo e a terceira maior de petróleo, mas não dispõe de recursos para explorar estes recursos.

Como resultado, o país enfrenta apagões tanto no verão como no inverno e é obrigado a importar gasolina.

Ao mesmo tempo, enfrenta também dificuldades na exportação dos seus produtos petrolíferos devido às sanções impostas pelos Estados Unidos.

A descoberta acontece numa altura em que o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou "a operação económica mais devastadora alguma vez realizada contra qualquer país", no que chamou de "Dia D económico" contra o Irão, com o objetivo de terminar a guerra e reabrir o estreito de Ormuz.

Washington ainda não divulgou os detalhes das novas medidas económicas contra a República Islâmica, mas o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, alertou os países que prestarem "qualquer tipo de ajuda vital ao Irão" que sofrerão consequências económicas.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reconheceu hoje que a sociedade iraniana enfrenta "numerosas dificuldades", à medida que os Estados Unidos procuram aumentar a pressão sobre a economia iraniana.

Num discurso transmitido pela televisão estatal, o líder iraniano disse porém que o seu país está empenhado "numa guerra total nas frentes económica, militar e de segurança".

O presidente iraniano comentou também que a tentativa dos Estados Unidos de desmantelar a atual estrutura de poder da República Islâmica e de instalar autoridades mais favoráveis ??a Washington, como ocorreu na Venezuela, falhou completamente.

"O Irão não só não se tornou como a Venezuela, como o mundo ficou surpreendido com o nosso poder", declarou Pezeshkian, acusando os Estados Unidos de combinarem os seus ataques militares com táticas de desestabilização interna.

As partes assinaram um memorando de entendimento em 17 de junho, que implicou um cessar-fogo imediato e a abertura de negociações durante 60 dias para um acordo definitivo de paz, prazo que terminou na segunda-feira.

Os dois lados voltaram entretanto aos confrontos pouco depois da assinatura do memorando e o Irão repôs as restrições que mantinha à navegação comercial no estreito de Ormuz - por onde passavam 20% dos bens petrolíferos mundiais antes da guerra -, enquanto os Estados Unidos voltaram a aplicar um bloqueio naval aos portos iranianos.

As ameaças em Ormuz obrigaram os países exportadores de petróleo da região a procurar rotas alternativas, nomeadamente no mar Vermelho, onde os rebeldes Huthis do Iémen, apoiados por Teerão, impuseram por sua vez um bloqueio naval à Arábia Saudita.

O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, já advertiu que o estreito de Ormuz não será reaberto enquanto Washington não cumprir os compromissos previstos no protocolo assinado em junho, mantendo a pressão sobre os preços de bens petrolíferos e sobre o presidente norte-americano, Donald Trump, a cerca de dois meses das eleições intercalares nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, o Irão e Omã, países vizinhos nas duas margens do estreito, debatem há várias semanas a futura gestão desta passagem, num acordo negociado à margem do processo de diálogo entre Washington e Teerão.


Putin afirma que tem combustíveis sob controlo apesar de ataques... O Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou hoje que a escassez de combustíveis na Rússia está controlada e que os problemas estão a ser resolvidos, após sucessivas vagas de ataques ucranianos contra instalações petrolíferas.

© Contributor/Getty Images   Por  LUSA  23/08/2026 

"Embora nem todos os problemas tenham sido resolvidos, o trabalho está em curso. O primeiro-ministro [Mikhail Mishustin] está a acompanhar a situação. Foi criada uma comissão especial", disse o líder do Kremlin numa entrevista transmitida hoje pela televisão estatal.

Putin reconheceu que "é claro que há certos incómodos para as pessoas" devido à falta de combustíveis, mas reforçou que "o Governo, obviamente, deve manter a situação sob controlo".

Dias antes, as autoridades russas admitiram que o país está a viver a "segunda fase" da crise dos combustíveis devido à intensificação dos ataques ucranianos às infraestruturas petrolíferas.

Na quarta-feira, foi divulgado que pelo menos duas cadeias de postos de abastecimento voltaram a restringir a venda de combustíveis em Moscovo.

Da mesma forma, o ministro da Energia russo, Sergey Tsiviliov, reconheceu que as filas regressaram aos pontos de venda.

Além de limitar a venda de combustíveis, o Governo russo autorizou a venda de gasolina Euro-2, muito abaixo dos padrões de qualidade habituais, numa tentativa de lidar com a crise do mercado.

Anteriormente, o Presidente russo tinha tentado minimizar os bombardeamentos ucranianos no seu país, alguns dos quais a largas centenas de quilómetros da frente de combate entre os exércitos dos dois países, ao comentar que "estes ataques não têm consequências graves, nunca tiveram nem nunca terão".

Mas depois acabou por admitir que prejudicam a economia nacional.

Na sexta-feira, as autoridades russas reconheceram que o abastecimento de combustível era difícil em algumas regiões do país, devido à recente intensificação dos ataques da Ucrânia contra refinarias.

"A situação mantém-se tensa em várias regiões do país em relação ao fornecimento de combustível aos postos de abastecimento de combustível", afirmou o Governo nas redes sociais, acrescentando que foi realizada uma reunião sobre o assunto.

As empresas petrolíferas "estão a tomar as medidas necessárias para aumentar o fornecimento às regiões mais vulneráveis", acrescentou.

O vice-primeiro-ministro russo para a Energia, Alexander Novak, instruiu as autoridades para monitorizarem os preços dos combustíveis, segundo o executivo.

Na Rússia, os motoristas e as empresas têm enfrentado dificuldades de abastecimento nos últimos meses, à medida que a Ucrânia intensificou os seus ataques com drones e mísseis de longo alcance contra as infraestruturas petrolíferas russas, procurando cortar os recursos financeiros que alimentam a ofensiva de grande escala lançada contra o seu território em fevereiro de 2022.

Quase todas as regiões tiveram de restringir as vendas em algum momento, por exemplo, limitando a quantidade de combustível que cada cliente pode comprar.

A região sul de Krasnodar, popular entre os turistas pelos seus 'resorts' no Mar Negro, está entre as mais afetadas.

Os ataques aéreos ucranianos visaram também os gigantescos armazéns da Wildberries, o maior retalhista 'online' da Rússia, provocando avultados prejuízos e deixando a guerra mais próxima dos cidadãos.

Os ataques a cerca de 20 instalações da Wildberries demonstraram a capacidade de Kiev para atingir alvos distantes e representaram um novo desafio para Vladimir Putin, antes das eleições legislativas no próximo mês.

A economia da Rússia cresceu 1,3% no segundo trimestre, depois de ter contraído no início do ano pela primeira vez desde 2023, segundo dados os dados oficiais, que Putin já admitiu ser um valor "modesto" ainda que positivo.

Analistas observam porém que a elevada inflação associada aos ataques ucranianos e sanções internacionais, a par da escassez de mão de obra e fragilidade da indústria não dedicada ao esforço de guerra, inviabilizam o regresso a crescimentos económicos sustentados.


Ucrânia testa alternativa ao Starlink sem deixar de usar rede de Musk... A Ucrânia está a trabalhar numa alternativa ao Starlink com um país europeu e já iniciou testes nesse sentido, prevendo continuar usar a rede de satélites do grupo de Elon Musk, disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

© Lusa   23/08/2026 

"Os russos estão a construir um equivalente ao Starlink com os chineses e acreditam que concluirão este projeto até dezembro de 2026", afirmou Zelensky aos jornalistas em declarações tornadas públicas hoje.

O acesso à rede Starlink, serviço fornecido pela SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, foi cortado aos russos na Ucrânia em 2025 pelo presidente executivo da multinacional, numa decisão que, segundo os especialistas, contribuiu para o sucesso dos contra-ataques localizados de Kiev contra a Rússia.

"Não vamos simplesmente esperar que os chineses e os russos lancem o seu próprio equivalente ao Starlink", disse Zelensky, confirmando que Kiev "está atualmente a desenvolver um projeto semelhante com um país europeu" e que já foram iniciados testes.

O presidente ucraniano garantiu que Kyiv continuará a trabalhar com o Starlink e que espera convencer Elon Musk a permitir utilizar a rede de satélites para realizar ataques na Rússia, com a aprovação de Washington.

"Por enquanto, [Elon Musk] disse que isso representaria uma escalada, mas pode mudar de ideias quando vir argumentos mais convincentes", referiu.

A gigante tecnológica norte-americana mudou de posição em relação à Ucrânia várias vezes desde o início da invasão russa em grande escala, iniciada em fevereiro de 2022, e tem mantido contacto próximo com o ex-ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, que foi demitido em julho.

Para o líder ucraniano, os ataques poderiam "levar a uma redução das capacidades que a Rússia está a utilizar para prolongar a guerra", ao permitir visar os lançadores de mísseis balísticos russos, cada vez mais utilizados por Moscovo.

Kiev reclama mais munições para os intercetar, particularmente de mísseis Patriot norte-americanos, cuja ausência se agravou desde o início da guerra no Médio Oriente.

A Ucrânia recebeu 675 mísseis Patriot em 2023, por comparação com 364 em 2025 e 264 em 2026, disse Zelensky.


Leia Também: Ucrânia? Rússia retira embaixador no Reino Unido para pressionar Londres

A Rússia retirou o seu embaixador no Reino Unido, Andrei Kelin, para pressionar Londres a reconsiderar o seu apoio à Ucrânia, revela hoje o jornal The Sunday Times.

Portugal : GNR apreende cinco toneladas de droga e detém sete pessoas no Algarve... A GNR apreendeu mais de cinco toneladas de haxixe e deteve sete pessoas, no âmbito de uma operação realizada no sábado junto ao rio Guadiana, no Algarve, foi hoje anunciado.

© ShutterStock   Por LUSA   23/08/2026 

A operação foi executada pelos militares do subdestacamento de Controlo Costeiro de Vila Real de Santo António, nos concelhos de Vila Real de Santo António e Castro Marim, no distrito de Faro, esclareceu a Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras da GNR, em comunicado.

Segundo a GNR, a Guardia Civil espanhola detetou "movimentações suspeitas, em frente à Costa Ezuri, na zona de Corte Velha", no Azinhal, em Castro Marim, "nas imediações de ruínas situadas em território nacional".

Na sequência, foi executada "uma operação de vigilância e controlo costeiro" e foram empenhados meios terrestres, marítimos e aéreos "com o objetivo de intercetar os envolvidos e assim evitar quaisquer ilícitos criminais que decorressem naquele local, incluindo o tráfico de estupefacientes por via marítima", lê-se na nota.

No decorrer da operação, alguns indivíduos aperceberam-se da presença dos militares e tentaram a fuga do local, numa primeira fase apeados e, depois, numa viatura ligeira de passageiros e numa embarcação, referiu a GNR.

A viatura utilizada foi intercetada "já sem os seus ocupantes", enquanto os meios marítimos conseguiram deter os sete homens que se encontravam a bordo da embarcação em fuga.

Os detidos são todos de nacionalidade estrangeira e têm idades entre os 21 e os 39 anos, especificou a força de segurança, acrescentando ter sido ainda "identificado um outro homem que estará relacionado com esta ocorrência".

Na noite de sexta-feira, uma patrulha marítima da UCCF já tinha tentado proceder à abordagem de uma embarcação suspeita "relacionada" com a operação agora executada, "que reagiu de forma hostil" à presença dos militares e tentou abalroá-los, iniciando uma fuga em direção ao esteiro de Canela, já em território espanhol.

"Os militares conseguiram impedir este objetivo, acabando os suspeitos por fugir apeados na marina de Ayamonte e a embarcação foi apreendida", informou a GNR.

A operação resultou na apreensão de 2.133 fardos de resina de canábis (haxixe), "aproximadamente 5320 quilogramas, considerando o peso médio de 40 quilogramas de cada fardo", enquadrou.

Foram ainda apreendidas três viaturas, duas embarcações, uma pistola com carregador e munições, seis telemóveis e mais de 1.000 euros em numerário.

A operação contou com o reforço de meios do Comando Territorial de Faro, Unidade de Intervenção e com o apoio da Guardia Civil.

Iraque anuncia repatriamento de seis mil estrangeiros jihadistas... O Governo do Iraque deu início aos procedimentos de repatriação de 6.000 estrangeiros ligados à organização jihadista Estado Islâmico que permanecem detidos no país após a sua transferência inicial das prisões da Síria.

© Reuters    Por LUSA   23/08/2026 

O porta-voz do Ministério da Justiça iraquiano, Murad al Sadi, explicou, citado pela agencia Europa Press, que nenhum condenado à morte por terrorismo será incluído nestes procedimentos, que envolvem 61 países de todo o mundo.

"É necessário que os países assinem acordos bilaterais de repatriação", explicou o responsável à agência curdo-iraquiana Rudaw, para ativar um procedimento que, de qualquer forma, é imprescindível.

O responsável lembrou que "a pressão que estão a exercer nas prisões iraquianas é imensa", especialmente num momento em que o Governo enfrenta dificuldades para pagar os salários dos funcionários prisionais devido ao enorme impacto económico da guerra com o Irão.

A isto acresce o facto de o Iraque estar a ser alvo de críticas por parte de organizações internacionais especializadas na monitorização dos direitos humanos, como a Human Rights Watch (HRW), que denunciam julgamentos sumários, sem critérios éticos, nos tribunais iraquianos a alegados membros do Estado Islâmico, que, além disso, teriam confessado sob alegadas torturas.

Em termos gerais, trata-se de 5.704 alegados membros do Estado Islâmico, de 61 nacionalidades. A maioria é síria, mas há também marroquinos, turcos, tunisinos e até norte-americanos, canadianos e russos.

Quando os procedimentos preliminares terminarem, os repatriados serão transferidos temporariamente para a grande prisão de Karj, em Bagdade, na sua última paragem antes de deixarem o país.


Zelensky contra eleições: "Risco enorme" que "dividiria a Ucrânia"... O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, considera que a realização de eleições em tempo de guerra constituiria um perigo para o país, respondendo ao apelo do seu ex-ministro da Defesa para realizar um escrutínio.

© Oliver Bunic/Bloomberg via Getty Images   Por LUSA  23/08/2026 

"Penso que, numa guerra como esta, as eleições, por si só, representam um risco enorme", afirmou Zelensky, considerando que seriam um "tsunami" que "dividiria a Ucrânia".

O líder ucraniano respondeu hoje em conferência de imprensa às polémicas recentes, como a demissão, em meados de julho, do jovem e popular ministro da Defesa, Mikhaïlo Fedorov.

Este último causou grande agitação na terça-feira com um vídeo, no qual denuncia a corrupção e pede a "restauração de um processo democrático" através de eleições, apesar da invasão russa do país.

O mandato presidencial de Zelensky terminou em maio de 2024, mas não podem ser organizadas eleições na Ucrânia sob a lei marcial, em vigor desde o início da invasão russa em grande escala do país, desencadeada em fevereiro de 2022.

"Se quisermos destruir o país, então podemos avançar para a realização de eleições nestes tempos de guerra", respondeu Zelensky.

Hoje "é impossível nas condições em que nos encontramos atualmente, quando Putin não está disposto a considerar opções para um cessar-fogo", acrescentou ainda.

As declarações de Fedorov causaram mal-estar até mesmo entre os seus apoiantes.

De acordo com a última sondagem de opinião do Instituto de Sociologia de Kiev (KIIS), realizada em julho e agosto, apenas 15% dos inquiridos consideram que as eleições deveriam realizar-se antes do fim da guerra.

A decisão do Presidente de demitir Fedorov deu origem a manifestações que reuniram milhares de pessoas nas ruas de várias cidades do país, levando Zelensky a substituir também o comandante do exército, Oleksandre Syrsky, considerado um rival de Fedorov.

Sobre os protestos, o Presidente ucraniano defendeu o direito dos cidadãos a manifestarem-se, mas alertou para qualquer atitude "desrespeitosa" em relação ao exército e para o risco que representa uma divisão "entre a sociedade e os soldados".

"Desde quando é que o marketing começou a ter prioridade sobre as pessoas que dão a vida?" - questionou.


Leia Também:  Zelensky pede que sejam aprovadas reformas para desbloquear verbas da UE

O presidente da Ucrânia pediu hoje ao parlamento ucraniano que aprove as reformas internas indispensáveis para receber os 30 mil milhões de euros em fundos europeus destinados a colmatar o atual défice nas despesas com a defesa

Presidente iraniano diz que EUA falharam: "Irão não se tornou Venezuela"... O presidente do Irão, Masud Pezeshkian, afirmou hoje que a tentativa dos Estados Unidos de destruir a atual estrutura governamental da República Islâmica para instalar autoridades mais favoráveis a Washington, tal como aconteceu na Venezuela, fracassou completamente.

© Iranian Presidency/Anadolu via Getty Images  Por LUSA  23/08/2026 

"O Irão não só não se tornou na Venezuela, como o mundo ficou impressionado com o nosso poder", afirmou Pezeshkian num discurso hoje difundido pela televisão estatal, no qual acusou os Estados Unidos de combinarem os seus ataques militares com táticas de desestabilização interna.

Segundo Pezeshkian, os "inimigos" do Irão "esperam criar divisões e fissuras na sociedade através de problemas", reconhecendo, no entanto, que essas dificuldades existem.

"É uma vergonha para nós que existam problemas", indicou o político iraniano a este respeito, antes de argumentar que a sociedade iraniana se encontra neste momento "envolvida numa guerra económica, militar e de segurança em grande escala".

Perante as "sanções esmagadoras" prometidas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Pezeshkian garantiu que o governo iraniano se manterá firme e envidará "todos os esforços possíveis para servir o povo face a esta guerra desigual".

"Esforçamo-nos ao máximo para superar a inflação, os problemas de subsistência, a falta de emprego e para garantir um futuro digno e de orgulho para o povo", afirmou o Presidente iraniano, antes de explicar que, para tal, é imprescindível que Teerão se mantenha firme nas negociações, porque se "decidirem algo e depois recuarem vão deparar-se com uma situação muito delicada".

E concluiu: "espero que esta união e coesão se mantenham estáveis. O inimigo pretende criar divisões e fissuras na sociedade através de problemas e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para as evitar, bem como os conflitos e os egos".

Estas declarações surgem após os Estados Unidos, na quinta-feira, terem prometido "derrubar" o regime iraniano com a campanha de sanções anunciada, quase seis meses após o início da guerra.

"Estamos envolvidos numa guerra total nos planos económico, militar e de segurança. Ele (o Presidente norte-americano, Donald Trump) afirma sem rodeios que está a impor ao Irão as sanções mais esmagadoras ou mais temíveis", declarou Pezeshkian.

Nos últimos anos, o governo iraniano tem enfrentado várias ondas de manifestações, muitas vezes desencadeadas pela deterioração da situação económica, pela inflação e pela diminuição do poder de compra.

No final de dezembro, um movimento de protesto, inicialmente desencadeado pelo aumento do custo de vida, transformou-se rapidamente em vastos protestos contra o poder.

As autoridades registaram mais de 3.000 mortos, atribuindo a violência a "atos terroristas" orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel.

Por seu lado, organizações não-governamentais sedeadas no estrangeiro relataram uma repressão que causou milhares de mortos.

LOURES: Quatro homens esfaqueados em Sacavém. Três estão em estado grave... Quatro homens ficaram feridos, três dos quais em estado grave, após serem esfaqueados por outro indivíduo durante a madrugada deste domingo, em Sacavém, no concelho de Loures. O suspeito está em fuga e a Polícia Judiciária investiga o crime.

© Global Imagens  Por  noticiasaominuto.com  23/08/2026 

Quatro homens ficaram feridos, três dos quais em estado grave, após terem sido esfaqueados por outro indivíduo em Sacavém, no concelho de Loures, durante a madrugada deste domingo. 

Segundo confirmou o Notícias ao Minuto junto de fonte do Comando Metropolitano de Lisboa da Polícia de Segurança Pública (PSP), o crime ocorreu "por volta da meia-noite" junto a uma café na Rua Pêro Escobar.

A mesma fonte adiantou que "um homem agrediu quatro indivíduos", estando três deles em "estado grave". 

Os três feridos foram encaminhados para o Hospital São Francisco Xavier, Hospital de Santa Maria e Hospital Beatriz Ângelo.

O suspeito está em fuga e as autoridades também não conseguiram localizar a arma do crime. 

A Polícia Judiciária (PJ) foi acionada por se tratar de um crime de tentativa de homicídio e encontra-se a realizar diligências.

ENTREVISTA: Será difícil colocar travão na IA – Rui Gonçalves, da KPMG Portugal... O responsável pela área de consultoria de tecnologia da KPMG Portugal considera, em entrevista à Lusa, que será difícil colocar um travão na IA, defendendo a necessidade de encontrar uma solução de compromisso entre gestão do risco e dependência

© Shutterstock.  Por executivedigest.sapo.pt, 23/08/2026

Lisboa, 23 ago 2026 (Lusa) – O responsável pela área de consultoria de tecnologia da KPMG Portugal considera, em entrevista à Lusa, que será difícil colocar um travão na IA, defendendo a necessidade de encontrar uma solução de compromisso entre gestão do risco e dependência.

Várias têm sido as vozes a apelar para abrandar o ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial (IA), desde o Papa, passando pela norte-americana Anthropic, como pelo presidente executivo (CEO) do Machine Intelligence Research Institute (MIRI), Malo Bourgon, que em entrevista recente à Lusa considerou que é possível abrandar esta tecnologia com intervenção dos governos.

Para Rui Gonçalves, responsável pela área de consultoria de tecnologia (head of technology consulting) da KPMG Portugal, que integra ainda o ‘global AI council’ [conselho global de IA] do grupo, considera que travar a inteligência artificial é algo que é difícil de fazer.

“Travar a IA, meter um botão de pausa (…), não sei se isso é possível porque os centros de decisão sobre isso estarão de tal maneira espalhados (…) pelo mundo e nenhum deles, com certeza, está em Portugal”, refere.

Os centros de decisão dos modelos de IA estão em São Francisco, Seattle (Estados Unidos) ou em Yangzhou, China, aponta.

“E nem na Europa estarão”, pelo que “acho que o tema deve ser mais se a escolha real é acelerar ou travar um pouco o ritmo e decidir a que ritmo é que se regula e que se cria aqui mais mecanismos de gestão do risco sem travar a capacidade de construir”, prossegue o responsável.

A questão é “como é que nós poderemos acelerar ou desacelerar esse tema, colocando mais regulação ou gerindo o risco de forma mais eficiente sem estrangular a capacidade de construir”, sugere, apontando que na Europa não há capacidade para travar a IA e, muito menos, em Portugal.

Só para se ter uma ideia, a Europa “importa mais de 80% das nossas tecnologias digitais”, de acordo com um estudo recente.

Além disso, “70% dos modelos fundacionais saem dos Estados Unidos”, depois, dos 30% que restam, “25% a 29% sairão da China e 1% sairá da Europa”, ilustra Rui Gonçalves.

Além disso, colocar “travões de forma desregulada vai-nos só aumentar a dependência a prazo”, adverte o responsável da KPMG Portugal.

Isto porque a existir um travão, haverá quem não cumpra essa medida, criando uma maior assimetria no desenvolvimento da tecnologia.

“Daí o tema que se coloca (…) é tentar encontrar aqui uma solução de compromisso entre a gestão do risco e a gestão da dependência de outros países”, conclui Rui Gonçalves.

GUERRA NA UCRÂNIA: Nova jornada de ataques deixa nove mortos na Ucrânia e quatro na Rússia... Pelo menos nove pessoas morreram este sábado na Ucrânia em ataques com drones e mísseis russos, enquanto uma ofensiva ucraniana com drones na região russa de Krasnodar e na Crimeia provocou quatro mortos, incluindo duas crianças, segundo autoridades locais.

© Lusa   23/08/2026 

Os ataques ocorreram um dia depois de uma ofensiva russa contra um centro comercial em Kryvyi Rih, que causou 16 mortos e cerca de 130 feridos.

Na capital ucraniana, o Presidente Volodymyr Zelensky informou que mísseis balísticos atingiram infraestruturas ferroviárias, provocando um morto e um ferido. O Ministério da Defesa russo disse ter atingido um depósito de locomotivas.

Na região de Zaporijia, o governador Ivan Fedorov confirmou três mortos e 15 feridos em ataques russos. Em Borispil, na região de Kiev, um míssil balístico matou duas pessoas e feriu oito, atingindo um armazém, veículos, uma casa e uma bomba de gasolina.

Em Leópolis, o autarca Andri Sadovi relatou três mortos e cinco feridos após um ataque contra uma fábrica Iskra, onde estavam armazenados aerossóis. Já em Seredino-Bud, na região de Sumi, um homem de 61 anos morreu ao passar de bicicleta sobre um explosivo e uma mulher de 50 anos perdeu a vida em nova detonação; outra mulher ficou ferida.

Na Crimeia, península ucraniana conquistada e gerida pela Rússia desde 2014, dois civis morreram e cinco ficaram feridos em Sebastopol, quando drones ucranianos atingiram um autocarro.

Do lado russo, em Yeisk, na região de Krasnodar, dois menores morreram e dois adultos da mesma família ficaram feridos em ataque ucraniano com drones contra infraestruturas civis.

Os bombardeamentos vieram um dia depois de uma ofensiva russa contra Kryvyi Rih, cidade natal de Zelensky, onde drones russos atingiram um centro comercial. O governador regional Oleksandr Hanzha disse que quatro pessoas continuam desaparecidas. O incêndio, que se espalhou por 9.000 metros quadrados, foi entretanto extinto.

Kryvyi Rih tem sido alvo frequente desde o início da guerra, há quatro anos e meio, incluindo um ataque em abril de 2025 que matou 20 pessoas, nove delas crianças.

Paralelamente, a Ucrânia intensificou ataques de longo alcance contra refinarias e armazéns russos, provocando escassez de combustível e atingindo empresas como a retalhista online Wildberries.

Segundo Zelensky, forças ucranianas atingiram a refinaria de Novokuibyshevsk, na região de Samara, a cerca de 1.000 quilómetros da frente de combate. O portal russo Astra noticiou que um drone incendiou uma instalação industrial e um centro logístico da empresa Ozon.

O Presidente russo Vladimir Putin declarou durante uma entrevista televisão estatal russa este sábado que os ataques a alvos civis "causam danos económicos e perdas", mas não representam "qualquer ponto de viragem" no conflito, garantindo que Kiev "nunca obterá vantagem".

Ao mesmo tempo, reconheceu que a Rússia intensificou os ataques em Kiev e noutras cidades ucranianas em resposta às ações inimigas contra a logística e as infraestruturas civis russas.

Na mesma entrevista Putin, afirmou estar aberto ao diálogo sobre a paz na Ucrânia, mas rejeitou algumas propostas "exóticas" que chegam a Moscovo, sem dar detalhes sobre as mesmas.


Leia Também: Líderes de 8 paises europeus discutem em Kiev reforço da defesa antimíssil

Kiev, 23 ago 2026 (Lusa) — Dirigentes dos oito países nórdicos e bálticos europeus chegaram hoje a Kiev para discutir com o Presidente ucraniano o reforço da defesa aérea face aos mísseis e artilharia russa.

Portugal: PJ mostra as imagens da apreensão de 150 kg de cocaína em polpa de fruta... A Polícia Judiciária (PJ) divulgou imagens da Operação Frutális/Medulla, que levou à apreensão de 150 quilos de cocaína escondidos em embalagens de polpa de fruta, num contentor proveniente do Equador com destino a Portugal. A droga, avaliada em quatro milhões de euros, foi apreendida.

© Polícia Judiciária    Por  noticiasaominuto.com  23/08/2026 

A Polícia Judiciária (PJ) divulgou um vídeo que mostra as imagens da Operação Frutális/Medulla, que permitiu apreender 150 quilogramas de cocaína escondidos dentro de embalagens de polpa de fruta num contentor que tinha como destino final Portugal.

Em comunicado, enviado no sábado às redações, a PJ explicou que a operação policial foi levada a cabo ao longo dos últimos dias, em conjunto com a Guardia Civil e o Serviço de Vigilância Alfandegária do Reino de Espanha. 

"A investigação iniciou-se no Porto de Algeciras, em Espanha, na sequência de uma inspeção ao contentor, que tinha como destino final Portugal", explicou a PJ, acrescentando que no interior do contentor estavam, "dissimulados nas embalagens de polpa congelada, 500 pequenos pacotes suspeitos, que continham uma substância branca prensada".

Posteriormente, foi possível apurar que a substância era cocaína, com um peso de cerca de 150 quilogramas. 

No entanto, com o objetivo de identificar as pessoas ligadas à mercadoria, o carregamento, oriundo do Equador, "continuou o seu percurso, sob vigilância controlada, até ser localizado num armazém, nas imediações de Lisboa".

O administrador de uma empresa ligada ao armazém foi identificado e detido na passada quinta-feira, 20 de agosto, "face à presumível relação com os bens apreendidos".

Segundo a PJ, "caso chegasse ao mercado ilícito, o produto estupefaciente apreendido tinha potencial para atingir um valor de quatro milhões de euros".

O homem detido ficou sujeito à medida de coação mais gravosa, a de prisão preventiva.

Na nota, a PJ destacou que esta operação representou "mais um marco no âmbito da cooperação internacional relativamente ao combate às redes criminosas que utilizam rotas marítimas e carregamentos comerciais para o tráfico de cocaína com destino à Europa".

Pode ver o vídeo da operação AQUI.