quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Conselho da Paz para Gaza nega que Hamas receba fundos... O alto representante do Conselho da Paz para Gaza esclareceu hoje que o movimento extremista palestiniano Hamas não terá acesso a fundos no âmbito da segunda fase do plano de paz traçado para o enclave.

© Hamza Z. H. Qraiqea/Anadolu via Getty Images    Por LUSA   12/08/2026 

"As alegações sobre um acordo financeiro entre o Conselho da Paz para Gaza e o Hamas são falsas. Tal proposta não foi debatida, não foi negociada, não foi considerada e também não estará em cima da mesa no futuro", indicou o diplomata búlgaro Nikolai Mladenov numa mensagem publicada em hebraico nas redes sociais.

O representante esclareceu que os fundos em questão não são transferidos diretamente através de instituições ligadas ao Hamas.

"Cada contrato passa por revisões e aprovações, cada trabalho é verificado antes do pagamento e todas as contas estão abertas a uma auditoria completa por parte dos governos doadores", afirmou.

Com estas declarações, Mladenov procurou acalmar as especulações que sugeriram que o Conselho estaria a negociar com o Hamas uma série de pagamentos para cobrir as indemnizações pela cessação de funções dos funcionários civis de Gaza que não forem contratados nas novas instituições palestinianas, para que o grupo aceitasse o seu desarmamento total ao abrigo do roteiro proposto pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

"O objetivo continua a ser o desarmamento total e garantir que Gaza nunca mais represente o tipo de ameaça que Israel enfrentou a 07 de outubro [de 2023]. As alternativas são que o Hamas permaneça no poder e reconstrua as suas capacidades militares, ou que Israel volte a controlar toda a população de Gaza a um custo humano, militar e económico extremamente elevado", argumentou.

Nas mesmas declarações, Nikolai Mladenov defendeu uma terceira opção: o "desarmamento total" do Hamas, bem como uma governação civil através do Comité Nacional para a Administração de Gaza (CNAG) --- a entidade política que será liderada pelo economista e ex-vice-ministro da Autoridade Palestiniana, Ali Shaath --- e a presença de forças de segurança internacionais sob supervisão norte-americana, além de mecanismos de vigilância e verificação.

"O Conselho da Paz foi criado no âmbito do plano do Presidente Trump para Gaza e em conformidade com a resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU. Ambos os documentos são públicos e claros: o Hamas não terá qualquer papel no Governo de Gaza e não terá acesso a fundos", concluiu Mladenov.

Na quarta-feira, o Qatar acusou Israel de adiar a aplicação da trégua na Faixa de Gaza "desde o primeiro dia", depois de Telavive ter rejeitado o plano de 15 pontos de Trump.

"Naturalmente e lamentavelmente, esta atitude e estas práticas israelitas de adiar a aplicação de todos os acordos alcançados desde o primeiro dia até hoje continuam", afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed al-Ansari, na habitual conferência de imprensa semanal, a partir de Doha.  

O Governo do Qatar, um dos principais mediadores na guerra da Faixa de Gaza juntamente com Egito, Turquia e Estados Unidos, comentava a rejeição, há três dias, garantida pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, da proposta de Trump, afirmando que Israel não abandonará Gaza até que o grupo islamita Hamas se desarme.   

O movimento palestiniano, por seu lado, confirmou o "firme compromisso" com o plano de Trump publicado pelo Conselho da Paz para avançar para a segunda fase do cessar-fogo em Gaza, que estipula o desarmamento do grupo armado e a retirada israelita do enclave.

Perante esta situação, al-Ansari confiou em que a comunidade internacional "exerça pressão para que o acordo seja aplicado", ao mesmo tempo que valorizou os progressos alcançados após o Hamas, pró-iraniano, ter aceitado desarmar as suas forças, embora tenha advertido de que "agora cabe à parte israelita agir".

A 30 de julho, Trump anunciou que o Conselho da Paz tinha alcançado um acordo "histórico" para o desarmamento total do Hamas e de outros grupos da Faixa de Gaza que permitiria avançar para a segunda fase do cessar-fogo, que inclui a "cessação das operações militares" no enclave.


Leia Também: Israel realiza primeiro ataque em Gaza numa semana

Israel realizou hoje o primeiro ataque aéreo na Faixa de Gaza em mais de uma semana, segundo o exército israelita, que alegou ter visado um comandante do grupo islamita Hamas, e a Defesa Civil, que registou uma morte.

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