terça-feira, 25 de agosto de 2026

ITÁLIA: Sem-abrigo agredido até à morte por 50€. Filmaram, mas não ajudaram... Um homem em condição de sem-abrigo foi espancado até à morte, na quarta-feira, por uma dívida de 50 euros, na comuna italiana de Caserta. Apesar dos transeuntes que por ali passavam, tendo até circulado um vídeo das agressões nas redes sociais, ninguém ajudou.

© Sant'Egidio Caserta   Por  Notícias ao Minuto  25/08/2026 

Um homem em condição de sem-abrigo foi espancado, na passada quarta-feira, alegadamente por uma dívida de 50 euros ainda por saldar, na Praça Sant’Anna, na comuna italiana de Caserta. Apesar dos transeuntes que por ali passavam, tendo até circulado um vídeo das agressões nas redes sociais, ninguém interveio. A vítima de 62 anos morreu ao fim de dois dias, já no hospital, devido à gravidade dos ferimentos.

A par dos vídeos captados por quem testemunhou o ataque, as autoridades recorreram a imagens de videovigilância no local para identificar e deter o agressor, que se tratava de um homem romeno de 40 anos, também em situação de sem-abrigo, noticiou a agência Ansa.

O homem, que ficou em prisão preventiva por homicídio qualificado, confessou o crime, que terá sido motivado por uma dívida antiga de 50 euros.

Nas imagens, Guido Roviello é visto a discutir com um indivíduo que, de repente, lhe disfere um golpe violento que o faz cair. A vítima é depois pontapeada na cabeça e no peito, mesmo já inanimado. Não satisfeito, o agressor levanta-o e volta a esmurrá-lo, antes de se afastar e de o deixar inerte no chão.

O bispo de Caserte, Pietro Lagnese, condenou quem assistiu à agressão e nada fez para ajudar a vítima a defender-se, recordando que “por trás das definições genéricas há pessoas, histórias, rostos e dignidades que não podem permanecer invisíveis nem ser varridos como se fossem um problema de decoro urbano”.

“Perante uma morte tão violenta e sem sentido, o que mais abala a consciência é a indiferença daqueles que viram consumar-se um homicídio tão hediondo, sem intervir. [...] Guido, com as suas fragilidades e o seu grito de socorro, só pedia para ser visto e ouvido”, assinalou o pároco, que tenciona dar-lhe “um enterro digno, como sinal de respeito pela dignidade inviolável de cada pessoa”.

Guido levava uma vida comum, até perder o emprego como empregado de mesa e ficar sem casa. Era um homem bom, sensível e calmo, segundo os voluntários com quem lidava diariamente. Aliás, já tinha sido alvo de uma agressão grave, em 2019, tendo conseguido recuperar graças à rede de solidariedade do voluntariado católico. Ultimamente, frequentava a igreja de Nossa Senhora de Lourdes, em Caserta, onde se alimentava, e a Comunidade de Santo Egídio, onde tomava banho e convivia com outras pessoas.

O caso chocou a comunidade local e gerou apelos generalizados por maior segurança na cidade, tendo em conta que, apenas uns dias antes, o corpo de um outro sem-abrigo tinha sido encontrado no estacionamento da Praça IV de Novembro. Neste caso, contudo, acredita-se que o cidadão argelino tenha morrido de causas naturais.

“Ambas as mortes ocorreram em contextos onde o sofrimento, a negligência e a profunda angústia eram evidentes. Não basta uma ação de emergência nem uma simples remoção dos locais onde dormem: é necessária uma mesa de diálogo estável e uma rede estruturada, […] que devem ser acompanhadas por uma comunidade que opte por não virar as costas”, sublinhou o bispo de Caserte.

O funeral de Guido será esta terça-feira, dia 25 de agosto, na Catedral de Caserta, segundo a associação Sant'Egidio Caserta.


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