quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Sauditas acusam huthis do Iémen de ataque à cidade santa de Meca... A coligação militar liderada pela Arábia Saudita acusou hoje os huthis do Iémen de realizarem um ataque com drone contra a cidade santa de Meca, alegação que os combatentes pró-iranianos desmentiram.

© Reuters   Por  LUSA  16/09/2026 

A defesa aérea saudita destruiu na terça-feira "um drone hostil lançado pela milícia terrorista huthi antes de entrar no espaço aéreo proibido da capital santa" do islão, informou a coligação num comunicado.

A interceção do aparelho não tripulado ocorreu a sul de Meca, que se localiza a 70 quilómetros para o interior de Jeddah, no mar Vermelho.

"A segurança das duas mesquitas sagradas e dos visitantes constitui uma linha vermelha", advertiu a coligação que combate os rebeldes do Iémen desde 2014, citada pela agência francesa AFP.

A Organização da Cooperação Islâmica (OCI) condenou de imediato o que descreveu como "ataques odiosos que profanam a sacralidade dos lugares santos e das mesquitas, e ferem os sentimentos dos muçulmanos em todo o mundo".

Também o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, condenou "nos termos mais veementes possíveis o ataque cobarde e odioso" contra Meca.

"O povo do Paquistão está consternado e perturbado com este ato escandaloso", afirmou numa declaração nas redes sociais.

Os huthis, que têm intensificado desde o início de setembro os ataques contra a Arábia Saudita, desmentiram ter visado Meca e um dos dirigentes do grupo, Hazm al-Assad, denunciou "uma mentira gasta".

"As nossas operações visam as instalações petrolíferas e as bases militares, que estão afastadas dos locais sagrados", disse o porta-voz militar do grupo, Yahya Saree.

As autoridades sauditas tinham emitido na terça-feira de manhã um alerta aéreo para Meca, uma estreia para a cidade santa que acolhe anualmente milhões de peregrinos.

A embaixada dos Estados Unidos em Riade aconselhou hoje os norte-americanos a reconsiderarem qualquer viagem à Arábia Saudita e a não se deslocarem, sob pretexto algum, para junto da fronteira com o Iémen.

A ofensiva dos huthis permitiu ao grupo xiita apoiado pelo Irão um maior controlo no acesso ao estreito de Bab el-Mandeb, no mar Vermelho.

A via marítima já era estratégica para as ligações entre a Europa e a Ásia, mas tornou-se ainda mais importante, nomeadamente para a Arábia Saudita, com o bloqueio do estreito de Ormuz no golfo Pérsico, no lado oriental da península Arábica.

Ormuz, por onde circulava um quinto dos hidrocarbonetos mundiais antes da guerra, está praticamente encerrado desde a ofensiva israelo-americana contra o Irão, lançada em 28 de fevereiro.

Os conflitos refletem-se também nos mercados globais e o Brent, referência europeia do crude, estava a ser negociado hoje na Ásia a 108,5 dólares por barril e a 107,58 dólares na Europa.

Mantinha-se, assim, cerca de 80% acima do valor anterior ao início da ofensiva contra o Irão, que respondeu com o bloqueio do estreito de Ormuz e com ataques contra interesses norte-americanos na região, incluindo a Arábia Saudita.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar alertou na terça-feira que um eventual encerramento do estreito de Bab el-Mandeb seria catastrófico para a economia mundial, somando-se ao bloqueio de Ormuz.

No terreno, os huthis afirmaram hoje ter abatido um caça saudita e acusaram o reino árabe de ter efetuado 450 ataques aéreos no Iémen esta semana.

A intensificação dos combates desde a ofensiva lançada pelos huthis no início de setembro causou 100.000 deslocados no Iémen, de acordo com dados do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).


Líbano quer acordo com Israel e desarmar o Hezbollah sem confronto, diz presidente

Por  swissinfo.ch   16 setembro 2026 

O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou em entrevista à AFP que deseja alcançar um acordo de segurança com Israel quando este país retirar suas tropas do Líbano e que está determinado a desarmar o movimento islamista Hezbollah sem confronto.

Antes de viajar nesta quarta-feira (16) para a França, Aoun afirmou que o Líbano quer uma nova força internacional para evitar um vácuo de segurança após a saída dos soldados da ONU do sul do país – o mandato termina no fim do ano.

Ele pediu aos Estados Unidos, à União Europeia e aos países árabes que apoiem o Exército libanês no sul do país.

“O importante é que não exista um vácuo”, declarou Aoun na terça-feira à AFP. Ele acrescentou que qualquer nova força no sul do Líbano, parte do qual está ocupado por Israel, será “temporária até que o Exército (libanês) possa ser deslocado”.

“Qualquer que seja a natureza dessa força, não representa um problema para mim: europeia, não europeia, americana, da ONU, asiática ou até mesmo uma mistura de forças europeias, árabes e asiáticas”, afirmou Aoun.

Ele considera, no entanto, que a extensão do mandato da missão dos capacetes azuis da ONU é “a melhor opção e a mais adequada”.

– A guerra como alternativa –

Sob pressão dos Estados Unidos, o Conselho de Segurança da ONU aprovou o fim do mandato da missão em 31 de dezembro de 2026. 

A missão, atualmente com 8.500 integrantes de quase 50 países, está mobilizada no sul do Líbano desde 1978.

Aoun disse que deseja um acordo de segurança com Israel, “principalmente para acabar com o estado de hostilidade e a presença do Exército na fronteira”.

“Isto poderia ser o prelúdio de um acordo de paz posterior, mas não podemos avançar diretamente para um acordo de paz”, explicou. “Não temos outra alternativa, exceto negociar, porque a alternativa é a guerra, o que seria muito caro para nós”, declarou Aoun, criticado pelo Hezbollah por este diálogo com Israel.

A milícia e partido político xiita, muito influente no Líbano, arrastou o país para a guerra no Oriente Médio ao atacar Israel em solidariedade a seu aliado Irã.

Aoun reiterou que o Líbano está determinado a desarmar o grupo islamista. Ele disse que isso “não é negociável nem está aberto a discussão”.

Ele insistiu, no entanto, que “o objetivo não é um confronto (…) Estamos decididos a resolver esta questão pacificamente”.

“Não se trata de construir um Estado às custas de um conflito sangrento (…) ou de uma nova guerra civil”.

Aoun explicou que disse ao Irã que, após o desarmamento do Hezbollah, as relações “devem ser baseadas no respeito mútuo e na não interferência nos assuntos internos do povo libanês”.

“Não temos problema em manter relações com o Irã, mas temos problema com a interferência em nossos assuntos internos”, afirmou.

Oitenta navios atacados e 22 tripulantes mortos em Ormuz desde março... Oitenta navios foram atacados no estreito de Ormuz e pelo menos 22 tripulantes mortos desde o início do conflito entre os EUA e o Irão, no final de fevereiro, segundo a Organização Marítima Internacional (OMI).

© Lusa   16/09/2026 

A este balanço juntam-se pelo menos quatro mortos no mais recente ataque dos rebeldes xiitas iemenitas huthis contra um navio, a 11 de agosto, no Mar Vermelho.

A OMI estima ainda que dezenas de marinheiros terão morrido no Mar Negro e no Mar de Azov na sequência de ataques da Rússia e da Ucrânia a navios, embora seja difícil verificar os números exatos.

O secretário-geral da organização, Arsenio Dominguez, alertou que as tensões geopolíticas estão a ter um grande impacto no setor dos transportes marítimos, com reflexo nas redes de abastecimento e na economia global.

"Estamos a chegar a um ponto em que estes conflitos estão a ser utilizados como pretexto para atacar navios mercantes e marinheiros inocentes", disse, durante uma reunião do subcomissão da OMI para o Transporte de Cargas e Contentores, que decorre esta semana em Londres.

Citado num comunicado, urgiu os representantes a intervirem junto respetivos países "para que esta questão possa ser tratada no âmbito das Nações Unidas", de forma a "abordar as causas profundas e encontrar soluções".

Dominguez reiterou que a OMI está disponível para "contribuir para soluções viáveis para o setor dos transportes marítimos que os estados-membros possam apresentar a nível técnico e operacional".

A subcomissão para o Transporte de Cargas e Contentores reúne-se até sexta-feira para debater questões de segurança relacionadas com o transporte marítimo de mercadorias perigosas, cargas a granel e contentores.


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O relatório, Arquitetos de Atrocidades: A Maquinaria Estatal a Orquestrar Crimes contra a Humanidade na Revolta “Mulher, Vida, Liberdade” de 2022 no Irão — com mais de 1000 páginas — detalha como as autoridades iranianas cometeram crimes contra a humanidade, nomeadamente homicídio, tortura, desaparecimento forçado, detenção, violação e perseguição por motivos políticos, de género, étnicos e religiosos, a fim de reprimir a revolta. Documenta também operações mortíferas de repressão aos protestos e as estruturas de comando, identificando 87 responsáveis que devem ser alvo de investigação criminal por crimes contra a humanidade...

Alemanha. Jovens de 16 anos vão poder votar pela 1.ª vez nas regionais... Os jovens de 16 e 17 anos vão poder votar pela primeira vez nas eleições regionais de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, onde educação, mobilidade e participação estão entre as principais preocupações da população mais jovem.

© Sean Gallup/Getty Images    Por   LUSA  16/09/2026 

"Para os jovens são sobretudo importantes os temas que afetam diretamente o seu quotidiano e o seu futuro", revelou à Lusa Tino Nicolai, um dos responsáveis do Landesjugendring, a organização que representa as associações de juventude deste estado federado na Alemanha de Leste.

Entre as prioridades identificadas estão a educação, a existência de ofertas fiáveis na área do trabalho com crianças e jovens, a mobilidade e a participação, "sobretudo também nas zonas rurais".

"Acima de tudo está a questão: os jovens são levados a sério nas suas preocupações e podem realmente participar na definição do seu ambiente de vida?", questionou Nicolai.

A organização apresentou três exigências centrais para as eleições de domingo: "participar e fortalecer os jovens, permitir uma participação justa e garantir de forma fiável o voluntariado jovem".

Nas votações do próximo domingo, os jovens de 16 e 17 anos vão poder participar pela primeira vez numa eleição para o parlamento regional de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. A idade mínima para o voto foi reduzida para os 16 anos em 2022.

A mudança acrescenta cerca de 25 mil novos eleitores de 16 e 17 anos ao universo eleitoral. Embora representem apenas uma pequena parte do eleitorado, a sua entrada pode ser relevante numa eleição disputada.

Para Nicolai, porém, a questão vai além do número de votos.

"Os jovens esperam sobretudo que as suas perspetivas sejam ouvidas e levadas a sério, e que a participação não termine em projetos individuais", sustentou.

Na sua opinião, o próximo Governo regional deverá colocar os jovens mais no centro das decisões políticas e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental precisa de uma estratégia específica para este grupo.

A posição é sustentada pelo trabalho desenvolvido nos últimos anos pela comissão parlamentar de inquérito "Jung sein in Mecklenburg-Vorpommern" ("Ser jovem em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental"), que analisou as condições de vida da população jovem e apresentou mais de 130 recomendações.

"As conclusões da comissão de inquérito e de outras iniciativas também mostraram que os jovens querem diálogo em pé de igualdade e verdadeira participação nas decisões", realçou Nicolai.

É neste contexto que surge a U16-Wahl, uma eleição simbólica destinada a crianças e jovens que ainda não têm idade para votar nas eleições oficiais. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, mais de 50 locais de voto de todo o estado federado participaram na iniciativa deste ano.

A iniciativa é coordenada pelo Landesjugendring e pretende ser mais do que uma simulação eleitoral, funcionando também como um espaço de educação democrática.

"Esperamos uma participação elevada. Mais de 50 locais de voto de todo o estado federado inscreveram-se. Isso mostra um interesse palpável em lidar com a política regional", apontou Nicolai.

A edição de 2026 é também uma estreia. Até agora, a iniciativa era conhecida como U18-Wahl. Como os jovens de 16 e 17 anos passaram a poder votar nas eleições reais, a votação simbólica passou este ano a chamar-se U16.


Leia Também: Eleições em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental marcadas por contrastes

Com pouco mais de 1,5 milhões de habitantes, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, na Alemanha de Leste, vai às urnas no próximo domingo, numa eleição marcada pelo envelhecimento da população, pela migração e pelas diferenças entre cidades e zonas rurais.

Nas eleições de 20 de setembro, cerca de 1,3 milhões de pessoas estão habilitadas a votar. Pela primeira vez, também os jovens de 16 e 17 anos poderão participar, depois da redução da idade mínima de voto para 16 anos em 2022...


SAÚDE: Cuidado com o paracetamol nesta época de gripes, alertam farmacêuticos... Alguns farmacêuticos deixam um aviso sobre a toma de paracetamol nesta altura do ano em que começam as gripes e constipações. Em causa está a combinação com outros medicamentos que pode vir a ter efeitos indesejados. Saiba tudo.

© Shutterstock   noticiasaominuto.com   16/09/2026 

Estamos a sair do verão e a entrar aos poucos no outono. Com a chegada do tempo mais frio, começa também a altura de gripes e constipações. O recurso ao paracetamol acaba por ser recorrente, mas pode revelar-se perigoso nesta altura. Em causa está a combinação com outros medicamentos.

A revista Parade falou com alguns farmacêuticos para perceber melhor esta questão. O problema está numa sobredosagem já que outros medicamentos acabam também por conter paracetamol.

Paracetamol: Erros durante época de gripes

“Não se trata de uma reação adversa entre dois medicamentos diferentes. O perigo reside na possibilidade de ingerir, sem saber, uma dose excessiva do mesmo medicamento, o paracetamol, ao tomar um produto que o contenha”, começa por dizer o farmacêutico Eddie Khoriaty.

O perigo reside também no facto de serem medicamentos de venda livre e sem precisarem de receita médica. Contudo, apesar de serem de fácil acesso, convém que tenha alguma cuidado quando faz a toma.

“O paracetamol não reduz o inchaço ou a inflamação, nem causa irritação no estômago. Por ser suave para o estômago, é a principal opção para dores leves a moderadas, dores de cabeça e febre, mas depende muito do fígado para ser metabolizado, tornando crucial respeitar os limites diários seguros”, conta a farmacêutica Danielle Oncer.

“O problema é que o paracetamol está presente em muitos medicamentos combinados, então as pessoas podem não perceber a quantidade que estão a ingerir. Muitos dos medicamentos para constipação e gripe já contêm paracetamol”, continua a também farmacêutica Stephanie Redmond.

Deixam ainda um aviso para o que pode acontecer se tomar doses pouco seguras de  paracetamol. “Quando ingere uma quantidade excessiva de paracetamol de uma só vez, os mecanismos normais de eliminação do organismo ficam sobrecarregados. A glutationa, um antioxidante presente no fígado,  normalmente consegue neutralizar alguns dos subprodutos tóxicos do paracetamol, mas os níveis esgotam-se em doses elevadas”, diz Stephanie Redmond.

Assim, nas primeiras 24 horas podem existir alguns sinais e sintomas leves, como náuseas ou vómitos. Em casos mais graves poderá levar a lesões no fígado e surgir entre três a quatro dias depois. Desta forma, é importante verificar sempre os componentes dos medicamentos e até falar com o seu médico antes de tomar vários fármacos deo género ao mesmo tempo.

Quando usar ibuprofeno e paracetamol?

Marta Jonet, da rede de saúde CUF, começou por revelar ao website deste estabelecimento de saúde quais as diferenças entre entres dois medicamentos.

A especialista aponta que o “ibuprofeno faz parte da família dos medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINE’s) utilizados para tratar a dor, reduzir a inflamação e diminuir a temperatura (febre)”. Já o paracetamol “tem ação analgésica (alivia a dor), antipirética (reduz a febre) e pode ser administrado em combinação com outro tipo de medicamentos e a sua dose deve ser sempre ajustada ao peso corporal do doente”.

Uma das principais diferenças que aponta está relacionada com o facto de o paracetamol não ter propriedades anti-inflamatórias significativas, como é algo verificado no ibuprofeno.

Uma vez que se tratam de medicamentos diferentes, acabam por ter também utilizações distintas. Assim, ibuprofeno é mais indicado para aliviar a dor que esteja associada a condições como dor muscular, articulações, dor de cabeça, enxaqueca ou dores menstruais. 

“É usado para reduzir a inflamação em casos de infeções agudas (otite, amigdalite) e em algumas condições inflamatórias como artrite”, revela a médica. No que diz respeito ao paracetamol, é usado para aliviar uma dor moderada, como dor de cabeça, muscular ou dentes, mas também para reduzir a febre.

Jornalista desaparecida há três anos estará detida na China... A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) disse acreditar que Minnie Chan, uma jornalista do diário de Hong Kong South China Morning Post que desapareceu em Pequim em outubro de 2023, se encontra detida pelas autoridades chinesas.

© Twitter/WomenInJournalism   LUSA  16/09/2026 

Num comunicado divulgado na terça-feira, a organização de defesa da liberdade de imprensa recordou que Minnie Chan desapareceu enquanto cobria o Fórum de Xiangshan, a principal conferência anual de diplomacia militar da China.

A edição deste ano do Fórum de Xiangshan sobre defesa e segurança começou na terça-feira e decorre durante três dias na capital chinesa.

A RSF disse que, de acordo com "várias fontes" não identificadas, Minnie Chan estará a ser "mantida sob custódia pelo regime chinês".

A organização disse que as acusações "não foram divulgadas publicamente", mas "parecem estar relacionadas com a segurança nacional" da China, pelo que a jornalista poderá enfrentar uma pena de pelo menos 10 anos de prisão.

"Continuamos profundamente preocupados com a situação de Minnie Chan", disse a gestora de advocacia da RSF para a Ásia-Pacífico, Aleksandra Bielakowska, citada no comunicado.

"Não podemos permitir que o mundo se esqueça de Minnie Chan. Precisamos de apoiar a repórter, a sua família e os seus amigos enquanto o Governo chinês tenta apagar qualquer informação sobre ela do conhecimento público", acrescentou.

"O seu paradeiro deve ser revelado, e a comunidade internacional deve fazer todo o possível para garantir a libertação desta jornalista (...), que não deveria estar numa prisão chinesa", sublinhou Bielakowska.

No final de janeiro, Drew Thompson, ex-responsável do Pentágono para as relações com a China, disse que, na altura em que desapareceu, Minnie Chan investigava rumores sobre uma eventual investigação a Zhang Youxia, antigo número dois do Exército chinês.

Dias antes destas declarações, a China anunciou a abertura de uma investigação a Zhang, de 75 anos, um dos vice-presidentes da poderosa Comissão Militar Central (CMC), por "graves violações da disciplina", um eufemismo habitualmente utilizado para designar atos de corrupção.

Minnie Chan terá trocado mensagens com Drew Thompson semanas antes de desaparecer.

"Ela era uma amiga. Sabia tudo sobre o ELP [Exército de Libertação Popular] e ajudava-nos a entender melhor a China. Espero que agora, com a investigação tornada pública, possa ser libertada", disse Thompson, em janeiro.

Em 28 de agosto, as autoridades chinesas anunciaram a destituição formal de Zhang Youxia como vice-presidente da CMC, o órgão máximo de comando das Forças Armadas chinesas, presidido por Xi Jinping.

Questionado sobre Minnie Chan no final de 2023, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Wenbin, disse: "Não estou a par dessa [situação]".

A China é "o país que mais jornalistas prende no mundo", com 119 detidos atualmente, disse a RSF.

"Nos últimos anos, vários jornalistas foram raptados ou detidos secretamente e mantidos incomunicáveis, muitas vezes num sistema de detenção sigilosa conhecido como vigilância residencial em local designado", disse a organização.

A RSF dá como exemplo a jornalista chinesa da Bloomberg Haze Fan, que desapareceu em 2020 e foi libertada sob fiança em 2022, e Cheng Lei, jornalista australiana detida em 2020 e libertada em 2023.

De acordo com o Índice Mundial de Liberdade de Imprensa da RSF referente a 2026, a China ocupa a 178ª posição entre 180 países e territórios. Hong Kong estava na 140.ª posição, uma queda em relação à 18.ª posição registada em 2002.


Leia Também: ONG denuncia tortura contra detidos por motivos políticos na China

«A organização Chinese Human Rights Defenders (CHRD) denunciou hoje que as autoridades chinesas continuam a recorrer à tortura e a maus-tratos contra pessoas detidas por motivos políticos e que as denúncias raramente resultam em investigações ou sanções.

Num relatório divulgado hoje, a organização analisou 209 casos de alegada tortura registados entre 2016 e 2025 em diferentes regiões da China, além de entrevistas com 25 defensores dos direitos humanos, familiares e advogados.

Segundo a CHRD, em um de cada cinco casos analisados foram denunciadas agressões físicas por parte das autoridades, enquanto outros detidos afirmaram ter sido submetidos a choques elétricos ou isolamento...

Poluição do ar pode aumentar risco de comportamentos suicidas, diz estudo... A exposição a poluentes atmosféricos, especialmente a partículas finas e ao dióxido de azoto, aumenta significativamente os pensamentos suicidas e o risco de morte por suicídio, segundo uma meta-análise publicada hoje no Journal of Epidemiology & Community Health

© Shutterstock     Por  LUSA  16/09/2026 

De acordo com uma meta-análise publicada no Journal of Epidemiology & Community Health, a exposição a poluentes atmosféricos, especialmente a partículas finas e ao dióxido de azoto, aumenta significativamente os pensamentos suicidas e o risco de morte por suicídio.

Os resultados do estudo, realizado pelo Centro de Saúde Pública da Universidade Queen's de Belfast, no Reino Unido, indicam que os fatores do ambiente - em especial as exposições ambientais - devem ser tratados como potenciadores de risco nas estratégias de prevenção do suicídio.

Por isso, os autores recomendam integrar a proteção ambiental e o planeamento urbano como ferramentas essenciais para a prevenção do suicídio.

O trabalho relembra que, todos os anos, morrem mais de 720.000 pessoas por suicídio no mundo, o que levou a Organização Mundial de Saúde a desenvolver um Plano de Ação em Saúde Mental para reduzir este problema de saúde pública global, pelo menos um terço entre 2013 e 2030.

O efeito da exposição a fatores ambientais sobre transtornos mentais como a depressão ou a ansiedade tem sido amplamente estudado, mas sobre o risco de suicídio é menos conhecido.

Para descobrir isso, os investigadores analisaram os dados existentes sobre a poluição ambiental, acústica, luminosa e hídrica, e tiveram em conta fatores sociodemográficos como o sexo e os rendimentos, que também poderiam influenciar o risco de morte por suicídio e os comportamentos suicidas.

Depois de procurarem exaustivamente nas bases de dados de investigação e em estudos publicados em inglês entre janeiro de 2010 e abril de 2024, os autores selecionaram 45 estudos (38 sobre a poluição ambiental, 3 sobre a acústica e um sobre a luminosa), dos quais 29 foram submetidos a uma meta-análise e 16 a uma revisão.

A análise mostrou que a exposição a curto prazo (menos de seis meses) a partículas finas em suspensão PM2,5 (13 estudos) e PM10 (7 estudos) e a exposição a longo prazo (durante mais de seis meses) a PM2,5 (6 estudos) e NO2 (7 estudos) estão relacionadas de forma "estatisticamente significativa" com o risco de morte por suicídio, tentativas e pensamentos suicidas.

Além disso, a revisão revelou a relação com outros poluentes do ar, como o dióxido de enxofre (SO2), o ozono (O3) e o monóxido de carbono (CO), e com a poluição sonora. O número limitado de estudos impediu a avaliação dos efeitos da poluição da água e da luz.

Por fim, a análise encontrou associações claras entre o risco de morte por suicídio ou pensamentos suicidas e os fatores sociodemográficos.

Os autores explicam que o facto de a poluição influenciar o risco de comportamentos suicidas deve-se a que os poluentes atmosféricos, incluindo PM2,5, PM10, NO2, SO2 e O3, e a água contaminada com arsénio, chumbo, lítio ou nitrato, causam inflamação crónica e danos nervosos, o que altera a função cerebral e influencia o estado de ânimo e a capacidade de resistência ao stress.

Os investigadores também lembram que há evidências de que a poluição sonora influencia alguns transtornos de saúde mental, como a ansiedade e a depressão, e que a exposição ao ruído ambiental, como o tráfego noturno ou ferroviário, gera stress crónico e altera o relógio biológico.

Embora os investigadores reconheçam diversas limitações nos seus achados, entre elas o reduzido número de estudos disponíveis sobre cada resultado, concluem que os resultados "colocam em evidência a importância crucial de reconhecer as exposições ambientais como fatores de risco modificáveis nos esforços de prevenção do suicídio".

"A integração da saúde ambiental nas políticas de saúde mental, através da colaboração intersetorial, das estratégias de redução da poluição e das intervenções de saúde pública poderia desempenhar um papel vital na redução do risco de suicídio e na melhoria do bem-estar mental geral da população", escrevem os autores.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

GUERRA NA UCRÂNIA: Zelensky revela que Rússia tentou atacar o seu avião duas vezes... O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, revelou que a Rússia tentou atingir o avião presidencial da Ucrânia em duas ocasiões nas últimas semanas, durante voos com origem ou destino na Moldova.

© Benjamin Girette/Bloomberg via Getty Images   Por  noticiasaominuto.com  15/09/2026 

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, revelou esta terça-feira que a Rússia tentou atacar o avião presidencial onde seguia em duas ocasiões distintas ao longo das últimas semanas. 

"Na Moldova, o meu avião presidencial estava lá, e foi por isso que atacaram a Moldova", explicou Zelensky, em entrevista à CBS News. "Quando regressámos a casa, novamente via Chisinau, fizeram o mesmo."

As declarações de Zelensky surgem após o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Store, ter afirmado que o avião do presidente ucraniano "quase foi atingido" por um drone no espaço aéreo moldavo quando descolava em direção a Oslo para o funeral de estado do rei Harald V, na passada quarta-feira. 

"O avião dele quase foi atingido por um drone durante a descolagem na Moldova. Esta é a realidade em que ele vive", afirmou o governante norueguês.

Segundo Zelensky, mais "um ou dois drones" entraram depois no espaço aéreo moldavo durante a sua viagem de regresso à Ucrânia. 

Após o incidente, as autoridades ucranianas adiantaram que todos os membros da delegação presidencial estavam "em segurança" e afirmaram que não estava claro se o incidente tinha sido intencional.

No entanto, à CBS News, Zelensky considerou que os ataques faziam parte de uma estratégia russa para o intimidar e a outros líderes mundiais, dando como exemplo um drone russo que atingiu um comboio de passageiros que transportava vários altos funcionários, perto da fronteira com a Polónia, no domingo.

"Talvez não soubessem que alguns americanos estavam lá ou talvez, pelo contrário, soubessem, porque não confio neles. Acho que sabiam", disse Zelensky à CBS News.

Sublinhe-se que um comboio com mais de 200 pessoas a bordo foi atingido num ataque lançado no domingo contra um ponto do território ucraniano perto da fronteira com a Polónia.

O comboio circulava numa linha usada pouco antes por outro em que viajavam os ex-primeiros-ministros britânico e sueco Boris Johnson e Carl Bildt, juntamente com outros diplomatas europeus, depois de assistirem a uma conferência de segurança realizada na capital ucraniana, Kyiv.

Na segunda-feira, o governo russo rejeitou as acusações contra si por este ataque, que não deixou vítimas, garantindo que aquele foi lançado "exclusivamente contra instalações militares e o transporte militar e a infraestrutura logística utilizada pelo regime de Kyiv, também no oeste da Ucrânia", nas palavras da porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova.

Guerra custou aos EUA mais de 33 mil milhões de euros até agosto... A guerra dos EUA contra o Irão custou mais de 38 mil milhões de dólares (33 mil milhões de euros) até 01 de agosto e continuará a custar pelo menos três mil milhões de dólares por mês.

© Fatemeh Bahrami/Anadolu via Getty Images   Por LUSA  15/09/2026 

A avaliação dos custos para o Departamento de Defesa norte-americano foi divulgada na terça-feira pelo Gabinete de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês), um órgão apartidário.

O CBO afirmou que se espera que a guerra contribua para a inflação até ao primeiro trimestre de 2027, elevando-a cerca de 0,5 pontos percentuais acima das estimativas anteriores.

Estes resultados estimados devem-se, em grande parte, à redução dos envios de petróleo e gás natural através do estreito de Ormuz e às interrupções no transporte marítimo através do mar Vermelho.

A estimativa de 38 mil milhões de dólares (33 mil milhões de euros), elaborada em resposta a um pedido de informação do congressista Brendan Boyle, o democrata com mais hierarquia na Comissão de Orçamento da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso), alinha em grande parte com uma estimativa anterior do secretário da Defesa, Pete Hegseth.

O governante tinha calculado os custos em 37,5 mil milhões de dólares, conforme declarado no seu depoimento ao Senado.

Segundo o CBO, os custos resultam principalmente da reposição de munições e equipamento perdidos em combate e não estão incluídas despesas relacionadas com militares norte-americanos mortos ou feridos no conflito, nem custos a longo prazo com assistência médica e indemnizações por incapacidade para os veteranos.

Boyle apontou que, para além do custo humano da guerra, "este relatório não partidário do CBO deixa claro que o conflito também custou aos contribuintes norte-americanos dezenas de milhares de milhões de dólares, um valor que continua a subir, ao mesmo tempo que impulsiona o aumento de outras despesas".

"Donald Trump e os republicanos passaram anos a dizer aos americanos que não temos condições para ajudar as famílias aqui no país, mas, aparentemente, conseguem encontrar dezenas de milhares de milhões de dólares, e potencialmente muito mais, para uma guerra imprudente que deixa os americanos a pagar a conta", frisou.

Estas conclusões surgem numa altura em que os eleitores acompanham a guerra e a subida dos preços nas vésperas das eleições intercalares, que definirão o controlo do Congresso, onde os republicanos detêm atualmente a maioria na Câmara e no Senado.

O conflito, que começou em 28 de fevereiro, dura há sete meses, sem sinais de um desfecho rápido para as hostilidades intermitentes.

A Casa Branca solicitou, em junho, um financiamento suplementar de 87,6 mil milhões de dólares, destinado sobretudo ao esforço de guerra, mas o Congresso ainda não aprovou o pedido.

O CBO informou que a parcela deste pedido aparentemente relacionada de forma direta com o conflito, 42,3 mil milhões de dólares, é cerca de 10% superior à estimativa do próprio organismo para os custos do Departamento de Defesa.

O Departamento de Defesa recusou-se a aceder ao pedido de informação do CBO para a elaboração do relatório, atitude que rompeu com as práticas habituais.

O organismo orçamental declarou ter-se baseado em bases de dados governamentais e relatórios públicos e, consequentemente, afirmou que as suas estimativas "estão sujeitas a uma considerável incerteza".

Um relatório do inspetor-geral do Pentágono divulgado na segunda-feira apontou que a guerra resultou em "deficiências estratégicas nas reservas".


Leia Também: Teerão diz que perdas dos EUA são apenas "ponta do icebergue"

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou hoje que os dados divulgados pelo Pentágono sobre as perdas norte-americanas na guerra contra Teerãp representam apenas "a ponta do icebergue".

O chefe da diplomacia iraniana contrapôs aquilo que classificou como o "mito" de que o Irão "está indefeso" aos dados divulgados na segunda-feira pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que reconheceu 18 militares mortos e mais de 400 feridos, além de dezenas de aeronaves e centenas de edifícios em bases norte-americanas destruídos ou danificados...

GUINÉ-BISSAU: CONSELHO SUPERIOR DA POLÍCIA APROVA PROJETO DE REVISÃO DA LEI ORGÂNICA DA POP

Por  Comissariado Nacional da Polícia de Ordem Pública Guiné-Bissau   15/09/2026 

O Conselho Superior da Polícia, em sessão alargada e sob a presidência de Sua Excelência o Comissário Nacional da POP, Comissário Mussá Na N'Batcha, reuniu-se para apreciar e deliberar sobre o projeto de revisão da Lei Orgânica da Polícia de Ordem Pública.

Durante a sessão, o projeto foi apresentado pela Comissão de Revisão da Lei Orgânica da POP, tendo sido posteriormente submetido à apreciação e análise dos membros do Conselho Superior da Polícia.

Após uma análise aprofundada e um amplo debate, o projeto de revisão da Lei Orgânica da POP foi aprovado, constituindo um importante passo para o reforço da organização, do funcionamento e da modernização da instituição.

A revisão deste importante instrumento jurídico visa acompanhar os novos desafios da segurança pública e contribuir para uma POP mais moderna, eficiente, organizada e preparada para responder às necessidades de segurança dos cidadãos.

A POP reafirma o seu compromisso com o fortalecimento institucional, a modernização dos seus serviços e a melhoria contínua da sua capacidade de resposta, ao serviço da segurança e da tranquilidade pública.

Rússia avisa França sobre plano nuclear: "Cria riscos para nós"... A Rússia qualificou hoje como imprudente uma proposta de dissuasão nuclear feita pela França aos aliados europeus, à qual a Finlândia decidiu aderir, e considerou-a um risco para Moscovo.

© Sefa Karacan/Anadolu via Getty Images  Por LUSA  15/09/2026 

"Classificamos esta iniciativa francesa, para falar com suavidade e muita diplomacia, de imprudente. Claro que isto cria riscos para nós", afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Moscovo.

Maria Zakharova disse que a instalação de um dispositivo nuclear francês mais perto das fronteiras da Rússia, que tem armamento nuclear, apenas o tornaria "mais fácil" de ser atingido pelo exército russo em caso de conflito.

Evocando o "mito de uma ameaça russa", Zakharova apelou aos países ocidentais para que deitem "um olhar lúcido sobre o mundo".

Os países ocidentais devem ainda levar os avisos de Moscovo "muito a sério", acrescentou, citada pela agência francesa AFP.

A Finlândia, país vizinho da Rússia, decidiu aderir à "dissuasão nuclear avançada" proposta pela França, tornando-se o décimo parceiro europeu a juntar-se à iniciativa lançada no início do ano pelo Presidente Emmanuel Macron.

Numa declaração conjunta divulgada na segunda-feira, os dois países anunciaram que "será criado nos próximos meses um grupo de coordenação nuclear para dar início à implementação da cooperação".

A Estónia, outro país fronteiriço com a Rússia, anunciou na segunda-feira estar em conversações com a França sobre uma eventual participação na iniciativa.

A França o único país da União Europeia dotado de armas atómicas.

A iniciativa de "dissuasão avançada" visa associar outros Estados europeus voluntários, nomeadamente através de exercícios e consultas estratégicas, mas sem qualquer partilha da decisão final de recurso ao armamento.


Defesa diz ao TPI que ex-presidente filipino sofre de perda de memória... O ex-presidente filipino Rodrigo Duterte sofre de uma perda significativa de memória que o impede de participar adequadamente na preparação da sua defesa, alegaram os seus advogados num documento divulgado hoje pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

© Daniel Ceng/Anadolu via Getty Images    LUSA  15/09/2026 

Duterte, de 81 anos, é acusado de crimes contra a humanidade pelo TPI, que o responsabiliza por pelo menos 76 assassinatos relacionados com a chamada "guerra contra a droga", campanha que, segundo os procuradores, provocou milhares de vítimas.

O julgamento está previsto começar em 30 de novembro, mas os juízes ordenaram uma avaliação por três especialistas para determinar se o antigo chefe de Estado filipino reúne condições mentais para ser julgado.

Os resultados da perícia não foram divulgados, mas a defesa e a acusação apresentaram as respetivas posições em documentos datados de 14 de setembro e publicados hoje, na véspera de uma audiência preliminar.

O antigo presidente "sofre de um défice de memória significativo, que o impede de reter informações recentes e de aceder às suas memórias de forma fidedigna", sustentou a defesa num documento de 13 páginas.

Segundo o chefe da equipa de defesa, Peter Haynes, esta situação inviabiliza a participação de Duterte no processo e impede-o de dar instruções adequadas aos advogados, chegando a recordar apenas de forma intermitente o nome do seu principal defensor.

Haynes afirmou que está a preparar o caso sem qualquer contributo útil do antigo presidente.

A acusação contesta esta avaliação e sustenta, num documento de sete páginas, que Duterte é "capaz de exercer de forma significativa os seus direitos processuais e o direito a um julgamento justo, e que está apto a ser julgado".

As regras do TPI estabelecem que o processo não pode prosseguir caso um arguido seja incapaz de compreender as acusações ou de participar na própria defesa.

Os advogados contestaram também as conclusões da junta médica, considerando o relatório "incompleto e inadequado", e exigiram a possibilidade de interrogar os especialistas.

Segundo a defesa, os médicos admitiram que Duterte "talvez não se tenha empenhado totalmente" nos testes, mas não conseguiram determinar se os resultados se deviam a "simulação ou falta de motivação" ou a uma incapacidade efetiva relacionada com uma patologia neurológica.

Os advogados citaram exames segundo os quais Duterte acredita estar a viver em 2007 ou 2008, pensa ter 84 ou 85 anos e não conseguiu identificar o atual Presidente dos Estados Unidos.

Duterte foi visto apenas uma vez desde a sua detenção e transferência para Haia, durante a audiência inicial de 14 de março de 2025, na qual participou por videoconferência e aparentou estar desorientado.

Os advogados pediram posteriormente que fosse dispensado das audiências seguintes por razões de saúde, mas a juíza Joanna Korner determinou a sua comparência numa audiência preliminar na quarta-feira.

As acusações contra Duterte abrangem crimes alegadamente cometidos quando era presidente da Câmara de Davao, entre 2013 e 2016, e durante a sua presidência das Filipinas, até março de 2019.


O Governo de Transição, proibe a realização de cerimónias festivas de entrega de diplomas, desde o nível pré-escolar, (jardins de infância), até ao ensino secundário, correspondente ao 12.º ano... A decisão foi tornado pública nesta terça-feira, 15 de setembro, durante uma sessão extraordinária do Conselho de Ministros. O executivo instruiu o Ministro da Educação Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica, a desenvolver as diligências necessárias com vista à implementação da decisão.

Por Radio Voz Do PovoRádio Sol Mansi  15/09/2026 

GOVERNO QUER EXTINGUIR CERIMÓNIAS DE ENTREGA DE DIPLOMAS NAS ESCOLAS

O Governo instruiu o ministro da Educação Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica a desenvolver as diligências necessárias para a extinção das cerimónias festivas de entrega de diplomas nos estabelecimentos de ensino públicos e privados, desde o ensino pré-escolar até ao 12.º ano.

A decisão foi tomada esta terça-feira, durante a reunião do Conselho de Ministros, presidida pelo primeiro-ministro e ministro da Transição, Ilídio Vieira Té.

Segundo o comunicado final da reunião, a orientação enquadra-se na preocupação do Executivo em racionalizar determinadas práticas no sistema educativo e concentrar a atenção das escolas, das famílias e dos alunos na qualidade e nos resultados do processo de ensino e aprendizagem.

Na mesma reunião, o Conselho de Ministros decidiu adiar, para posterior apreciação, a aprovação do projeto de decreto relativo aos Estatutos da Escola Nacional de Administração, ENA, bem como do Acordo-Quadro Militar entre os Governos da Guiné-Bissau e da República da Turquia.

No capítulo das Informações Gerais, a ministra dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades informou o Conselho sobre os recentes acontecimentos registados em Cabo Verde envolvendo cidadãos guineenses.

De acordo com as informações apresentadas ao Conselho, não foram registadas vítimas mortais entre cidadãos da Guiné-Bissau.

Um cidadão guineense foi atingido por um disparo numa das pernas e encontra-se hospitalizado, sob cuidados médicos e fora de perigo.

Perante a situação, o Conselho de Ministros condenou o ato, apelou à serenidade da comunidade guineense residente em Cabo Verde e exortou as autoridades cabo-verdianas competentes a assegurarem a proteção e assistência aos cidadãos guineenses naquele país.

No capítulo das nomeações, Iaia Candé foi nomeado governador da Região de Tombali, enquanto Iaia Turé foi nomeado diretor-geral da Administração do Sistema de Saúde.

O Conselho de Ministros reafirmou ainda a continuidade da ação governativa e a necessidade de assegurar o regular funcionamento das instituições públicas.

Durante a reunião, o Executivo prestou homenagem a Orlando Mendes Viegas, antigo membro do Governo, recentemente falecido em França.

Para o efeito, foi aprovado um projeto de decreto que lhe reconhece o direito a honras fúnebres, nos termos da legislação em vigor.


GUINÉ-BISSAU: DIFICULDADES NA COMPRA DE PEIXE AFETAM VENDEDORAS DO MERCADO DE BÔR

Por  Rádio Sol Mansi  15 09 2026 

As peixeiras do mercado comunitário de Bôr dizem estar a enfrentar dificuldades para adquirir peixe em quantidade suficiente para a revenda, situação que, segundo elas, está a contribuir para o aumento dos preços no mercado local.

Ouvidas esta terça-feira pela Rádio Sol Mansi, as vendedoras denunciaram a escassez de pescado e as dificuldades no acesso ao produto, situação que tem afetado diretamente os seus negócios.

“Temos vindo a deparar-nos com grandes dificuldades na obtenção do pescado, porque só nos são disponibilizadas poucas caixas. É essa situação que está a provocar a escassez de peixe no mercado. Aqui não vimos a baixa dos preços do pescado, apesar do anúncio feito pelo Governo”, afirmaram as vendedoras.

Perante a situação, as peixeiras do mercado de Bôr apelam à intervenção urgente do Governo para minimizar as dificuldades relacionadas com o acesso ao pescado. Segundo as vendedoras, a escassez e o elevado preço do peixe acabam também por afetar a alimentação da população.

“Peço ao Governo que baixe os preços do peixe no mercado, sobretudo nas mãos das empresas que nos vendem o pescado, para que possamos também ajudar a população. Ajudem-nos a diminuir os preços do pescado, porque, quando reclamamos com as empresas, dizem sempre que o Governo não tem barcos para a pesca”, apelaram as mulheres.

A Rádio Sol Mansi fez esta terça-feira uma ronda pelo mercado de Bôr, onde constatou uma fraca afluência de mulheres vendedoras de peixe, bem como dificuldades por parte dos consumidores em encontrar as espécies de pescado da sua preferência.

A falta de poder de compra foi igualmente apontada como um dos fatores que condicionam o movimento no mercado.

Eurodeputados apontam Rússia como principal ameaça externa à UE... O Parlamento Europeu (PE) apontou a Rússia como a principal ameaça externa à UE, num relatório, hoje aprovado, em sessão plenária, das conclusões da Comissão Especial sobre o Escudo Europeu da Democracia.

© Lusa   15/09/2026 

Os eurodeputados validaram, com 420 votos a favor, 220 contra e 26 abstenções, o relatório sobre ingerência estrangeira que inclui recomendações para a defesa das instituições europeias.

O PE apoiou também a criação em curso do Centro Europeu da Resiliência Democrática, que ajudará a evitar a fragmentação dos esforços existentes, ligando as redes e estruturas existentes que já trabalham nas opções de prevenção, deteção, análise e resposta a padrões de ameaças no espaço de informação, ajudando cada uma delas a realizar todo o potencial e evitando duplicações.

Os eurodeputados consideraram que a participação deve ser obrigatória para todos os Estados-Membros e o controlo parlamentar deve estar assegurado.

O PE destacou ainda os ataques híbridos da Rússia a infraestruturas críticas, como ciberataques, sabotagem física, fogo posto, espionagem e interferência de sinais, também provenientes da Bielorrússia, da China, do Irão e da Coreia do Norte.

Os deputados querem alargar as sanções aos facilitadores de desinformação e a quem ajuda a contornar as sanções existentes.

A proteção da soberania da UE, o garante da integridade eleitoral e a liberdade dos meios de comunicação social são também abordados no texto votado.


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A presidente da Comissão Europeia classificou hoje como "imprudente e perigoso" o comportamento da Rússia, após incidentes com um navio de guerra russo junto à Dinamarca e um drone no espaço aéreo da Lituânia.

"Mais uma vez, a Europa acordou perante um comportamento russo imprudente e perigoso: um navio de guerra russo disparou sinalizadores de emergência perigosamente perto de um helicóptero dinamarquês e um drone entrou no espaço aéreo da Lituânia antes de ser destruído por caças da NATO", afirmou Ursula von der Leyen, numa publicação nas redes sociais...

GUINÉ-BISSAU DEFENDE HARMONIZAÇÃO DAS LEIS DE CONCORRÊNCIA NA CEDEAO

Por Radio Voz Do Povo  15/09/2026

O Ministro do Comércio e da Indústria, Jaimentino Có, defendeu esta terça-feira, em Banjul, a harmonização das legislações nacionais e comunitárias em matéria de concorrência, como forma de garantir mercados mais integrados, competitivos e eficientes na região da CEDEAO.

A posição foi apresentada durante a Primeira Conferência Anual da Autoridade Regional da Concorrência da CEDEAO (ARCC), que decorre de 15 a 17 de setembro, em Banjul, sob o tema “Política de Concorrência e Integração de Mercado na CEDEAO: Questões, Desafios e Oportunidades”.

Na sua intervenção, subordinada ao tema “Harmonização das Legislações Comunitárias e Nacionais da Concorrência: Experiência da Guiné-Bissau”, o ministro destacou que a aproximação das legislações permite combater práticas anticoncorrenciais, reforçar a cooperação entre autoridades e criar regras mais previsíveis para os operadores económicos.

Jaimentino Có salientou ainda que uma política de concorrência eficaz deve contribuir para a formalização da economia, reduzir barreiras à entrada e melhorar o acesso das pequenas e médias empresas ao financiamento, tecnologia e mercados.

Sobre a experiência da Guiné-Bissau, o governante destacou os avanços na construção institucional e legislativa, com apoio da UEMOA e da CEDEAO, nomeadamente na estruturação da Autoridade Nacional da Concorrência.

A cerimónia de abertura dos trabalhos foi presidida pelo Vice-Presidente da República da Gâmbia, Mohammed B.S. Jallow, em representação do Presidente da República, Adama Barrow.

O encontro de alto nível reúne durante três dias, delegações ministeriais, peritos e altos representantes dos Estados-Membros da organização sub-regional, com especial participação de Suzi Carla Barbosa, antiga Ministra dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades da Guiné-Bissau.


CABO VERDE: Partido no poder em Cabo Verde apoia recandidatura de chefe de Estado... A Comissão Política Nacional do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) aceitou a proposta de apoio à recandidatura de José Maria Neves à Presidência da República, anunciou hoje o partido.

© Lusa   15/09/2026 

"A proposta será submetida ao Conselho Nacional do PAICV, órgão competente para a apreciação e formalização desta decisão", lê-se em comunicado, subscrito pelo secretário-geral, Vladmir Ferreira.

A Comissão Política Nacional defende que o chefe de Estado, que na segunda-feira anunciou a recandidatura, "reúne as condições políticas, institucionais e de experiência necessárias para continuar a exercer as funções" contribuindo para "a estabilidade institucional, o respeito pela Constituição e o regular funcionamento das instituições democráticas".

José Maria Neves procura um segundo mandato, depois de eleito em 2021, e já tinha sido primeiro-ministro durante três mandatos, entre 2001 e 2016, enquanto líder do PAICV.

Sobre apoios partidários, Neves referiu que já falou com várias forças e figuras para que se crie "um grande movimento nacional".

"Queremos que este país vença sempre e para vencer temos de estar juntos", disse.

Além de outras candidaturas que ainda possam ser apresentadas, José Maria Neves, 66 anos, deverá enfrentar Joana Rosa, 61 anos, que anunciou a candidatura à Presidência da República a 24 de junho, depois de ter exercido durante cinco anos o cargo de ministra da Justiça no Governo do Movimento para a Democracia (MpD, atual oposição) – que já lhe declarou apoio.

O prazo para apresentação de candidaturas às eleições presidenciais termina 60 dias antes, ou seja, esta quarta-feira.


Leia Também: Cabo Verde: José Maria Neves anuncia candidatura a segundo mandato... 

O Presidente da República, José Maria Neves, anunciou esta segunda-feira a sua candidatura a um segundo mandato à Presidência da República, defendendo que o próximo ciclo presidencial deve estar orientado para os desafios futuros do país e não para a repetição dos últimos cinco anos.

Rússia ameaça acabar com a Polónia "em dias" caso esta entre em conflito... Conselheiro de Vladimir Putin considera que a Polónia não está ciente do poderio militar russo e deixa aviso: Se a Polónia entrar em conflito militar com a Rússia "deixa de existir no espaço de dois ou três dias"

© Getty Images/Vladimir Shevchenko/Anadolu  noticiasaominuto.com  15/09/2026 

O conselheiro  do presidente russo Nikolai Patrushev afirmou hoje que Moscovo está preparada para utilizar "todo o seu arsenal" contra a Polónia, caso Varsóvia decida entrar num conflito militar com a Rússia.

Segundo o mesmo, se isso acontecesse, a  Rússia conseguiria acabar com a Polónia em poucos dias.

"Se a Polónia se envolver em ações militares contra a Rússia, o nosso país mobilizará todo o seu arsenal de forças e recursos, e o Estado polaco deixará de existir no espaço de dois ou três dias", afirmou.

O responsável russo respondia assim às declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros polaco, Radosław Sikorski, relativas às capacidades militares dos dois países.

Segundo Patrushev, o ministro dos Negócios Estrangeiros polaco está a subestimar as capacidades militares da Rússia.

"O chefe da diplomacia polaca está claramente a fazer uma avaliação amadora do poderio militar do nosso país, sem querer compreender que, durante uma operação militar especial, as forças armadas russas não utilizam todo o seu potencial", atirou.

O ministro polaco, note-se, afirmou na noite desta segunda-feira, em entrevista ao programa televisivo "Tak jest" que o país estava a entrar "numa zona cinzenta de crise", e que seria necessário tomar medidas.

Recorde-se também que, no fim de semana, o Kremlin intensificou os seus ataques na Ucrânia muito perto da fronteira com a Polónia, afirmando que fazem parte das missões das forças armadas russas.

Um drone russo atingiu no domingo a locomotiva de um comboio de passageiros que fazia a ligação entre Kyiv e Varsóvia, quando se encontrava a cerca de dois quilómetros da fronteira polaca.

As autoridades de Varsóvia indicaram ainda que outro drone atingiu um posto de abastecimento de combustível próximo de uma passagem fronteiriça, mas ainda em território ucraniano.

O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, presidiu a uma reunião de emergência após os ataques e alertou para a possibilidade de uma intensificação das ações militares russas na Ucrânia, salientando acreditar que uma eventual escalada possa vir a afetar o território da Polónia.

Também a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, considerou que o ataque contra o comboio ucraniano teve como objetivo "assustar os aliados" da Ucrânia e levá-los a abandonar o apoio a Kyiv.


Comando Militar deu sete dias aos partidos políticos para afastarem as suas sedes dos Órgãos de Soberania, hospitais, representações diplomáticas e aquartelamentos militares e paramilitares. A medida exige uma distância mínima de 500 metros e foi anunciada esta terça-feira. O Comando Militar avisa que serão tomadas medidas caso a ordem não seja cumprida.

Por  Radio Voz Do Povo / Radio TV Bantaba 

Alto Comando Militar dá sete dias aos partidos para mudarem de sede

O Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança e Ordem Pública determinou que os partidos políticos cujas sedes estejam localizadas a menos de 500 metros de instalações de órgãos de soberania, estabelecimentos hospitalares, representações diplomáticas ou unidades militares e paramilitares devem mudar de local no prazo de sete dias úteis.

A determinação consta da Resolução n.º 01/ACM/2026, tornada pública esta terça-feira, 15 de setembro, após uma sessão extraordinária realizada na segunda-feira.

De acordo com o documento, a medida visa assegurar o cumprimento do n.º 4 do artigo 10.º da Lei n.º 07/2026, de 24 de fevereiro, Lei-Quadro dos Partidos Políticos, que proíbe a instalação e o funcionamento de sedes partidárias a uma distância inferior a 500 metros das referidas instituições.

O Alto Comando Militar justifica a decisão com a necessidade de preservar o clima de paz e segurança no país e reafirma o compromisso de conduzir o processo de transição no respeito pelos princípios constitucionais e legais, pela segurança nacional e pelo Estado de direito democrático.

A resolução refere ainda o retorno gradual à normalidade constitucional, através da realização das eleições gerais marcadas pelo Decreto Presidencial n.º 02/PRT/2026, de 21 de janeiro.

O ministro do Interior foi encarregado de realizar todas as diligências necessárias para garantir a execução da medida. A resolução entrou imediatamente em vigor.

COMUNICADO | Cabo Verde 🇬🇼🇨🇻 📢... O Ministério dos Negócios Estrangeiros informa que está a acompanhar atentamente a situação da comunidade guineense residente em Cabo Verde e que permanece mobilizado, em articulação com as autoridades competentes, para garantir a proteção, a assistência e o bem-estar dos cidadãos guineenses.

Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Guiné-Bissau.

Relatório: Democracia nos EUA atinge níveis mais baixos dos últimos 50 anos: "Parte significativa da instabilidade pode ser atribuída a Trump"... A liberdade de imprensa, a liberdade de expressão, o acesso à justiça e a independência judicial estão entre os indicadores em queda. A nível global, o Estado de direito continua a deteriorar-se, indica o relatório "A Democracia numa Era de Conflito".

Por  SIC Notícias/Lusa  15/09/2026 

A democracia nos Estados Unidos atingiu os níveis mais baixos dos últimos 50 anos em vários indicadores, enquanto o Estado de direito continua a deteriorar-se a nível mundial, indica um relatório publicado esta terça-feira.

O relatório "Estado Global da Democracia 2026", do Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (International IDEA), mostra que a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão, o acesso à justiça e a independência judicial estão entre os indicadores em queda.

"Uma parte significativa da instabilidade atual pode ser atribuída ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cujo governo remodelou a cultura política nos EUA, onde o poder é agora personalizado e utilizado para promover objetivos individuais restritos e levar a cabo vinganças contra quem critica o presidente ou as suas políticas", lê-se no documento, intitulado "A Democracia numa Era de Conflito".

Comparando 2025 com 2020, "a evolução da qualidade da democracia norte-americana foi inteiramente negativa: o país registou sete recuos estatisticamente significativos em vários indicadores relativos à governação representativa, às liberdades civis e ao Estado de direito" sem verificar avanços correspondentes, refere.

Os autores do relatório entendem que as mudanças políticas nos EUA "tiveram consequências para a democracia para além das fronteiras do país".

"A erosão da democracia nos EUA parece coincidir com uma crescente disposição para contornar o direito internacional e promover os interesses nacionais através de ações unilaterais", referem.

Europa continua com melhor desempenho democrático, mas retrocessos estão a aumentar

Segundo o estudo, 98 dos 173 países (57%) avaliados registaram uma deterioração em pelo menos um indicador essencial do desempenho democrático entre 2020 e 2025 e só 55 (32%) registaram progressos no mesmo período.

O ano passado marcou o 11.º ano consecutivo em que o número de países com retrocessos democráticos superou o daqueles que registaram melhorias.

O relatório de 199 páginas avalia os países em quatro grandes categorias (Representação, Direitos, Estado de Direito e Participação).

Os autores alertam que a deterioração global da democracia está a aumentar o risco de conflitos violentos, e que o enfraquecimento das instituições democráticas ameaça décadas de progresso da "paz democrática".

O International IDEA defende que o apoio internacional à democracia deve ser considerado uma prioridade de segurança nacional, e que mesmo investimentos moderados nesta área podem contribuir para reduzir as condições que favorecem o desencadear de conflitos.

A Europa continua a ser a região com melhor desempenho democrático no mundo, embora os retrocessos estejam a aumentar, sobretudo nos domínios das liberdades cívicas, do acesso à justiça e da realização de eleições credíveis.

Em África e na Ásia Ocidental registaram-se mais retrocessos democráticos do que progressos, e na Ásia e no Pacífico registaram-se mais progressos do que retrocessos quando o Afeganistão e Myanmar são excluídos da análise.

O relatório destaca ainda melhorias democráticas e sinais encorajadores de renovação democrática em países como Bangladesh, Nepal, Polónia, Sri Lanka e Síria, embora sublinhe que esses avanços permanecem frágeis.