quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Jornalista desaparecida há três anos estará detida na China... A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) disse acreditar que Minnie Chan, uma jornalista do diário de Hong Kong South China Morning Post que desapareceu em Pequim em outubro de 2023, se encontra detida pelas autoridades chinesas.

© Twitter/WomenInJournalism   LUSA  16/09/2026 

Num comunicado divulgado na terça-feira, a organização de defesa da liberdade de imprensa recordou que Minnie Chan desapareceu enquanto cobria o Fórum de Xiangshan, a principal conferência anual de diplomacia militar da China.

A edição deste ano do Fórum de Xiangshan sobre defesa e segurança começou na terça-feira e decorre durante três dias na capital chinesa.

A RSF disse que, de acordo com "várias fontes" não identificadas, Minnie Chan estará a ser "mantida sob custódia pelo regime chinês".

A organização disse que as acusações "não foram divulgadas publicamente", mas "parecem estar relacionadas com a segurança nacional" da China, pelo que a jornalista poderá enfrentar uma pena de pelo menos 10 anos de prisão.

"Continuamos profundamente preocupados com a situação de Minnie Chan", disse a gestora de advocacia da RSF para a Ásia-Pacífico, Aleksandra Bielakowska, citada no comunicado.

"Não podemos permitir que o mundo se esqueça de Minnie Chan. Precisamos de apoiar a repórter, a sua família e os seus amigos enquanto o Governo chinês tenta apagar qualquer informação sobre ela do conhecimento público", acrescentou.

"O seu paradeiro deve ser revelado, e a comunidade internacional deve fazer todo o possível para garantir a libertação desta jornalista (...), que não deveria estar numa prisão chinesa", sublinhou Bielakowska.

No final de janeiro, Drew Thompson, ex-responsável do Pentágono para as relações com a China, disse que, na altura em que desapareceu, Minnie Chan investigava rumores sobre uma eventual investigação a Zhang Youxia, antigo número dois do Exército chinês.

Dias antes destas declarações, a China anunciou a abertura de uma investigação a Zhang, de 75 anos, um dos vice-presidentes da poderosa Comissão Militar Central (CMC), por "graves violações da disciplina", um eufemismo habitualmente utilizado para designar atos de corrupção.

Minnie Chan terá trocado mensagens com Drew Thompson semanas antes de desaparecer.

"Ela era uma amiga. Sabia tudo sobre o ELP [Exército de Libertação Popular] e ajudava-nos a entender melhor a China. Espero que agora, com a investigação tornada pública, possa ser libertada", disse Thompson, em janeiro.

Em 28 de agosto, as autoridades chinesas anunciaram a destituição formal de Zhang Youxia como vice-presidente da CMC, o órgão máximo de comando das Forças Armadas chinesas, presidido por Xi Jinping.

Questionado sobre Minnie Chan no final de 2023, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Wenbin, disse: "Não estou a par dessa [situação]".

A China é "o país que mais jornalistas prende no mundo", com 119 detidos atualmente, disse a RSF.

"Nos últimos anos, vários jornalistas foram raptados ou detidos secretamente e mantidos incomunicáveis, muitas vezes num sistema de detenção sigilosa conhecido como vigilância residencial em local designado", disse a organização.

A RSF dá como exemplo a jornalista chinesa da Bloomberg Haze Fan, que desapareceu em 2020 e foi libertada sob fiança em 2022, e Cheng Lei, jornalista australiana detida em 2020 e libertada em 2023.

De acordo com o Índice Mundial de Liberdade de Imprensa da RSF referente a 2026, a China ocupa a 178ª posição entre 180 países e territórios. Hong Kong estava na 140.ª posição, uma queda em relação à 18.ª posição registada em 2002.


Leia Também: ONG denuncia tortura contra detidos por motivos políticos na China

«A organização Chinese Human Rights Defenders (CHRD) denunciou hoje que as autoridades chinesas continuam a recorrer à tortura e a maus-tratos contra pessoas detidas por motivos políticos e que as denúncias raramente resultam em investigações ou sanções.

Num relatório divulgado hoje, a organização analisou 209 casos de alegada tortura registados entre 2016 e 2025 em diferentes regiões da China, além de entrevistas com 25 defensores dos direitos humanos, familiares e advogados.

Segundo a CHRD, em um de cada cinco casos analisados foram denunciadas agressões físicas por parte das autoridades, enquanto outros detidos afirmaram ter sido submetidos a choques elétricos ou isolamento...

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