© Fatemeh Bahrami/Anadolu via Getty Images Por LUSA 15/09/2026
A avaliação dos custos para o Departamento de Defesa norte-americano foi divulgada na terça-feira pelo Gabinete de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês), um órgão apartidário.
O CBO afirmou que se espera que a guerra contribua para a inflação até ao primeiro trimestre de 2027, elevando-a cerca de 0,5 pontos percentuais acima das estimativas anteriores.
Estes resultados estimados devem-se, em grande parte, à redução dos envios de petróleo e gás natural através do estreito de Ormuz e às interrupções no transporte marítimo através do mar Vermelho.
A estimativa de 38 mil milhões de dólares (33 mil milhões de euros), elaborada em resposta a um pedido de informação do congressista Brendan Boyle, o democrata com mais hierarquia na Comissão de Orçamento da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso), alinha em grande parte com uma estimativa anterior do secretário da Defesa, Pete Hegseth.
O governante tinha calculado os custos em 37,5 mil milhões de dólares, conforme declarado no seu depoimento ao Senado.
Segundo o CBO, os custos resultam principalmente da reposição de munições e equipamento perdidos em combate e não estão incluídas despesas relacionadas com militares norte-americanos mortos ou feridos no conflito, nem custos a longo prazo com assistência médica e indemnizações por incapacidade para os veteranos.
Boyle apontou que, para além do custo humano da guerra, "este relatório não partidário do CBO deixa claro que o conflito também custou aos contribuintes norte-americanos dezenas de milhares de milhões de dólares, um valor que continua a subir, ao mesmo tempo que impulsiona o aumento de outras despesas".
"Donald Trump e os republicanos passaram anos a dizer aos americanos que não temos condições para ajudar as famílias aqui no país, mas, aparentemente, conseguem encontrar dezenas de milhares de milhões de dólares, e potencialmente muito mais, para uma guerra imprudente que deixa os americanos a pagar a conta", frisou.
Estas conclusões surgem numa altura em que os eleitores acompanham a guerra e a subida dos preços nas vésperas das eleições intercalares, que definirão o controlo do Congresso, onde os republicanos detêm atualmente a maioria na Câmara e no Senado.
O conflito, que começou em 28 de fevereiro, dura há sete meses, sem sinais de um desfecho rápido para as hostilidades intermitentes.
A Casa Branca solicitou, em junho, um financiamento suplementar de 87,6 mil milhões de dólares, destinado sobretudo ao esforço de guerra, mas o Congresso ainda não aprovou o pedido.
O CBO informou que a parcela deste pedido aparentemente relacionada de forma direta com o conflito, 42,3 mil milhões de dólares, é cerca de 10% superior à estimativa do próprio organismo para os custos do Departamento de Defesa.
O Departamento de Defesa recusou-se a aceder ao pedido de informação do CBO para a elaboração do relatório, atitude que rompeu com as práticas habituais.
O organismo orçamental declarou ter-se baseado em bases de dados governamentais e relatórios públicos e, consequentemente, afirmou que as suas estimativas "estão sujeitas a uma considerável incerteza".
Um relatório do inspetor-geral do Pentágono divulgado na segunda-feira apontou que a guerra resultou em "deficiências estratégicas nas reservas".
Leia Também: Teerão diz que perdas dos EUA são apenas "ponta do icebergue"
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou hoje que os dados divulgados pelo Pentágono sobre as perdas norte-americanas na guerra contra Teerãp representam apenas "a ponta do icebergue".
O chefe da diplomacia iraniana contrapôs aquilo que classificou como o "mito" de que o Irão "está indefeso" aos dados divulgados na segunda-feira pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que reconheceu 18 militares mortos e mais de 400 feridos, além de dezenas de aeronaves e centenas de edifícios em bases norte-americanas destruídos ou danificados...

Sem comentários:
Enviar um comentário