terça-feira, 11 de agosto de 2026

SÍRIA: Bashar al-Assad condenado à pena de morte por crimes contra a humanidade... Um tribunal da Síria condenou hoje à pena de morte, à revelia, o ex-presidente Bashar al-Assad, derrubado em dezembro de 2024. Governou o país com mão de ferro durante 24 anos, reprimindo de forma sangrenta uma rebelião que se transformou em guerra, uma das mais brutais do século XXI.

© OMAR HAJ KADOUR/AFP via Getty Images  Por  Notícias ao Minuto com Lusa   11/08/2026 

Bashar al-Assad foi condenado à pena de morte por crimes contra a humanidade na Síria, avança a AFP.

O antigo governante foi condenado após o ter considerado culpado das acusações de "crimes de guerra" e "crimes contra a humanidade" cometidos durante a guerra civil no país.

A sentença contra Assad, que fugiu com a família para Moscovo, na Rússia, em dezembro de 2024, é a primeira proferida pelas autoridades de transição.

O presidente sírio, Bashar al-Assad, cujo regime foi derrubado em 2024, governou o país com mão de ferro durante 24 anos, reprimindo de forma sangrenta uma rebelião que se transformou em guerra, uma das mais brutais do século XXI.

O percurso político de Bashar al-Assad 

Nascido em 11 de setembro de 1965, Bashar não estava destinado a tornar-se presidente, mas a sua vida mudou radicalmente quando o seu irmão mais velho, Bassel, que sucederia ao seu pai, morreu num acidente de viação em 1994.

Teve então de abandonar os estudos em Londres, onde conheceu a futura mulher, Asma, uma mulher sunita sírio-britânica, com quem teve três filhos.

Quando o pai morreu, em 2000, Bashar tornou-se presidente por referendo, sem oposição.

Quando prestou juramento, aos 34 anos, para muitos sírios que procuravam mais liberdades, Bashar personificava a imagem de um reformador, capaz de pôr fim a anos de repressão e de estabelecer uma economia mais liberal num país com um controlo estatal sufocante.

No início da sua presidência, Bashar apareceu em público a conduzir o seu carro e a jantar num restaurante sozinho com a mulher, acabando por afrouxar algumas das restrições impostas pelo pai.

Mas a imagem de reformador dissipou-se muito rapidamente, com a detenção e prisão de intelectuais, professores e outros adeptos do movimento reformista, no final de uma breve "Primavera de Damasco".

Quando a Primavera Árabe se espalhou pela Síria, em março de 2011, a população organizou manifestações pacíficas para apelar à mudança.

Bashar al-Assad, que era também o comandante em chefe das Forças Armadas, liderou então uma repressão brutal, rapidamente seguida por uma guerra civil.

Durante a guerra, que deixou mais de 500 mil mortos e deslocou metade da população, Bashar manteve-se sempre firme nas suas posições.

Com o apoio dos seus patrocinadores iranianos e russos, conseguiu reconquistar dois terços do território. Internamente, a sua "perseverança e rigor" conseguiram "monopolizar os poderes de decisão e garantir o apoio total do exército", explica um investigador em Damasco.

Mesmo no auge da guerra civil, Bashar permaneceu imperturbável, convencido da sua capacidade de esmagar uma rebelião que denunciou como "terrorista" e produto de "uma conspiração" de países inimigos para o derrubar.

Abandonado pelos seus aliados russos e iranianos, eles próprios muito enfraquecidos, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), Bashar al-Assad foi obrigado hoje a fugir do país, 11 dias após o lançamento, a 27 de novembro, de uma ofensiva relâmpago dos rebeldes, à qual as suas forças quase não ofereceram resistência.

O colapso do regime de Bashar al-Assad aconteceu às mãos dos insurgentes liderados pela Organização de Libertação do Levante (OLL ou Hayat Tahrir al Sham ou HTS, em árabe), apoiados pela Turquia, que tomaram Damasco após uma ofensiva quase sem resistência.

Entre os símbolos mais fortes da queda de Damasco está a libertação da sinistra prisão de Sednaya, onde milhares de opositores ao poder da dinastia al-Assad foram presos, torturados e assassinados.

"Um inominável" regime, como hoje o classificou o ministério português dos Negócios Estrangeiros, numa mensagem na rede social X: "Portugal, com os parceiros europeus, segue de perto a situação na Síria. O fim do inominável regime de Assad deve conduzir a uma transição pacífica e inclusiva de todas as comunidades, na linha da Resolução 2254 do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O povo sírio tem direito à paz".

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