terça-feira, 11 de agosto de 2026

MALI: Cerca de 40.000 pessoas deslocadas no Mali após novos confrontos... Cerca de 40.000 pessoas abandonaram as suas casas no Mali, desde o final de abril, após o ressurgimento dos confrontos e bombardeamentos no norte e centro do país, anunciaram hoje fontes humanitárias, locais e de segurança.

© Shutterstock     Por LUSA   11/08/2026 

"Milhares de pessoas chegaram a cidades como Gao e Ménaka [norte] desde os acontecimentos de 25 de abril, seguidos dos confrontos recentes na zona de Anéfis", cidade estratégica e palco recente de combates entre o exército e os rebeldes tuaregues pelo seu controlo, indicou o responsável de uma Organização Não-Governamental (ONG) à agência de notícias France-Press (AFP).

Um responsável pelo desenvolvimento social declarou que "cerca de 40.000 pessoas" deixaram as localidades onde viviam.

Nos últimos meses, os combates voltaram a intensificar-se no Mali desde uma vasta ofensiva, no final de abril, levada a cabo por uma coligação formada por extremistas do Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (JNIM) - afiliado da Al-Qaeda - e por separatistas da Frente de Libertação do Azawad (FLA), durante a qual o ministro da Defesa maliano foi morto e a cidade estratégica de Kidal (Norte) foi tomada por esta coligação.

Segundo uma fonte local, só na cidade de Gao, a maior do Norte do Mali, há "mais de 7.000 novos deslocados nos últimos três meses", um afluxo de uma magnitude sem precedentes num período tão curto nos últimos anos neste país do Sahel.

Além disso, "há duas semanas que o exército intensificou os bombardeamentos aéreos em zonas como Tinzawatene, [região de Kidal], destruindo centros de saúde e provocando novas deslocações de populações", afirmou uma fonte de segurança.

Os deslocados, que chegaram a Gao e Ménaka, provêm na sua maioria de Kidal, na sequência da deterioração da situação nessa região, que se tornou zona de combate afetada por ataques regulares do exército.

O Mali conta oficialmente com mais de 400.000 deslocados, mas este número é considerado subestimado por muitos intervenientes do setor.

Este país africano está a atravessar, desde 2012, uma profunda crise de segurança.

Desde dois golpes de Estado sucessivos em 2020 e 2021, é governado por militares que chegaram ao poder com a promessa de restabelecer a segurança e preservar a sua integridade territorial.


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