© Shutterstock Por noticiasaominuto.com 14/08/2026
A alteração da tipologia de um regime alimentar não passa somente por uma mudança de mentalidade, quando decide parar de comer carne e passa a restringir todos os produtos de origem animal na sua dieta, o corpo regista uma "alteração química".
Uns fazem-no por uma questão de saúde, outros por prioridades ambientais e outros por questões religiosas. As motivações até podem ser diferentes, mas os efeitos produzidos no organismo não diferem em muito, com exceção para condições metabólicas e genéticas.
Embora o impacto não seja imediato, especialistas revelam ao Science Alert que a decisão de deixar de comer carne pode implicar, não só repercussões no estado emocional, como também no metabolismo.
O que diz a ciência acerca dessa restrição alimentar?
Depois de testarem os efeitos da restrição de produtos de origem alimentar em mais de 200 pessoas, o artigo científico "Efeitos proteogenómicos responsivos à dieta após restrição de curto prazo de produtos animais em humanos", publicado este mês, na revista Nature Communications, dá conta de "evidentes sinais fisiológicos" que se prendem com o "browning", um fenómeno também conhecido por "beiging do tecido adiposo branco".
O que é o beiging do tecido adiposo branco?
Este processo biológico é comumente explicado como um "escurecimento das células". De uma forma prática, isto explica-se através do momento em que estas células adquirem características semelhantes às células de gordura mais acastanhadas e passam a queimar mais ácidos gordos e glicose "para conseguirem gerar calor."
Os investigadores relacionam por isso esta restrição alimentar com uma "alteração química no corpo".
O que saber sobre esta investigação?
Já se imaginou a deixar de comer carne de um dia para o outro? Para esta investigação, um grupo de 200 pessoas na Tessalónica, na Grécia, fê-lo em simultâneo. Contudo, não pense que se submeteram ao sacrifício somente para este estudo.
A origem desta abstinência de produtos de origem animal como carne, peixe, laticínios e ovos, durante um total de 180 a 200 dias no ano, explicou-se como parte de uma prática religiosa ligada ao cristianismo ortodoxo.
"Esses cristãos ortodoxos praticantes realizam essa forma de jejum às quartas e sextas-feiras de cada semana, assim como ao longo de quatro períodos mais longos ao longo do ano, o que inclui os 40 dias que antecedem o Natal; 48 dias antes da Páscoa (Quaresma); de 8 a 42 dias durante o que é conhecido como Jejum dos Apóstolos ou Jejum de Pedro e Paulo; e durante 15 dias em Agosto, para a Assunção da Virgem Maria", descrevem.
Segundo apontam os investigadores, a "extensa reprogramação metabólica, com efeitos maioritariamente benéficos para a saúde, incluindo a abundância alterada de proteínas imunometabólicas chave, incluindo o potente hormônio metabólico FGF21" permitiu que este estudo se tornasse ainda num tipo de "intervenção dietética".

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