sexta-feira, 18 de setembro de 2026

ONU: Sucessão de Guterres: Rebeca Grynspan volta a ser a mais votada... A costa-riquenha Rebeca Grynspan foi novamente a candidata mais votada para o cargo de secretária-geral da ONU na terceira votação informal do Conselho de Segurança, realizada hoje, sendo seguida pela diplomata da Guiana, segundo fontes diplomáticas.

© Spencer Platt/Getty Images  Por  LUSA  18/09/2026 

De acordo com a agência espanhola EFE, Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e chefe da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD), recebeu nove votos a favor, cinco contra e um "sem opinião".

Por sua vez, Carolyn Rodrigues-Birkett, atual embaixadora da Guiana na ONU, recebeu oito votos a favor, seis contra e um "sem opinião".

Seguiram-se o ugandês Olara Otunnu, o atual chefe da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o argentino Rafael Grossi e o ex-presidente senegalês Macky Sall.

Ainda por ordem de votos, surgiram a equatoriana María Fernanda Espinosa e a chilena Michelle Bachelet.

A ex-presidente chilena reconheceu há alguns dias que já sabe que não será eleita secretária-geral, pelo que a sua desistência da candidatura pode estar iminente.

A lista de candidatos é encerrada pela equatoriana Ivonne Baki, que, mais uma vez, não obteve nenhum voto a favor, recebeu 10 votos contra e cinco de "sem opinião".

Há dez anos, a eleição formal de António Guterres como secretário-geral da ONU ocorreu em meados de outubro, após várias rodadas de votação.

Cinco mulheres e três homens estão atualmente na disputa para suceder ao antigo primeiro-ministro português, de 77 anos, que concluirá o seu segundo mandato de cinco anos em 31 de dezembro.

Outros candidatos ainda podem apresentar-se.

Durante a votação de hoje, que ocorreu à porta fechada e que representa apenas uma etapa no processo de seleção, os 15 membros do Conselho puderam atribuir anonimamente a cada candidato um voto a favor, contra ou "sem opinião".

Na primeira votação, que ocorreu em julho, a costa-riquenha tinha ficado em primeiro e, na segunda, que aconteceu em agosto, foi superada por Carolyn Rodrigues-Birkett.

Muitos países estão a pressionar para que uma mulher assuma a presidência da ONU pela primeira vez em 80 anos de história.

Para vencer o processo seletivo, que pode levar semanas, um candidato terá que obter o consentimento de pelo menos nove países, evitando o veto dos cinco membros permanentes (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido).

O nome será então submetido à Assembleia-Geral, que, na prática, segue a nomeação do candidato recomendado pelo Conselho de Segurança.

Este processo ocorre num momento em que a ONU atravessa um dos períodos mais difíceis da sua história, enfrentando uma proliferação de conflitos, divisões persistentes no Conselho de Segurança e sérias dificuldades financeiras.

A votação de hoje ocorre a poucos dias do Debate Anual da ONU, que começa na terça-feira em Nova Iorque, onde são esperados cerca de 150 chefes de Estado e líderes de todo o mundo.


Leia Também: ONU escolhe candidato proposto por Trump para Programa Alimentar Mundial

O secretário-geral da ONU e o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) anunciaram hoje a nomeação do norte-americano Luke Lindbergh, indicado pelo Presidente Donald Trump, para chefiar o Programa Alimentar Mundial (PAM).

Lindberg, atual subsecretário de Comércio e Assuntos Agrícolas Internacionais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, substituirá a também norte-americana Cindy McCain, informou o gabinete de António Guterres em comunicado...

Putin anuncia mais de 70 mil milhões de dólares em vendas de armas... A carteira de encomendas de exportação de armas da Rússia ultrapassou os 70 mil milhões de dólares (61 mil milhões de euros), anunciou hoje o líder do Kremlin, Vladimir Putin, no dia em que começaram as eleições parlamentares russas.

Por  correiodamanhacanada.com  Setembro 18, 2026 

Moscovo, 18 set 2026 (Lusa) – A carteira de encomendas de exportação de armas da Rússia ultrapassou os 70 mil milhões de dólares (61 mil milhões de euros), anunciou hoje o líder do Kremlin, Vladimir Putin, no dia em que começaram as eleições parlamentares russas.

“Isto significa que a Rússia está a assumir, com segurança, uma posição de liderança no mercado global de armas”, declarou Putin durante uma cerimónia de entrega de prémios oficiais.

O Presidente russo ressalvou que este volume de exportações não impede Moscovo de satisfazer todas as necessidades das forças armadas, envolvidas há mais de quatro anos na invasão da Ucrânia, e das agências de segurança do país.

“Gostaria de realçar que as empresas da indústria de defesa aumentaram significativamente os seus volumes de produção desde o início da operação especial”, observou, referindo-se à designação assumida pelo Kremlin para a guerra no país vizinho.

Vladimir Putin afirmou que “a produção e o fornecimento de armas e munições, incluindo mísseis e projéteis de alta precisão, aumentaram mais de 22 vezes”.

Salientou ainda que a indústria militar está a fornecer drones ao exército de Moscovo sem interrupções e que a produção de dispositivos não tripulados “também aumentou várias vezes e, em alguns casos, dezenas de vezes”.

O anúncio do Presidente russo ocorreu no primeiro de três dias das eleições parlamentares para a câmara baixa da Duma Estatal, as primeiras desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, nas quais cerca de 111 milhões de habitantes de 89 regiões são chamados a votar.

“A sua escolha e a sua determinação demonstrarão mais uma vez que milhões de pessoas apoiam os nossos combatentes, que somos um povo unido, ligado por valores partilhados, memória histórica e amor pela pátria”, declarou Putin à nação antes do se iniciar o processo eleitoral.

Poderão também votar os russos residentes em 152 países, onde o Ministério dos Negócios Estrangeiros habilitou 333 assembleias de voto, muitas delas em missões diplomáticas.

O Kremlin procura que as eleições reforcem o apoio público à guerra e procurou evitar quaisquer riscos políticos, reprimindo o mais leve sinal de dissidência.

O principal partido da esfera do poder, Rússia Unida, tem praticamente garantida a manutenção do seu esmagador controlo da Duma Estatal.

Vários partidos mais pequenos da “oposição sistémica”, que votam em sintonia com o Governo em todas as questões-chave, também devem manter a sua presença.

Os eleitores votam em dois boletins de voto separados, preenchendo metade dos 450 lugares da Duma ao selecionar os partidos políticos listados.

A parte restante é disputada em círculos uninominais, com os eleitores a escolherem candidatos individuais.

O único partido que se opõe à guerra, o Yabloko, não consta do boletim de voto por ter sido excluído pelo Supremo Tribunal.

No entanto, cerca de uma centena dos candidatos do Yabloko ainda mantêm hipóteses de eleição nos círculos uninominais.

A Ucrânia instou hoje a comunidade internacional a não reconhecer os resultados das legislativas realizadas pelas autoridades russas em territórios ucranianos ocupados, enquanto alerta para políticas de russificação forçada na tentativa de legitimar o domínio destas áreas.

A Ucrânia não reconhece nem eleições que considera ilegais nem os seus “resultados sem sentido”, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Kiev, referindo-se à votação realizada na Península da Crimeia, anexada por Moscovo desde 2014, e nas regiões parcialmente ocupadas de Donetsk, Lugansk, Zaporijia e Kherson.

Estas áreas representam cerca de 20% do território ucraniano e correspondem às principais frentes de combate desde a invasão em grande escala das tropas da Rússia, em fevereiro de 2022.

O porta-voz da Comissão Europeia, Christian Wigand, classificou hoje a votação nas regiões controladas pela Rússia como “ilegal” e frisou a condenação do bloco comunitário à realização de “eleições fraudulentas”.

A União Europeia já aplicou mais de 20 pacotes de sanções a Moscovo devido à guerra na Ucrânia.

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Centenas de milhares no Irão dizem estar prontos para pegar em armas... Centenas de milhares de iranianos reuniram-se hoje em Teerão a declarar que estão prontos para pegar em armas, numa campanha militar organizada pelo Governo, a maior deste tipo na República Islâmica desde o início da ofensiva aérea israelo-americana.

© Fatemeh Bahrami/Anadolu via Getty Images   Por   LUSA   18/09/2026  

Segundo o relato da agência Associated Press (AP), largos milhares de manifestantes marcharam pelo centro de Teerão com uniformes militares e carregando bandeiras, jurando pegar em armas para defender o país dos ataques dos Estados Unidos e Israel, iniciados em 28 de fevereiro, enquanto a assistência aplaudia, na presença de altos dirigentes da República Islâmica.

Durante vários dias, os meios de comunicação social estatais incentivaram os iranianos a juntarem-se a uma campanha de voluntariado militar, indicando que a formação com armas de assalto começaria em breve.

Os voluntários seriam uma camada adicional de segurança para a Guarda Revolucionária Islâmica, a força ideológica do regime, e para as milícias Basij, que desempenharam um papel central na repressão dos protestos antigovernamentais no início do ano, que resultou em milhares de mortos e detidos.

As estimativas variam sobre o número de pessoas que se voluntariaram para receber treino militar e defender o país, ou "aqueles que sacrificam as suas vidas pelo Irão".

O chefe da Guarda de Teerão, Hassan Hassanzadeh, disse à emissora estatal que mais de 600.000 pessoas se inscreveram para participar, sendo esperados mais de um milhão na formação.

Na manhã de hoje, segundo a agência de notícias Tasnim, mais de 300 mil pessoas estavam nas ruas de Teerão.

O novo responsável das milícias Basij, Hossein Taeb, declarou num discurso no início da manifestação que os voluntários estarão prontos para uma "defesa completa" e que concentrações semelhantes terão lugar noutras cidades em breve.

Os novos recrutas serão "um pesadelo" para os inimigos do Irão, prosseguiu Taeb, enquanto o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, os comandantes militares e vários outros altos dirigentes assistiam à marcha.

Alguns participantes pisaram bandeiras dos Estados Unidos e de Israel e outros gritaram "Morte à América" e "Morte a Israel".

"Estou aqui para dizer ao [Presidente dos norte-americano, Donald], Trump que nós, iranianos, não temos medo das suas ameaças contra a nossa pátria", declarou Marzieh Afaghi, 24 anos, que assistiu ao protesto com o filho pequeno e o marido, acrescentando que "ninguém na história conseguiu invadir o Irão e lá permanecer."

O protesto foi também uma oportunidade para o Irão exibir o seu poderio militar.

Baterias antiaéreas estavam em exposição, enquanto membros femininas da Guarda Revolucionária, com lenços pretos na cabeça, se sentavam ao lado de metralhadoras montadas em camiões.

O Governo de Teerão tem procurado mobilizar a população e apelado para a unidade nacional, em pleno agravamento da economia nacional devido ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos e novas sanções de Washington, após o colapso das negociações indiretas de paz.

A Guarda Revolucionária exibiu drones que têm sido utilizados contra navios comerciais no estreito de Ormuz, onde os ataques e ameaças militares iranianas afetaram gravemente o tráfego marítimo na passagem marítima que assegurava o transporte de 20% dos hidrocarbonetos mundiais antes da guerra.

O Irão alegou hoje ter atacado um petroleiro com bandeira do Togo, o "Trend", após uma "tentativa ilegal" de passar pelo estreito de Ormuz, informaram os órgãos estatais.

O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) relatou que um petroleiro foi atingido por um projétil, provocando um incêndio a bordo, entretanto extinto.

Numa atualização separada, o UKMTO indicou que as travessias de navios facilitadas pelos militares dos Estados Unidos na costa de Omã tiveram uma média de 24 por dia na última semana, mas o tráfego geral continua a ser cerca 90% menor em comparação com o período anterior à guerra.

A par da manifestação na capital, Governo iraniano criticou hoje a "propaganda grosseira" dos Estados Unidos, afirmando que Washington "parece pensar que as nações não têm memória nem capacidade de pensamento crítico".

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baghaei, observou que os Estados Unidos tratam o mundo como se fosse "uma colmeia onde se espera que as mentes se desliguem, os olhos estejam fixos nos lábios de Washington e a sua narrativa seja engolida sem questionamento".

Numa publicação nas redes sociais, Baghaei acusou os Estados Unidos de travarem "uma guerra económica brutal, deliberadamente planeada para infligir o máximo de dor e sofrimento aos cidadãos iranianos".

Washington e Teerão acordaram em 17 de junho um memorando de entendimento, com mediação de países do Médio Oriente, que incluiu um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz ao tráfego marítimo e o levantamento do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irão.

No entanto, as partes voltaram aos respetivos bloqueios navais e não prosseguiram as negociações previstas no memorando para alcançarem um acordo de paz definitivo, cujo prazo de dois meses expirou.

A par do recomeço das hostilidades, os Estados Unidos anunciaram uma "guerra económica" que visa asfixiar o Irão, através de sanções a indivíduos e entidades que estabeleçam relações comerciais com a República Islâmica.

O Irão exige que os Estados Unidos voltem aos compromissos assumidos no memorando e tem reiterado que a ameaça militar no estreito de Ormuz só será levantada em troca do fim da guerra em todas as frentes e do fim do bloqueio norte-americano.

Depois do estrangulamento do estreito de Ormuz, os rebeldes Huthis do Iémen, aliados de Teerão, colocaram também sob ameaça a navegação comercial de navios sauditas no mar Vermelho.


GUINÉ-BISSAU: Hoje foi realizada uma visita às obras e às novas salas do Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, a qual contou com a participação do Presidente da República de Transição, General de Exército Horta Inta-A, do Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças, Ilídio Vieira Té, do Ministro dos Transportes e do Ministro do Interior.


Presidente da República de Transição, General de Exército Horta Inta-A, presta, esta sexta-feira, declarações à imprensa após a visita ao Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, em Bissau.

Por Tuti Vitoria Iyere



Veja Também: GUINÉ-BISSAU:  O Presidente da República de Transição, General de Exército Horta Inta-a, afirmou que qualquer cidadão guineense que queira regressar ao país é livre de fazê-lo    

A declaração foi feita esta sexta-feira, 18 de setembro, em resposta às perguntas dos jornalistas sobre um eventual regresso do ex-Presidente Umaro Sissoco Embaló.“Todos os cidadãos guineenses podem voltar, mesmo que sejam aqueles que nos insultam”, afirmou Horta Inta-a...

Explosões ouvidas em Kiev, central nuclear atingida na Rússia... Autoridades ucranianas falam de um ataque russo com mísseis de cruzeiro após ter sido lança alerta aéreo para várias regiões do país.

Por  RTP com Lusa  18/09/2026 

O presidente da Câmara de Kiev afirma que a capital ucraniana está sob um intenso ataque russo de mísseis de cruzeiro e drones. Testemunhas relatam ter ouvido várias explosões nos céus da cidade.

A informação surge numa altura em que a Rússia confirma que uma torre de arrefecimento de uma unidade de uma central nuclear, em Kursk, foi “atingida por um drone” durante a madrugada de quinta-feira.


A Agência Internacional de Energia Atómica foi informada deste ataque, indicando que a unidade do reator “estava em funcionamento” no momento em que foi atingida. Na nota partilhada nas redes sociais, o diretor da agência da ONU, Rafael Grossi, afirma que os ataques a instalações nucleares "são inaceitáveis". 

Nem a Rússia nem a Ucrânia comentaram ainda as informações fornecidas pela agência da ONU.

Em julho, o governador da região de Kursk acusou a Ucrânia de atingir uma torre de refrigeração na central nuclear de Kursk II, que está em construção junto à unidade original, erguida na década de 1970.

Em 2024, o Presidente russo, Vladimir Putin, acusou Kiev de planear um ataque à central e, no ano seguinte, um drone ucraniano iniciou um incêndio nas imediações das instalações, mas não foi detetado qualquer nível anormal de radioatividade.

As centrais nucleares têm sido um dos motivos de preocupação associada à invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

A AIEA alerta regularmente para o risco de uma catástrofe, sobretudo nas centrais de Zaporijia, a maior da Europa e que se encontra sob ocupação russa no sul da Ucrânia, e de Chernobyl, a norte de Kiev, onde a estrutura erguida para confinar os depósitos radioativos libertados pelo desastre nuclear, ocorrido em 1986, foi atingida por um drone russo.


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A Ucrânia instou hoje a comunidade internacional a não reconhecer os resultados das eleições parlamentares realizadas pelas autoridades russas em territórios ucranianos ocupados, enquanto alerta para políticas de russificação forçada na tentativa de legitimar o domínio destas áreas.

As eleições, realizadas na Rússia entre hoje e 20 de setembro, são "uma farsa da potência ocupante, que nada tem a ver com eleições democráticas", declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia em comunicado.

A Ucrânia não reconhece nem eleições que considera ilegais nem os seus "resultados sem sentido", acrescentou o ministério, referindo-se à votação realizada na Península da Crimeia, anexada por Moscovo desde 2014, e nas regiões parcialmente ocupadas de Donetsk, Lugansk, Zaporijia e Kherson...

Conselho de Segurança da ONU vai novamente a votos para eleger secretário-geral... O Conselho de Segurança da ONU reúne-se hoje para a terceira ronda de votações informais para designar o próximo secretário-geral da organização, que assumirá o comando de uma instituição profundamente dividida e assolada por crises.

Por  dnoticias.pt / Agência Lusa   18 set 2026 

Cinco mulheres e três homens estão atualmente na disputa para suceder ao antigo primeiro-ministro português António Guterres, de 77 anos, que concluirá o seu segundo mandato de cinco anos em 31 de dezembro.

Este processo ocorre num momento em que a ONU atravessa um dos períodos mais difíceis da sua história, enfrentando uma proliferação de conflitos, divisões persistentes no Conselho de Segurança e sérias dificuldades financeiras.

Reunidos à porta fechada pela manhã, os 15 membros do Conselho devem atribuir anonimamente a cada candidato um voto a favor, contra ou "sem opinião".

Numa votação inicial em julho, Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e chefe da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD), de 70 anos, foi quem recebeu mais indicações favoráveis, de acordo com fontes diplomáticas.

Numa segunda votação em agosto, Carolyn Rodrigues-Birkett, ex-ministra dos Negócios Estrangeiros da Guiana, de 52 anos, assumiu a liderança.

Muitos países estão a pressionar para que uma mulher assuma a presidência da ONU pela primeira vez em 80 anos de história.

Para vencer o processo seletivo, que pode levar semanas, um candidato terá que obter o consentimento de pelo menos nove países, evitando o veto dos cinco membros permanentes (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido).

O nome será então submetido à Assembleia-Geral, que, na prática, segue a nomeação do candidato recomendado pelo Conselho de Segurança.

Outros candidatos incluem o chefe da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o argentino Rafael Grossi (65 anos), a ex-presidente chilena Michelle Bachelet (74 anos) e o ex-presidente senegalês Macky Sall (64 anos).

A antiga chefe da diplomacia do Equador María Espinosa Garcés (62 anos), o diplomata ugandês Olara Otunnu (76 anos) e a diplomata equatoriana Ivonne A-Baki (75 anos) também estão na disputa.

A votação de hoje ocorre a poucos dias do Debate Anual da ONU, que começa na terça-feira em Nova Iorque, onde são esperados cerca de 150 chefes de Estado e líderes de todo o mundo.

MOÇAMBIQUE: Julgamento do político moçambicano Mondlane reagendado para novembro... O Tribunal Supremo (TS) moçambicano reagendou para 17 de novembro o julgamento de Venâncio Mondlane, após apreciar um pedido da defesa para adiar a sessão inicialmente marcada para 6 de outubro, disse hoje à Lusa o assessor do político.

© Lusa    18/09/2026 

"O julgamento fica adiado para 17 de novembro", disse Abdul Nariz, assessor de Venâncio Mondlane, ex-candidato às eleições presidenciais de outubro de 2024.

Em causa está um processo-crime movido pelo Ministério Público (MP) contra Mondlane, no âmbito das manifestações pós-eleitorais.

O político responde pelos crimes de apologia pública ao crime, incitamento à desobediência coletiva, instigação pública à prática de crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo, numa moldura penal que pode ultrapassar 20 anos de prisão efetiva.

O adiamento foi solicitado recentemente pela defesa de Mondlane, que alegou "incompatibilidade de agendas" com a data anteriormente marcada pelo Tribunal Supremo para o início do julgamento.

Venâncio Mondlane nunca reconheceu os resultados eleitorais dessa votação, que deram a vitória a Daniel Chapo, candidato da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), liderando uma onda de protestos pós-eleitorais que se prolongou por cerca de cinco meses e provocou centena de mortos, além de saques e destruição.

Contudo, conforme prevê a Constituição, em setembro de 2025, enquanto segundo candidato mais votado, tomou posse como membro do Conselho de Estado, órgão de aconselhamento do Presidente da República, cujos membros beneficiam de imunidades.

O Conselho de Estado moçambicano suspendeu a imunidade de Mondlane para permitir a continuidade do processo-crime.

Mondlane classificou a deliberação como "nula", defendendo que o Conselho de Estado "não tem competência legal para suspender a imunidade dos seus membros", podendo apenas "deliberar sobre a suspensão do membro para efeitos de seguimento de um processo criminal e não sobre a retirada da imunidade".

Na semana passada, o juiz conselheiro do TS, Pedro Nhatitima, explicou que o pedido já tinha sido submetido ao parecer do Ministério Público (MP), cabendo à secção criminal do tribunal decidir sobre uma nova data para o início da audiência.

Segundo o despacho de acusação do Ministério Público, a que a Lusa teve acesso, a prova contra Mondlane assenta largamente nos apelos à contestação, greves, paralisações e mobilização para protestos feitos através de transmissões em direto nas redes sociais.

Ao comentar o processo, Pedro Nhatitima rejeitou as alegações de que se trata de um julgamento político, defendendo a independência dos tribunais.

"Queria tranquilizar o povo moçambicano de que os tribunais, incluindo o Tribunal Supremo, não são órgãos políticos. O tribunal é um árbitro. Temos uma acusação do Ministério Público, que tem o valor que tem, temos a defesa do arguido, neste caso Venâncio Mondlane, e temos o tribunal, que vai decidir se a acusação formulada pelo Ministério Público procede ou não", afirmou.

Moçambique viveu entre outubro de 2024 e março de 2025 um período de forte contestação social, marcado por manifestações convocadas por Venâncio Mondlane contra os resultados eleitorais.

Segundo organizações não-governamentais, os protestos provocaram mais de 400 mortos, a maioria em confrontos com a polícia, além de episódios de violência, saques e destruição de património público e privado.


Embaixador da Guiné-Bissau em Cabo Verde diz temer pela vida após incidentes na Praia

Por  inforpress.cv  18/09/26 

Cidade da Praia, 18 Set (Inforpress) – O embaixador da Guiné-Bissau em Cabo Verde, Ibraima Sanó, disse hoje temer pela sua vida, na sequência dos incidentes registados nos últimos dias, revelando que foi alvo de uma agressão verbal, quinta-feira, 17, num ginásio.

O diplomata falava à imprensa após a reunião entre o ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades e os embaixadores da Guiné-Bissau e do Senegal, bem como com o representante da CEDEAO, na sequência dos acontecimentos recentes envolvendo cidadãos guineenses em Cabo Verde.

“Temo sim pela vida. Temo porque há de vir mais, as pessoas ainda não desistiram e eu penso que eu é que sou o alvo”, disse o diplomata, acrescentando que a agressão foi protagonizada por cidadãos guineenses.

Segundo o embaixador, a agressão foi verbal e “quase seria física” caso não tivesse conseguido evitá-la.

O diplomata, que recordou ter 34 anos de carreira e estar há 34 meses em Cabo Verde, disse nunca ter enfrentado uma situação semelhante no país e esclareceu que não exerce actividade política.

“Eu não faço política, sou diplomata de carreira há 34 anos. Cabo Verde é o meu quarto posto, não faço política activa”, enfatizou, escusando-se a associar os acontecimentos a questões políticas.

O embaixador revelou ainda que as autoridades cabo-verdianas já lhe tinham oferecido segurança, mas que inicialmente recusou por entender que não necessitava desse tipo de protecção.

Perante a situação actual, apelou aos seus conterrâneos para que evitem discursos de ódio e discriminação e sigam as informações divulgadas pelas autoridades cabo-verdianas e pela própria embaixada.

“A Guiné e Cabo Verde, quer queiramos quer não, somos irmãos”, realçou, apelando à serenidade e ao acompanhamento das informações oficiais.

Sobre as informações que circularam nas redes sociais dando conta da morte de cidadãos guineenses, o embaixador negou a existência de vítimas mortais.

“Não morreu ninguém, não morreu ninguém, só foi ferida uma pessoa que está hospitalizada”, esclareceu, acrescentando que já visitaram a vítima e que deverá ser submetida a uma intervenção para a extração de uma bala numa das pernas.

LT/AA

POBREZA ENERGÉTICA: Uma em cada cinco pessoas em Portugal não consegue pagar energia... Uma em cada cinco pessoas em Portugal não consegue pagar a energia necessária em casa, revela um estudo europeu que identifica maior vulnerabilidade entre mulheres, pessoas com problemas de saúde mental e residentes fora dos grandes centros urbanos portugueses.

© Shutterstock  Por  LUSA   18/09/2026 

O estudo "Pobreza energética na Europa - Quem são os perdedores no nosso sistema energético?", da Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES Portugal), compara a situação em Portugal, França, Alemanha, Itália, Polónia e Suécia, a partir de um inquérito realizado no âmbito do projeto europeu gEneSys.

Em Portugal, 19% dos inquiridos responderam que não conseguem, ou dificilmente conseguem, pagar a quantidade de energia e os recursos energéticos necessários para satisfazer todas as necessidades do agregado familiar.

O valor coloca Portugal entre os países com maior incidência de pobreza energética dos seis analisados, apenas atrás de França, onde a percentagem chega aos 25%, e ligeiramente acima de Itália e Polónia, ambas com 18%.

Na Alemanha, 13% dos inquiridos revelaram dificuldades para pagar a energia necessária, enquanto a Suécia apresenta o valor mais baixo, 10%.

A análise identifica, contudo, diferenças significativas dentro de cada país e conclui que determinados fatores sociais, económicos, de saúde e territoriais aumentam a vulnerabilidade à pobreza energética.

Em Portugal, o grupo identificado com maior incidência é o das mulheres com problemas de saúde mental que vivem em zonas rurais ou cidades de média dimensão: 33% afirmam não conseguir pagar a energia necessária.

No extremo oposto estão as pessoas sem problemas de saúde mental, com elevado nível de escolaridade e residentes em grandes cidades, entre as quais a percentagem desce para 7%.

A saúde surge, aliás, como um dos fatores recorrentes na análise. Em Portugal, Itália e França, o estudo aponta para uma relação entre limitações de saúde física ou psicológica e maior exposição à pobreza energética.

Segundo os investigadores, algumas destas pessoas podem ter necessidades energéticas superiores, nomeadamente para equipamentos médicos ou aquecimento, enquanto outras são mais afetadas pelas consequências de condições habitacionais deficientes.

Portugal destaca-se igualmente pelas diferenças entre homens e mulheres. Cerca de 22% das mulheres portuguesas afirmam não conseguir pagar a energia necessária, contra 15% dos homens.

A desigualdade de género é particularmente evidente em Portugal e França, onde a diferença é ainda maior: 31% das mulheres enfrentam dificuldades, comparativamente com 18% dos homens.

Em Portugal e França, as análises indicam ainda um risco acrescido, sobretudo entre mulheres com níveis de escolaridade baixo ou médio e que têm, ou tiveram, responsabilidades de prestação de cuidados.

O local de residência é outro dos fatores relevantes. Considerando conjuntamente os seis países, 22% dos residentes em zonas rurais afirmam ser afetados pela pobreza energética, contra 14% nas zonas urbanas.

Nas zonas rurais são mais frequentes casas unifamiliares menos eficientes energeticamente e existe maior dependência do automóvel, enquanto as cidades beneficiam de infraestruturas mais compactas.

A investigação foi realizada no âmbito do projeto europeu gEneSys e, para a comparação apresentada nesta publicação, foram consideradas respostas de 17.889 pessoas nos seis países e os dados foram ponderados de forma representativa.

Os autores ressalvam que as análises são exploratórias e não constituem conclusões definitivas, mas defendem que os padrões identificados devem ser considerados na definição de políticas públicas.

Entre as respostas propostas estão apoios aos custos energéticos ajustados ao rendimento e à situação habitacional, reabilitação energética de casas arrendadas, expansão das tarifas sociais e medidas específicas para pessoas com doenças crónicas ou deficiência.

O estudo conclui que a pobreza energética não é apenas um problema económico, mas também social, de saúde e de infraestrutura, e defende respostas dirigidas aos grupos onde a vulnerabilidade é maior.

Os dados para Portugal foram apresentados hoje, em Lisboa, num seminário organizado pela FES Portugal, em parceria com Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e o Observatório Nacional da Pobreza Energética, com o tema "Pobreza energética em Portugal: Do reconhecimento das vulnerabilidades à ação eficaz".


Cérebro humano é composto por dois órgãos separados... O cérebro, visto pelos cientistas durante séculos como um único órgão unificado, é constituído por dois órgãos distintos que evoluíram independentemente ao longo de centenas de milhões de anos, revela um estudo divulgado hoje.

Por  RTP /  Lusa   18 Setembro 2026  

Liderada por cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, a nova investigação "mostra que o cérebro humano consiste em dois sistemas nervosos antigos inteligentemente combinados", indica um comunicado da universidade.

Uma das partes, "mais primitiva", é responsável pelas funções vitais, como a frequência cardíaca, a respiração, a pressão arterial ou o sono, enquanto a outra "nos torna distintamente humanos, capazes de poesia, matemática e de questionar as nossas origens", adianta.

"Demonstrámos pela primeira vez que a parte frontal do cérebro tem origem numa célula progenitora totalmente diferente da parte posterior", disse Kyle Loh, professor associado de Biologia do Desenvolvimento da universidade e um dos autores do estudo publicado hoje na revista Nature Neuroscience.

"A nossa descoberta significa que agora podemos cultivar neurónios da parte posterior do cérebro, o rombencéfalo [frequentemente chamado de tronco cerebral], numa placa de Petri e estudar as suas funções", acrescentou, citado no comunicado.

E isto abre novos caminhos para o estudo de doenças que afetam o tronco cerebral, como as degenerativas graves atrofia muscular espinhal (AME) e esclerose lateral amiotrófica (ELA ou doença de Lou Gehrig).

O estudo, que tem Kyle Loh como autor sénior e os estudantes de pós-graduação Carolyn Dundes e Rayyan Jokhai como primeiros coautores, analisa os primeiros momentos do desenvolvimento embrionário de ratos, o que permitiu a identificação de "duas células progenitoras cerebrais diferentes".

Uma delas "está destinada a tornar-se o prosencéfalo [lida com o pensamento de nível superior-linguagem, consciência e raciocínio abstrato] e o mesencéfalo", duas das três regiões principais do cérebro, além do rombencéfalo, cuja formação está ligada à da outra célula progenitora.

Segundo o comunicado, "estas duas populações de células nunca se sobrepõem" e "são mutuamente exclusivas desde as fases iniciais do desenvolvimento".

Jokhai e Dundes descobriram que o rombencéfalo segue um caminho de desenvolvimento separado, correndo em paralelo (em vez de se ramificar) ao que cria o prosencéfalo e o mesencéfalo.

"As tentativas anteriores de criar neurónios do rombencéfalo provavelmente tentaram transformar progenitores do prosencéfalo e do mesencéfalo em células do rombencéfalo, o que o nosso estudo mostra que não é possível", explicou Jokhai, citada no comunicado.

Após a descoberta, os cientistas conseguiram, pela primeira vez, "induzir as células estaminais pluripotentes humanas (um tipo de célula capaz de criar qualquer uma do corpo humano) a tornarem-se neurónios motores funcionais do rombencéfalo em laboratório".

Até agora, estudar doenças como a AME e a ELA era quase impossível porque os cientistas não conseguiam obter tecido do tronco cerebral de doentes vivos, mas a capacidade de cultivar aqueles neurónios em laboratório abre novas possibilidades para compreender o que corre mal.

O tratamento da obesidade também pode beneficiar, já que o rombencéfalo contém circuitos que regulam a fome, sendo assim que funcionam os medicamentos para a perda de peso, como a semaglutida, também utilizado para tratar a diabetes tipo 2 e vendido sob a marca Ozempic.

"Temos agora um modelo para compreender melhor estas doenças devastadoras e trabalhar no desenvolvimento de terapias regenerativas para as mesmas", disse Jokhai, acrescentando que esta "é uma nova fronteira muito entusiasmante na investigação cerebral".

FRANÇA: Criança de 7 anos suspeita de esfaquear tia até à morte em França... Mãe do menino de 7 anos alega que o filhou esfaqueou a tia depois de as ver a discutir. A polícia ainda está a investigar e pretende apurar se foi mesmo a criança a perpetrar o crime.

©M6 Info   Por  Notícias ao Minuto  18/09/2026

Uma criança de sete anos é suspeita de ter esfaqueado a própria tia até á morte, em Val-de-Marne, em França. 

Segundo o Le Figaro, o crime aconteceu na sequência de uma discussão entre a mãe da criança e a tia, sobre alisamentos de cabelo.

Tudo aconteceu na madrugada desta sexta-feira, durante uma discussão acesa entre as duas irmãs, relata a mãe do menino.

Ao aperceber-se do conflito, o menino terá agarrado numa faca e desferiu vários golpes à tia, na zona da garganta e costas.

A vítima conseguiu sair do apartamento, acabando por desmaiar na rua. A mulher entrou em paragem cardiorrespiratória e ainda foi socorrida no local, mas acabou por não resistir aos ferimentos.

A criança e a mãe foram levadas para o hospital, sob escolta policial, para serem examinadas.

A procuradoria de Créteil fez saber que não vai tecer "comentários sobre o sucedido" antes do início da próxima semana para proteger a investigação.

As autoridades ainda estarão a querer confirmar se foi mesmo a criança a autora das facadas.


ESPANHA: Cerca de 10 mil migrantes que entraram ilegalmente continuam em Ceuta... Cerca de 10.000 pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta em julho permanecem na cidade, segundo um novo cálculo do governo espanhol divulgado hoje, dia em que foram alojados 1.700 migrantes que estavam a dormir em praias.

© Lusa    18/09/2026 

Milhares de pessoas foram retiradas esta sexta-feira, um mês e meio depois da entrada em massa em Ceuta, de duas praias da cidade para serem alojadas num centro de acolhimento temporário.

Segundo o Governo de Espanha, este centro de acolhimento, instalado nos terrenos do porto de Ceuta, tem capacidade para alojar 1.700 adultos em tendas de campanha, assim como infraestruturas de saneamento e outras.

Estas 1.700 pessoas juntam-se a outras 4.160 alojadas no último mês e meio pelo Governo espanhol em locais semelhantes ao instalado junto ao porto e outros espaços de Ceuta, um enclave de Espanha no norte de África, com fronteira com Marrocos.

Há ainda 2.140 menores de idade não acompanhados registados e acolhidos em instalações do governo da cidade autónoma, segundo os dados oficiais.

O Governo de Espanha tem dito ser impossível saber com exatidão quantos migrantes permanecem em Ceuta depois de terem entrado ilegalmente na cidade dentro de uma avalanche de pelo menos 72.000 pessoas em 30 e 31 de julho.

O executivo tem sublinhado que só com o alojamento temporário em centro de acolhimento é possível fazer o registo de todas as pessoas e abrir os processos com vista ao repatriamento ou concessão de asilo, como exige a legislação nacional e europeia.

No entanto, o Governo espanhol, com base em dados das forças de segurança no terreno, disse hoje que a estimativa atual é que entre 9.000 e 10.000 pessoas das que entraram no final de julho continuem na cidade.

Atendendo a esta estimativa e ao número de pessoas já alojadas, faltam ainda entre 3.000 e 4.000 lugares de acolhimento para migrantes adultos que continuam nas ruas da cidade, mas também em zonas de montanha ou refugiados em alguns edifícios, segundo as autoridades.

Os números do Governo espanhol diferem dos do executivo da cidade autónoma, que na semana passada calculou que tenham ficado em Ceuta 13.000 pessoas após a entrada em massa no final de julho.

O primeiro-ministro de Espanha, o socialista Pedro Sánchez, disse na semana passada que o Governo espera que a situação em Ceuta esteja estabilizada até ao final do ano e tem insistido que só com o alojamento temporário e registo de todas as pessoas é possível fazer os repatriamentos porque assim o exigem as leis nacionais e europeias.

A oposição de direita espanhola tem exigido ao Governo o repatriamento imediato de todas as pessoas que entraram em Ceuta ilegalmente em julho.

O executivo tem também ouvido críticas desta oposição e de outros partidos sobre a demora na resposta à crise gerada em Ceuta, cuja gestão tem estado marcada por trocas de acusações também entre o Governo central, liderado pelos socialistas, e o local, do Partido Popular (PP, direita).

O Governo de Espanha tem-se queixado dos obstáculos que o executivo da cidade tem colocado para a disponibilização de espaços para o acolhimento dos migrantes ou em relação à transferência dos menores de idades não acompanhados para outras regiões de Espanha, acusando o PP de querer "tornar crónica a crise".

O PP e o governo local negam as acusações e dizem que o executivo de Sánchez recusa assumir as responsabilidades que tem e insistem na devolução imediata a Marrocos de todas pessoas que entraram ilegalmente na cidade, sublinhando que esta não é uma crise migratória, mas sim uma questão de defesa e segurança, considerando que o que ocorreu em julho foi "uma invasão", num ataque à fronteira e à integridade do território espanhol.


Portugal: Venda de droga falsa vai ter crime próprio, anuncia Governo... O ministro da Administração Interna (MAI) afirmou hoje que o Governo está a preparar uma alteração legislativa para penalizar a venda de droga falsa, tal como tinha sido pedido pelo presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas.

© Lusa    18/09/2026 

Durante a cerimónia que assinalou o 135.⁠º aniversário da Polícia Municipal de Lisboa, Luís Neves destacou que a medida que o Governo está a preparar "cria uma tipificação própria do crime de burla, como crime público, dirigida especificamente a esta atividade, a venda de substâncias que fazem passar por estupefacientes sem o ser".

"Esta é uma ambiguidade jurídica que tem sido sistematicamente explorada por quem se dedica a este negócio, por não se tratar, do ponto de vista técnico, de uma substância estupefaciente", disse.

O governante destacou que a venda de droga falsa é uma atividade que "escapa, muitas vezes, a um enquadramento penal claro e adequado à sua gravidade", causando um "sentimento de insegurança"

Com esta alteração passaremos a dispor de um mecanismo e de um instrumento penal próprio que criminaliza de forma absolutamente inequívoca esta prática e elimina esta zona cinzenta, dando um fundamento jurídico sólido para intervir no espaço público", afirmou.


GUINÉ-BISSAU: PUBLICADA A LEI DE BASE DO ORDENAMENTO TERRITORIAL E URBANO

 Ministério Das Obras Publicas, Habitação e Urbanismo 

A Guiné-Bissau passa a contar com um novo quadro legal para o ordenamento do seu território. Foi publicada a Lei n.º 14/2026, de 23 de julho, Lei de Base do Ordenamento Territorial e Urbano (LBOTU), no 4.º Suplemento do Boletim Oficial n.º 29, de 24 de julho de 2026.

O novo diploma estabelece o quadro jurídico geral do ordenamento do território e do urbanismo na Guiné-Bissau, definindo princípios, objetivos, instrumentos e mecanismos destinados a assegurar uma organização racional, equilibrada e sustentável do território nacional.

A Lei estabelece ainda o regime aplicável aos instrumentos de gestão territorial e urbanística, regulando os procedimentos de elaboração, aprovação, execução, fiscalização e monitorização dos planos territoriais e das operações urbanísticas.

A publicação deste diploma constitui um marco importante para o reforço do quadro legal de ordenamento do território, planeamento urbano e gestão sustentável do território nacional, contribuindo para uma melhor articulação das políticas públicas e para o desenvolvimento harmonioso dos espaços urbanos e rurais.

RÚSSIA/ELEIÇÕES: Mesas de voto fechadas na cidade russa de Sochi após ataque com drone... As mesas de voto na cidade turística de Sochi, no Mar Negro, foram hoje temporariamente encerradas após ter sido emitido um alerta de ataque com drone para a região durante o primeiro dia das eleições parlamentares russas.

© Igor IVANKO / AFP via Getty Images   Por  LUSA  18/09/2026 

"Foram tomadas medidas de segurança nas secções de voto de Sochi. Membros das comissões eleitorais, observadores e eleitores que estavam nas secções foram retirados para abrigos até que o alerta de ataque com drone seja suspenso", escreveu o presidente da câmara da cidade, Andrei Proshunin, na sua conta de Telegram.

Proshunin pediu aos residentes da cidade que "permaneçam vigilantes" enquanto as forças armadas repelem o ataque com um drone.

"As mesas de voto serão reabertas assim que a segurança for restabelecida", concluiu.

As urnas começaram a abrir hoje, o primeiro dia das eleições que se prolongarão até ao próximo domingo na Península de Kamchatka e no Distrito Autónomo de Chukotka, as regiões mais orientais da Rússia.

As eleições, que decorrem entre sexta-feira e domingo, vão escolher os 450 deputados da Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, para mandatos de cinco anos; metade é eleita através de listas partidárias nacionais e os restantes 225 deputados em círculos uninominais.

Esta será a primeira eleição legislativa realizada desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, e também a primeira em que Moscovo inclui habitantes das quatro regiões ucranianas cuja anexação proclamou nesse mesmo ano.

O Rússia Unida (partido do Kremlin) domina atualmente a Duma e procura conservar pelo menos 300 dos 450 lugares, número que lhe permite manter a maioria de dois terços necessária para aprovar alterações constitucionais sem depender de outras forças políticas.

O sistema político russo é fortemente controlado pelas autoridades e a maior parte das forças representadas na Duma apoia a guerra e acompanha o Rússia Unida nas principais votações.

O partido liberal Yabloko, a única formação registada que se opõe abertamente à guerra, foi impedido pelo Supremo Tribunal de concorrer através de uma lista nacional, embora alguns dos seus candidatos participem em círculos uninominais.

Perante as dúvidas sobre a transparência do processo eleitoral, o líder do Rússia Unida, Dmitri Medvedev, afirmou que o partido não pretende vencer a qualquer custo e "está interessado numa vitória limpa".


Leia Também: Rússia acusa Ucrânia de lançar 350 drones contra região de Moscovo e Tula

A defesa antiaérea russa detetou 350 drones ucranianos em direção a Moscovo na última noite, véspera das eleições legislativas na Rússia, segundo um novo balanço divulgado hoje de manhã pelo presidente da câmara da cidade, Sergei Sobianin.

A maioria dos aparelhos aéreos não tripulados da Ucrânia foi destruída durante o percurso, com 64 a serem abatidos quando se aproximavam da capital russa, detalhou o autarca...

Peru exige à Rússia informações sobre peruanos recrutados para a guerra... O ministro dos Negócios Estrangeiros do Peru indicou na quinta-feira ter exigido ao Governo da Rússia, a entrega de informações sobre o paradeiro dos peruanos recrutados para combater ao lado das forças russas na guerra na Ucrânia.

Pelo menos 11 peruanos morreram e 114 estão desaparecidos depois de terem sido enganados para combater na Rússia | Foto: Ministério da Defesa da Rússia via EPA   Por  RTP / Lusa   18 Setembro 2026  

Carlos Espá informou que convocou por duas vezes o embaixador da Rússia no Peru, Alekséi Ushakov, para exigir "respostas concretas sobre a localização dos peruanos na Rússia".

Numa entrevista ao Canal N, o ministro afirmou que "não se pode dizer que se trata de um contrato privado", referindo-se aos acordos assinados pelos peruanos que viajaram para aquele país, uma vez que a legislação estabelece que qualquer peruano que pretenda combater ao serviço de uma força estrangeira necessita de autorização governamental.

Nesse sentido, Espá afirmou exigir explicações ao Governo russo e solicitar ao embaixador que "nos dê explicações e a informação que os peruanos aguardam".

O chefe da diplomacia peruana apelou também à população para que "não continue a cair em redes de tráfico de pessoas", como terá acontecido com mais de 400 peruanos que viajaram para a Rússia com promessas de emprego na área da segurança e acabaram recrutados para combater na frente russa.

Em agosto passado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Peru reconheceu que pelo menos 459 peruanos foram aliciados pela Rússia para, alegadamente sob falsos pretextos, serem recrutados e enviados para a frente de guerra.

A mesma tutela indicou que pelo menos 11 morreram após terem viajado para a Rússia, enquanto 114 estão desaparecidos e três são prisioneiros nas mãos da Ucrânia.

Na passada terça-feira, um homem identificado como Vidal L. ficou sujeito a prisão preventiva por 14 meses por alegado tráfico de pessoas, por supostamente ter recrutado um homem no distrito limeño de San Martín de Porres para trabalhar na Rússia, onde alegadamente foi enviado para a frente de guerra contra a sua vontade.

De acordo com o Ministério Público, entre março e abril deste ano, o arguido terá recrutado e facilitado a deslocação internacional da vítima para a Rússia, após lhe prometer uma remuneração mensal de 2.600 dólares e garantir que o processo migratório seria gratuito.

A vítima chegou a viajar para a Rússia, onde afirma ter sido submetida a exames médicos para ingressar nas forças armadas russas, assinar um contrato redigido em russo e receber um cartão bancário no qual seriam depositados 26.000 dólares (22.641 euros).

Nessa altura, contactou a família para revelar a sua situação, o que levou a irmã a apresentar uma denúncia junto do Ministério Público e a identificar o alegado recrutador.

O ministro garantiu que, até ao momento, realizou mais de 30 reuniões com famílias afetadas, enviou um delegado especial a Moscovo para procurar informações sobre os peruanos na Rússia e contribuiu para o repatriamento de 28 cidadãos peruanos.

Austrália vai passar a prender turistas que ultrapassem prazo dos vistos... O Governo da Austrália indicou hoje que irá passar a colocar os turistas que ultrapassem a duração autorizada dos seus vistos em detenção administrativa, no âmbito de um endurecimento das políticas de imigração do país.

© Reuters   Por   LUSA   18/09/2026  

Na quinta-feira, o ministro do Interior, Tony Burke, tinha anunciado restrições aos vistos de estudante e de férias-trabalho, afirmando querer demonstrar que o Governo "controla" a imigração.

Burke indicou, nomeadamente, que serão criadas 250 novas vagas em centros de detenção e recrutados mais 100 agentes para sancionar pessoas que permaneçam no país para além do período autorizado pelos seus vistos.

O ministro adjunto dos Negócios Estrangeiros, Matt Thistlethwaite, precisou hoje que os titulares de simples vistos de turismo também poderão ser colocados em detenção caso excedam o prazo de permanência autorizado.

"Consideramos que esta medida dissuasora garantirá, evidentemente, que as pessoas respeitem as condições" da sua estadia na Austrália, declarou à emissora News24.

A medida foi criticada pelo Conselho Australiano da Indústria do Turismo, que representa milhares de profissionais do setor. A diretora da organização, Erin McLeod, afirmou recear pelo impacto na imagem do país.

A responsável advertiu, em declarações à agência France-Presse, que a detenção de turistas poderá "tornar-se verdadeiramente prejudicial", uma vez que o turismo representa uma componente importante da economia australiana.

Organizações de defesa dos direitos humanos manifestaram igualmente preocupação, com Rebecca Eckard, do Conselho Australiano para os Refugiados, a considerar ilegal a vertente "punitiva" da medida e a alertar para insuficiências no acesso a cuidados de saúde nos centros de detenção.

Segundo as autoridades, existem atualmente cerca de 77.000 pessoas a permanecer na Austrália apesar de os seus vistos, de todas as categorias, terem expirado.

O Governo trabalhista pretende reduzir o saldo migratório anual para 225.000 pessoas, face às atuais 292.000, neste país com cerca de 28 milhões de habitantes.

Na quinta-feira, Burke negou que este endurecimento da política migratória esteja relacionado com a ascensão do partido de extrema-direita One Nation, ao qual as sondagens atribuem 25% das intenções de voto, argumentando que as medidas respondem à crise habitacional que o país enfrenta.


"Tentativas de pressão económica dos Estados Unidos "vão fracassar" garante MNE cubano... O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou esta quinta-feira que os Estados Unidos "vão fracassar" na sua pressão contra a ilha após novas sanções contra oito empresas cubanas de exploração mineira e desenvolvimento militar.

Por  RTP / Lusa 18 Setembro 2026 

"O secretário de Estado [norte-americano] volta à carga contra instituições e pessoas cubanas, como parte da sua política de máxima asfixia económica e castigo coletivo contra o povo de Cuba", declarou Rodríguez na rede X, horas depois de o chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, anunciar as medidas.

O representante cubano insistiu que a Administração do presidente Donald Trump "fracassará na sua tentativa" de subjugar o país caribenho.

"Não renunciaremos jamais à nossa soberania e independência, conquistadas em quase 70 anos de Revolução", concluiu.

O Departamento de Estado norte-americano anunciou na quinta-feira novas sanções a oito empresas cubanas de exploração mineira e desenvolvimento militar, e ainda a três oficiais militares que as comandam. 

Segundo Rubio, os novos sancionados são "quatro empresas estatais que saqueiam as reservas de níquel de Cuba em benefício do regime, quatro empresas militares dedicadas à investigação e desenvolvimento de sistemas de armas, capacidades navais e simulação de campos de batalha, e três oficiais militares que as dirigem".

O secretário de Estado norte-americano, de origem cubana, afirmou em comunicado que "durante décadas, o regime canalizou todos os recursos da ilha para uma elite militar reduzida e corrupta, deixando os cubanos comuns sem eletricidade, alimentos nem dignidade".

"A Administração Trump não ficará impassível enquanto a elite cubana se enriquece com a extração de recursos e os destina ao aparelho repressivo de segurança, enquanto o povo sofre carências", advertiu.

Desde janeiro, Washington impôs um bloqueio de crude que agravou a grave crise que Cuba atravessa, após décadas de gestão do Governo cubano, e anunciou uma série de sanções contra empresas estatais, dirigentes e funcionários, além de pressionar companhias estrangeiras a cessarem negócios com Havana.

Casa Branca acusa Conselho de Direitos Humanos da ONU de "proferir disparates sem sentido há décadas"... Reação surge depois de a organização ter divulgado um relatório polémico, criticado pela administração Trump

Por cnnportugal.iol.pt/Agência Lusa, 18/09/2026 

A Casa Branca acusou esta sexta-feira o Conselho de Direitos Humanos da ONU de "proferir disparates sem sentido há décadas", reagindo ao relatório de uma comissão do organismo que atribui aos Estados Unidos crimes de guerra em bombardeamentos no Irão. 

"O Conselho de Direitos Humanos da ONU não alcançou nada em matéria de direitos humanos, enquanto há décadas profere disparates sem sentido", declarou a porta-voz adjunta da Casa Branca, Anna Kelly, em comentários citados pelo jornal Washington Post.

Kelly realçou que "a única parte neste conflito que cometeu crimes de guerra é o regime iraniano, que assassinou milhares dos seus próprios cidadãos".

O relatório aponta a Teerão crimes contra a humanidade, devido à repressão de manifestações antigovernamentais.

A porta-voz denunciou ainda que o Irão "matou norte-americanos no estrangeiro, perpetrou atos de terrorismo no estreito de Ormuz e lançou ataques indiscriminados contra os seus vizinhos da região".

Além disso, sublinhou que o Presidente Donald Trump "está a trabalhar corajosamente para garantir que um país tão malévolo nunca possua uma arma nuclear, o que tornará o mundo inteiro mais seguro e estável".

Uma comissão da ONU, mandatada pelo organismo de direitos humanos da ONU, afirmou hoje existirem "motivos razoáveis" para determinar que os EUA cometeram crimes de guerra em bombardeamentos contra uma escola e um complexo desportivo, ocorridos no início da guerra lançada em fevereiro contra o Irão.

"Após os ataques dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, a missão encontrou motivos razoáveis para acreditar que os Estados Unidos cometeram o crime de guerra consistente em lançar ataques indiscriminados que causaram a morte ou ferimentos em civis, ou danos a bens de caráter civil", indicou a comissão de investigação para o Irão, na apresentação do seu relatório.

A comissão especificou que as forças norte-americanas lançaram ataques com mísseis Tomahawk contra a escola primária Shajareh Tayyebeh, em Minab — um centro escolar "claramente identificável" — e outro com mísseis munidos de ogivas de tungsténio contra um complexo desportivo em Lamerd, também "claramente identificável".

A missão da ONU apontou que o primeiro ataque, que resultou em mais de 150 mortos [incluindo 120 menores], atingiu uma escola situada junto a um complexo naval da Guarda Revolucionária do Irão. O complexo militar ficava a cerca de 70 metros da escola e não havia informações que indicassem que estivesse a ser utilizado para fins militares no momento do bombardeamento.

Quanto ao bombardeamento contra o complexo desportivo de Lamerd, que fez mais de vinte mortos, observou-se que o edifício "está visivelmente separado" de um outro complexo da Guarda Revolucionária da região, sublinhando que tal como no caso da escola de Minab, "não há informações que indiquem que fosse utilizado para fins militares no momento do ataque".

A missão recordou que o direito internacional humanitário "proíbe dirigir ataques contra bens de caráter civil" e "estabelece a obrigação de distinguir entre bens de caráter civil e objetivos militares", por isso, concluiu que os Estados Unidos "incumpriram a sua obrigação de fazer todo o possível para verificar se se tratava de um objetivo militar" ao bombardear a escola em Minab.

A missão de investigação apontou ainda que as autoridades iranianas reprimiram os protestos antigovernamentais entre dezembro e fevereiro de uma forma que pode ser descrita como "um ataque sistemático e generalizado" contra a população civil, o que poderá levar à sua classificação como crime contra a humanidade.

O relatório determinou que as ações das forças de segurança iranianas representaram "uma escalada sem precedentes em relação a medidas repressivas anteriores, caracterizada pelo uso generalizado de força letal — que provocou mortes e ferimentos em massa — e por detenções em larga escala".

"As informações disponíveis indicam que as mortes [mais de 3.000 para o Governo iraniano e cerca de 30 mil para fontes independentes e médicas] provocadas pelas forças de segurança ocorreram a uma escala impressionante e sem precedentes nas 31 províncias", afirmou a missão, detalhando que a capital, Teerão, e as cidades de Karaj, Mashhad, Isfahan e Rasht registaram o maior número de vítimas mortais.

Está previsto que o Conselho dos Direitos Humanos, composto por 47 membros, receba na próxima segunda-feira este relatório.

NIGÉRIA: Dezenas de mineiros ilegais morrem na Nigéria após terem sido detidos... Dezenas de mineiros presumidamente ilegais morreram após a sua detenção por um corpo das forças da ordem no centro da Nigéria, e a polícia abriu uma investigação sobre estas mortes.

© bbc.com  Por  LUSA  18/09/2026  

O Estado do Níger, com um território mais de duas vezes maior que a Bélgica, é rico em recursos minerais e atrai milhares de mineiros artesanais que extraem maioritariamente ouro.

O chefe da polícia deste Estado "ordenou a abertura imediata de uma investigação sobre a lamentável morte de presumíveis mineiros ilegais no centro de detenção" do Corpo de Segurança e Defesa Civil da Nigéria (NSCDC), segundo um comunicado.

A Defesa Civil apoia a polícia para garantir a segurança, proteger os ativos nacionais sensíveis e as infraestruturas.

A polícia e a Defesa Civil não divulgaram números concretos, mas os meios de comunicação locais indicaram um balanço de 33 mortos.

A Defesa Civil afirmou ter detido "dezenas de mineiros presumidamente ilegais" na terça e quarta-feira.

"Na noite de 17" de setembro de 2026, dezenas de suspeitos detidos foram encontrados mortos, na sequência de uma suspeita de surto de doença, acrescentou.

Um vídeo de 40 segundos publicado online mostra os corpos de dezenas de jovens deitados no chão ao ar livre, parecendo na sua maioria adolescentes.

Voluntários com luvas examinam-nos e mulheres procuram entre os corpos por familiares, enquanto se ouvem vozes a lançar acusações contra os responsáveis.

Um relatório de inteligência consultado pela agência de notícias francesa AFP indica que "informações preliminares sugerem que as mortes poderão dever-se à superlotação e à ventilação insuficiente num centro de detenção".

Estas mortes desencadearam manifestações de "grupos de menores e simpatizantes" na capital regional, Minna, onde foram vandalizados carros, segundo a mesma fonte.

A luta pelos lucros da extração ilegal de ouro alimenta também a violência de gangues criminosos no Estado do Níger, segundo responsáveis locais e especialistas.

Os gangues extorquem os mineiros e exigem uma parte do ouro extraído para os deixarem aceder aos locais de mineração.

A maior parte do ouro extraído ilegalmente é transferida para os Emirados Árabes Unidos e introduzida no mercado mundial de ouro na Europa, nos Estados Unidos, na Ásia e na África do Sul, segundo um relatório de 2024 da ONG SwissAid.

O solo do Estado do Níger é também rico, nomeadamente em cobre e lítio, um recurso muito procurado para o desenvolvimento de veículos elétricos e de energia limpa.


Leia Também: Ex-diretor de prisão síria condenado a 60 anos nos EUA por tortura

Um antigo diretor de uma prisão de Damasco entre 2005 e 2008 foi condenado a 60 anos de prisão nos Estados Unidos por atos de tortura, anunciou na quinta-feira o Departamento de Justiça norte-americano.

Samir Ousman Alsheikh, que dirigia a célebre prisão de Adra sob o regime de Bashar al-Assad, foi considerado culpado de ter "cometido atrocidades contra os direitos humanos na Síria, incluindo para silenciar opositores políticos", ao "ordenar e participar na tortura de prisioneiros", detalha o comunicado...