Por correiodamanhacanada.com Setembro 18, 2026
Moscovo, 18 set 2026 (Lusa) – A carteira de encomendas de exportação de armas da Rússia ultrapassou os 70 mil milhões de dólares (61 mil milhões de euros), anunciou hoje o líder do Kremlin, Vladimir Putin, no dia em que começaram as eleições parlamentares russas.
“Isto significa que a Rússia está a assumir, com segurança, uma posição de liderança no mercado global de armas”, declarou Putin durante uma cerimónia de entrega de prémios oficiais.
O Presidente russo ressalvou que este volume de exportações não impede Moscovo de satisfazer todas as necessidades das forças armadas, envolvidas há mais de quatro anos na invasão da Ucrânia, e das agências de segurança do país.
“Gostaria de realçar que as empresas da indústria de defesa aumentaram significativamente os seus volumes de produção desde o início da operação especial”, observou, referindo-se à designação assumida pelo Kremlin para a guerra no país vizinho.
Vladimir Putin afirmou que “a produção e o fornecimento de armas e munições, incluindo mísseis e projéteis de alta precisão, aumentaram mais de 22 vezes”.
Salientou ainda que a indústria militar está a fornecer drones ao exército de Moscovo sem interrupções e que a produção de dispositivos não tripulados “também aumentou várias vezes e, em alguns casos, dezenas de vezes”.
O anúncio do Presidente russo ocorreu no primeiro de três dias das eleições parlamentares para a câmara baixa da Duma Estatal, as primeiras desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, nas quais cerca de 111 milhões de habitantes de 89 regiões são chamados a votar.
“A sua escolha e a sua determinação demonstrarão mais uma vez que milhões de pessoas apoiam os nossos combatentes, que somos um povo unido, ligado por valores partilhados, memória histórica e amor pela pátria”, declarou Putin à nação antes do se iniciar o processo eleitoral.
Poderão também votar os russos residentes em 152 países, onde o Ministério dos Negócios Estrangeiros habilitou 333 assembleias de voto, muitas delas em missões diplomáticas.
O Kremlin procura que as eleições reforcem o apoio público à guerra e procurou evitar quaisquer riscos políticos, reprimindo o mais leve sinal de dissidência.
O principal partido da esfera do poder, Rússia Unida, tem praticamente garantida a manutenção do seu esmagador controlo da Duma Estatal.
Vários partidos mais pequenos da “oposição sistémica”, que votam em sintonia com o Governo em todas as questões-chave, também devem manter a sua presença.
Os eleitores votam em dois boletins de voto separados, preenchendo metade dos 450 lugares da Duma ao selecionar os partidos políticos listados.
A parte restante é disputada em círculos uninominais, com os eleitores a escolherem candidatos individuais.
O único partido que se opõe à guerra, o Yabloko, não consta do boletim de voto por ter sido excluído pelo Supremo Tribunal.
No entanto, cerca de uma centena dos candidatos do Yabloko ainda mantêm hipóteses de eleição nos círculos uninominais.
A Ucrânia instou hoje a comunidade internacional a não reconhecer os resultados das legislativas realizadas pelas autoridades russas em territórios ucranianos ocupados, enquanto alerta para políticas de russificação forçada na tentativa de legitimar o domínio destas áreas.
A Ucrânia não reconhece nem eleições que considera ilegais nem os seus “resultados sem sentido”, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Kiev, referindo-se à votação realizada na Península da Crimeia, anexada por Moscovo desde 2014, e nas regiões parcialmente ocupadas de Donetsk, Lugansk, Zaporijia e Kherson.
Estas áreas representam cerca de 20% do território ucraniano e correspondem às principais frentes de combate desde a invasão em grande escala das tropas da Rússia, em fevereiro de 2022.
O porta-voz da Comissão Europeia, Christian Wigand, classificou hoje a votação nas regiões controladas pela Rússia como “ilegal” e frisou a condenação do bloco comunitário à realização de “eleições fraudulentas”.
A União Europeia já aplicou mais de 20 pacotes de sanções a Moscovo devido à guerra na Ucrânia.
HB (PNG) // RBF
Lusa/Fim

Sem comentários:
Enviar um comentário