© Fatemeh Bahrami/Anadolu via Getty Images Por LUSA 18/09/2026
Segundo o relato da agência Associated Press (AP), largos milhares de manifestantes marcharam pelo centro de Teerão com uniformes militares e carregando bandeiras, jurando pegar em armas para defender o país dos ataques dos Estados Unidos e Israel, iniciados em 28 de fevereiro, enquanto a assistência aplaudia, na presença de altos dirigentes da República Islâmica.
Durante vários dias, os meios de comunicação social estatais incentivaram os iranianos a juntarem-se a uma campanha de voluntariado militar, indicando que a formação com armas de assalto começaria em breve.
Os voluntários seriam uma camada adicional de segurança para a Guarda Revolucionária Islâmica, a força ideológica do regime, e para as milícias Basij, que desempenharam um papel central na repressão dos protestos antigovernamentais no início do ano, que resultou em milhares de mortos e detidos.
As estimativas variam sobre o número de pessoas que se voluntariaram para receber treino militar e defender o país, ou "aqueles que sacrificam as suas vidas pelo Irão".
O chefe da Guarda de Teerão, Hassan Hassanzadeh, disse à emissora estatal que mais de 600.000 pessoas se inscreveram para participar, sendo esperados mais de um milhão na formação.
Na manhã de hoje, segundo a agência de notícias Tasnim, mais de 300 mil pessoas estavam nas ruas de Teerão.
O novo responsável das milícias Basij, Hossein Taeb, declarou num discurso no início da manifestação que os voluntários estarão prontos para uma "defesa completa" e que concentrações semelhantes terão lugar noutras cidades em breve.
Os novos recrutas serão "um pesadelo" para os inimigos do Irão, prosseguiu Taeb, enquanto o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, os comandantes militares e vários outros altos dirigentes assistiam à marcha.
Alguns participantes pisaram bandeiras dos Estados Unidos e de Israel e outros gritaram "Morte à América" e "Morte a Israel".
"Estou aqui para dizer ao [Presidente dos norte-americano, Donald], Trump que nós, iranianos, não temos medo das suas ameaças contra a nossa pátria", declarou Marzieh Afaghi, 24 anos, que assistiu ao protesto com o filho pequeno e o marido, acrescentando que "ninguém na história conseguiu invadir o Irão e lá permanecer."
O protesto foi também uma oportunidade para o Irão exibir o seu poderio militar.
Baterias antiaéreas estavam em exposição, enquanto membros femininas da Guarda Revolucionária, com lenços pretos na cabeça, se sentavam ao lado de metralhadoras montadas em camiões.
O Governo de Teerão tem procurado mobilizar a população e apelado para a unidade nacional, em pleno agravamento da economia nacional devido ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos e novas sanções de Washington, após o colapso das negociações indiretas de paz.
A Guarda Revolucionária exibiu drones que têm sido utilizados contra navios comerciais no estreito de Ormuz, onde os ataques e ameaças militares iranianas afetaram gravemente o tráfego marítimo na passagem marítima que assegurava o transporte de 20% dos hidrocarbonetos mundiais antes da guerra.
O Irão alegou hoje ter atacado um petroleiro com bandeira do Togo, o "Trend", após uma "tentativa ilegal" de passar pelo estreito de Ormuz, informaram os órgãos estatais.
O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) relatou que um petroleiro foi atingido por um projétil, provocando um incêndio a bordo, entretanto extinto.
Numa atualização separada, o UKMTO indicou que as travessias de navios facilitadas pelos militares dos Estados Unidos na costa de Omã tiveram uma média de 24 por dia na última semana, mas o tráfego geral continua a ser cerca 90% menor em comparação com o período anterior à guerra.
A par da manifestação na capital, Governo iraniano criticou hoje a "propaganda grosseira" dos Estados Unidos, afirmando que Washington "parece pensar que as nações não têm memória nem capacidade de pensamento crítico".
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baghaei, observou que os Estados Unidos tratam o mundo como se fosse "uma colmeia onde se espera que as mentes se desliguem, os olhos estejam fixos nos lábios de Washington e a sua narrativa seja engolida sem questionamento".
Numa publicação nas redes sociais, Baghaei acusou os Estados Unidos de travarem "uma guerra económica brutal, deliberadamente planeada para infligir o máximo de dor e sofrimento aos cidadãos iranianos".
Washington e Teerão acordaram em 17 de junho um memorando de entendimento, com mediação de países do Médio Oriente, que incluiu um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz ao tráfego marítimo e o levantamento do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irão.
No entanto, as partes voltaram aos respetivos bloqueios navais e não prosseguiram as negociações previstas no memorando para alcançarem um acordo de paz definitivo, cujo prazo de dois meses expirou.
A par do recomeço das hostilidades, os Estados Unidos anunciaram uma "guerra económica" que visa asfixiar o Irão, através de sanções a indivíduos e entidades que estabeleçam relações comerciais com a República Islâmica.
O Irão exige que os Estados Unidos voltem aos compromissos assumidos no memorando e tem reiterado que a ameaça militar no estreito de Ormuz só será levantada em troca do fim da guerra em todas as frentes e do fim do bloqueio norte-americano.
Depois do estrangulamento do estreito de Ormuz, os rebeldes Huthis do Iémen, aliados de Teerão, colocaram também sob ameaça a navegação comercial de navios sauditas no mar Vermelho.

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