sexta-feira, 31 de julho de 2026

Itália suspende acordo Schengen com Espanha e reforça fronteiras... O Ministério do Interior italiano ordenou a suspensão do acordo Schengen com Espanha, ditando, por isso, o encerramento das fronteiras marítimas e aéreas com aquele país.

© Getty Images    Notícias ao Minuto com Lusa   31/07/2026

O Ministério do Interior de Itália ordenou, esta sexta-feira, a suspensão do acordo Schengen com Espanha, ditando, por isso, o encerramento das fronteiras marítimas e aéreas com aquele país, devido à crise migratória em Ceuta.

A decisão foi tomada após a avaliação das informações mais recentes por parte do Comité de Análise sobre Imigração e Segurança das Fronteiras, presidido esta manhã pelo ministro do Interior, Matteo Piantedosi, de acordo com a agência Ansa.

O governante manteve ainda uma conversa telefónica com o seu homólogo francês, Laurent Nuñez, durante a qual ficou assente reforço dos controlos ao longo da fronteira terrestre entre os dois países.

Recorde-se que, após a divulgação de imagens de milhares de marroquinos a entrarem ilegalmente ao enclave de Ceuta, na quinta-feira à noite, o governo de direita e extrema-direita de Giorgia Meloni, que tem como uma das grandes bandeiras o combate à imigração ilegal, defendeu "o encerramento do espaço Schengen [de livre circulação de pessoas] com Espanha".

O ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-primeiro-ministro, Antonio Tajani, acusou Madrid de ter encorajado "o tráfico de seres humanos" ao "conceder a cidadania espanhola a 500 mil imigrantes irregulares". Mais tarde, Meloni defendeu também a adoção de "instrumentos extraordinários para defender as fronteiras e a segurança dos cidadãos, como a suspensão do espaço Schengen com Espanha", face às "imagens chocantes" da fronteira em Ceuta.

A posição de Roma foi severamente criticada pelo chefe da diplomacia espanhola, José Luis Albares, que deplorou "a demagogia" de Itália e convocou mesmo o embaixador italiano em Madrid, tendo recebido o apoio do Partido Democrático (PD), principal força política da oposição em Itália, de centro-esquerda, da família socialista europeia, tal como o chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez.

Em comunicado, o responsável pelos Assuntos Externos do PD, Peppe Provenzano, acusou Meloni de "propaganda mesquinha" e considerou que a chefe de governo abriu uma crise diplomática com Espanha para não perder eleitores para a nova figura que está a despontar na direita radical italiana, Roberto Vannacci, que recentemente fundou um novo partido, o Futuro Nacional.

"Uma presidente do Conselho que desencadeia uma crise diplomática com a Espanha devido à louca perseguição a Vannacci. Um ministro dos Negócios Estrangeiros que, evidentemente, ignora que Ceuta é um enclave em África e apela ao encerramento do espaço Schengen com Espanha. É um governo de irresponsáveis e manipuladores, que há quatro anos não resolve um único problema e recorre diariamente à propaganda mais mesquinha", acusou o dirigente.

A completar o comunicado, Provenzano apontou que, "entretanto, a realidade é que Espanha cresce a um ritmo de 2,7% e Itália permanece estagnada, e quem paga a conta são os cidadãos, com salários cada vez mais baixos e um custo de vida cada vez mais insustentável".

Na sequência das declarações de Tajani, o homólogo espanhol lamentou a intervenção, que classificou como inapropriada, por parte de "um país parceiro e amigo de quem se espera solidariedade europeia e não demagogia partidária".

Além dos Irmãos de Itália, partido pós-fascista liderado por Meloni, e do Força Itália, partido de centro-direita encabeçado por Tajani, também o outro partido que integra a coligação governamental, a Liga, força de extrema-direita liderada por Matteo Salvini, defendeu a suspensão do acordo de Schengen com Espanha, comentando que "a chegada de quase 50 mil imigrantes clandestinos a Ceuta em menos de 24 horas comprova o desastroso fracasso do governo socialista de Pedro Sánchez, referência da esquerda italiana".

Pelo menos 57 pessoas morreram desde quinta-feira a tentar alcançar Ceuta a nado, segundo um novo balanço da delegação do Governo espanhol na cidade autónoma e a polícia local. Este número soma-se aos 30 migrantes mortos encontrados até quarta-feira desde o início do ano.

Segundo os dados compilados pelas agências noticiosas espanholas Europa Press e EFE, ascende assim a 87 o número de migrantes encontrados mortos na costa de Ceuta, depois de se terem afogado na tentativa de atravessar a fronteira a partir de Marrocos.

O presidente do governo municipal de Ceuta, Juan Jesús Vivas, estimou hoje em 60.000 o número de migrantes que entraram na cidade nas últimas horas, enquanto o governo espanhol aponta para cerca de 50.000.

Segundo fontes governamentais, cerca de 37.500 pessoas tinham regressado voluntariamente a Marrocos até às 15h30 de hoje (hora local, menos uma hora em Lisboa).


Leia Também: UE nega deslocações de pessoas de Ceuta para a Europa continental

O comissário europeu para os Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, negou hoje que estejam a ocorrer deslocações de pessoas de Ceuta para o continente europeu, classificando, contudo, a situação na cidade autónoma espanhola como "inaceitável".

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