O ministro da Segurança Nacional israelita, o ultranacionalista Itamar Ben-Gvir Foto: Abir Sultan / AFP Por JN/Agências 31 de julho, 2026
O ministro da Segurança Nacional israelita, o ultranacionalista Itamar Ben-Gvir, considerou esta sexta-feira que o acordo anunciado com o grupo islamita palestiniano Hamas na Faixa de Gaza é "inaceitável para Israel", defendendo a continuação da ofensiva no território.
Na primeira reação de um membro do Governo israelita ao acordo anunciado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, o ministro de extrema-direita no Governo de coligação rebateu na rede Telegram os princípios essenciais do entendimento, sobre a retirada gradual das tropas de Israel e o desarmamento do Hamas.
Para Ben-Gvir, terminar as operações na Faixa de Gaza "equivale a aceitar que o Hamas se prepara para o próximo massacre", referindo-se aos ataques em 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, que desencadearam a guerra no enclave palestiniano.
"Após o massacre de 7 de outubro, o sangue de cada membro do Hamas está sobre a sua cabeça", afirmou o ministro israelita, acrescentando que "os assassínios em Gaza devem continuar, o incentivo à emigração [dos habitantes palestinianos] deve acontecer, Israel deve vencer".
O chefe do Governo israelita, Benjamin Netanyahu, ainda não se pronunciou.
Desarmamento do Hamas em Gaza
O presidente norte-americano anunciou na quinta-feira um acordo sobre o desarmamento do Hamas na Faixa de Gaza, um elemento-chave da segunda fase do plano de paz da Casa Branca.
O Hamas confirmou que foi alcançado um acordo relativamente à questão das armas e à retirada gradual das forças israelitas.
As negociações para a implementação da segunda fase do acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, que entrou em vigor em outubro do ano passado e visa pôr fim definitivo à guerra, decorriam há semanas no Egito.
Esta fase inclui o desarmamento do Hamas, uma retirada gradual de Israel do território palestiniano e o envio de uma força internacional de estabilização, sob orientação do Conselho da Paz, criado por Trump e aceite pelas Nações Unidas, bem como o estabelecimento de um governo tecnocrático palestiniano.
"Hoje, o Conselho de Paz chegou a um acordo histórico para o desarmamento completo do Hamas e de todos os outros grupos armados em Gaza. Este é um passo monumental para uma paz e segurança duradouras", escreveu o líder da Casa Branca na rede Truth Social.
Trump afirmou ainda que as forças israelitas se retirarão do território "assim que o desarmamento estiver concluído", apesar de as primeiras reações das partes sugerirem divergências sobre esta questão.
Na sua primeira declaração oficial, o Hamas avisou que não entregará o seu armamento pesado até que as tropas israelitas abandonem a Faixa de Gaza.
O grupo palestiniano sublinha que o acordo referente à recolha de armas pesadas está "vinculado e condicionado" ao cumprimento, por parte de Israel, de dez exigências, incluindo a cessação de todos os ataques israelitas e a retirada de todas as suas tropas.
A declaração refere ainda outras exigências que encontram oposição no Governo israelita, como "a reconstrução, a garantia do direito à autodeterminação, o estabelecimento de um Estado palestiniano independente e a proteção dos direitos dos cidadãos".
Um autodesignado "alto responsável" anónimo do exército israelita afirmou, numa declaração enviada à imprensa do seu país, que "não haverá retirada das Forças de Defesa de Israel da atual "linha amarela" sem o desarmamento genuíno do Hamas", referindo-se à demarcação da presença do exército no território.
Israel expandiu as suas posições desde o acordo de cessar-fogo e reclama o controlo atual de mais de 60% do território.
Cessar-fogo inclui trocas de reféns
A primeira fase do cessar-fogo incluiu a libertação dos últimos reféns israelitas em troca de prisioneiros palestinianos, a retirada parcial das tropas de Israel e a entrada de ajuda humanitária.
Desde o anúncio da trégua, pelo menos 1214 palestinianos foram mortos na Faixa de Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde do território, controlado pelo Hamas, cujos números são considerados fiáveis pela ONU.
O exército israelita relatou ter perdido cinco soldados durante o mesmo período, além de um funcionário civil contratado.
A guerra no enclave foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que provocou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
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O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, dirigiu hoje uma mensagem irónica ao primeiro-ministro espanhol sobre a crise migratória em Ceuta, desafiando-o a "conceder refúgio" aos habitantes de Gaza que desejem emigrar.


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