© Shutterstock Por LUSA 19/05/2026
Segundo um relatório que deverá ser discutido na quinta-feira pelo Conselho de Segurança, o Conselho da Paz --- criado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump --- considera que "a recusa do Hamas em aceitar o desarmamento verificado" está a bloquear os avanços no acordo.
"Nesta fase, o principal obstáculo à plena implementação continua a ser a recusa do Hamas em aceitar o desarmamento verificado, renunciar ao controlo coercivo e permitir uma transição civil genuína em Gaza", refere o documento.
O plano de cessar-fogo patrocinado por Trump prevê, entre outras medidas, a entrega das armas pelo movimento islamita palestiniano, a destruição da rede de túneis do grupo, a retirada das forças israelitas de Gaza, a instalação de uma administração tecnocrática palestiniana e o destacamento de uma força internacional de segurança.
O chefe do Conselho da Paz e antigo enviado da ONU para o Médio Oriente, Nickolay Mladenov, reconheceu na semana passada que o cessar-fogo permanece praticamente paralisado desde a sua entrada em vigor, em outubro.
"A reconstrução não pode começar onde as armas não foram depostas", sublinha o relatório, acrescentando que o desarmamento do Hamas constitui "a variável crítica" para desbloquear todos os restantes pontos do acordo.
O documento apela ainda ao Conselho de Segurança para reiterar "de forma clara e consistente" que o desarmamento em Gaza é essencial não apenas para a reconstrução, mas também para uma eventual retirada israelita e para a criação de um caminho "credível" rumo à autodeterminação palestiniana.
O Hamas rejeitou o relatório e acusou-o de conter "falácias" e de tentar "sabotar" o cessar-fogo.
Em comunicado, o movimento islamita afirmou que o documento ignora "o incumprimento da maioria dos compromissos" por parte de Israel, incluindo as restrições à entrada de ajuda humanitária e materiais de reconstrução no território palestiniano.
O Hamas acusou ainda Israel de continuar a expandir o controlo militar sobre Gaza, alegando que as forças israelitas controlam atualmente cerca de 60% do enclave, apesar da trégua em vigor.
O relatório refere igualmente violações quase diárias do cessar-fogo decretado em outubro passado, incluindo ataques aéreos israelitas, mortos civis e limitações persistentes ao acesso humanitário.
Segundo o documento, a maioria dos cerca de dois milhões de habitantes de Gaza continua a viver em campos de tendas, sem acesso adequado a serviços básicos.
Leia Também: Irão condena morte de chefe militar do Hamas por Israel
O Irão condenou hoje a morte do comandante do braço armado do Hamas em Gaza, Ezzedine al-Haddad, às mãos de Israel, classificando-a como "ato terrorista" e denunciando que os Estados Unidos são "cúmplices de todos estes crimes".


Sem comentários:
Enviar um comentário