quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

GRUPO DE REFLEXÃO NEGA ACUSAÇÕES DA DIREÇÃO E APELA AOS VETERANOS PARA SALVAR O PAIGC

Por: Filomeno Sambú odemocratagb.com

Grupo de Reflexão, que integra dirigentes e militantes do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), reagiu ao comunicado do Secretariado Nacional do partido, negando que seja movido por ambições pessoais. O grupo apela aos veteranos do PAIGC para que assumam o processo de transição, com o objetivo de “salvar o partido de nós”.

Segundo o grupo, a sua ação é motivada exclusivamente pela convicção de que o PAIGC deve voltar a ser “o farol da democracia e da justiça social”.

Na terça-feira, 4 de fevereiro, o Secretariado Nacional do PAIGC acusou o grupo, liderado por Aladje Seco Sanó, de protagonizar ações sistemáticas de hostilidade contra o partido, alegadamente ao serviço de interesses alheios ao PAIGC e em conluio com o regime instalado desde 2019, com o objetivo de fragilizar e assaltar a liderança partidária.

Em reação a essas acusações, o Grupo de Reflexão afirma que o seu objetivo é congregar todas as sensibilidades internas, restaurar a unidade e erguer novamente o PAIGC como referência incontornável da vida política guineense.

“Amílcar Cabral já dizia que nem todos são do partido. Hoje, assistimos claramente que as opções políticas assumidas resultam da incompetência e da falta de visão estratégica. Porque, de facto, nem todos são do partido”, sustenta o grupo.

Num comunicado datado de 5 de fevereiro, a que O Democrata teve acesso, o Grupo de Reflexão garante que continuará firme e defende que a única opção é os veteranos do partido assumirem o processo de transição para “salvar o partido de todos nós”.

“Este Grupo de Reflexão sente o PAIGC, vive o PAIGC, e entende que não se pode continuar parado à espera que a atual direção, movida por mera obsessão, ambição e nepotismo, acabe por aniquilar um partido que sempre foi símbolo de esperança e referência para o povo guineense”, lê-se no comunicado.

O grupo denuncia ainda que o PAIGC, um partido forjado numa gloriosa luta que custou sangue, suor e lágrimas aos combatentes da liberdade da pátria, encontra-se hoje “desamparado, impotente e abandonado” pelos seus dirigentes máximos do Presidium e da Comissão Permanente. Estes estariam, segundo o comunicado, num “silêncio ensurdecedor”, “escondidos ou exilados”, com receio de aceitar e enfrentar a realidade atual e “incapazes de defender os superiores interesses do nosso grande partido”.

Face a esta paralisia, o Grupo de Reflexão — constituído por militantes e dirigentes “com elevado sentido militante e patriótico” — decide assumir, “com determinação inabalável”, o compromisso de resgatar “o nosso grande partido” e colocá-lo novamente ao serviço “deste martirizado povo”.

“A política faz-se com dignidade, coragem e determinação, mas sobretudo com a convicção de defender um bem maior, longe de interesses mesquinhos ou de grupo”, conclui o comunicado.

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