Por LUSA
"O chefe de Estado [russo] recebeu no Kremlin o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional da República Islâmica do Irão, Ali Larijani, que se encontra de visita à Rússia", informou a presidência russa num comunicado publicado no seu 'site'.
As conversações centraram-se em "questões regionais e internacionais importantes", disse, por sua vez, o embaixador do Irão em Moscovo, Kazem Jalali, segundo publicou a representação diplomática na plataforma Telegram.
O encontro de Putin com o representante do Irão, país aliado de Moscovo, ocorre um dia depois de a presidência russa ter considerado que o potencial para negociações se encontra "longe de estar esgotado", apesar das repetidas ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump.
"Continuamos a apelar a todas as partes para que exerçam moderação e se abstenham do uso da força para resolver este diferendo", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, acrescentando que "qualquer ação coerciva só semearia o caos na região".
O Presidente norte-americano disse hoje que o Irão quer chegar a acordo com os Estados Unidos e que deu um prazo não divulgado a Teerão.
"Espero que cheguemos a um acordo. Se chegarmos, ótimo. Se não, veremos o que acontece", afirmou o líder da Casa Branca aos jornalistas na Sala Oval.
Donald Trump disse na quinta-feira que esperava não ter de atacar o Irão, após as suas ameaças de usar a força em resposta à repressão das autoridades iranianas das manifestações antigovernamentais na República Islâmica.
Nos últimos dias, adicionou que pretende um acordo sobre a política nuclear iraniana, enquanto avisava Teerão de que o tempo estava a esgotar-se.
O Irão admitiu hoje negociar com os Estados Unidos uma solução para o conflito em torno do programa nuclear, apesar do que descreveu como a "falta de boa vontade de Washington" no passado.
"Rejeitamos qualquer política imposta, mas estamos dispostos a participar num processo diplomático significativo, lógico e justo", afirmou o chefe da diplomacia de Teerão, Abbas Araghchi, no final de conversações com o homólogo turco, Hakan Fidan, em Istambul.
Acrescentou, no entanto, que as capacidades de defesa e os mísseis do Irão "nunca serão objeto de negociações".
Fidan considerou por seu lado fundamental que Washington e Teerão retomem as negociações, depois de o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, se ter oferecido ao homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, como facilitador com o objetivo de "acalmar as tensões e resolver os problemas".
As ameaças do líder da Casa Branca foram acompanhadas pelo envio de uma força naval norte-americana, incluindo o porta-aviões "Abraham Lincoln", que chegou à região do Golfo na segunda-feira com a sua escolta.
A hostilidade retórica foi aumentando nos últimos dias, tendo o porta-voz das forças armadas do Irão afirmado na quinta-feira que a República Islâmica irá retaliar imediatamente se sofrer um ataque militar, referindo que numerosas bases norte-americanas na região estão ao alcance dos mísseis iranianos.
No mesmo dia, o primeiro vice-presidente do Irão, Mohammad Reza Aref, avisou que o país deve preparar-se para a guerra, perante as ameaças de Trump, após instalações nucleares iranianas terem sido visadas em junho por bombardeamentos dos Estados Unidos e Israel.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, comentou, numa audição na quarta-feira na Comissão dos Negócios Estrangeiros do Senado em Washington, que o Irão está "mais fraco do que nunca", com a economia "em colapso", e, ao contrário do que acontecia no passado, o regime mostra-se incapaz de responder às reivindicações dos protestos.
Na semana passada, as autoridades iranianas anunciaram que pelo menos 3.117 pessoas morreram nos protestos ao longo de janeiro, números contestados por organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos, que alegaram estar em posse de dados que confirmam uma dimensão muito superior, a que somam dezenas de milhares de detidos.
O movimento de protesto, iniciado em 28 de dezembro contra o elevado custo de vida e desvalorização da moeda nacional, levou a um apagão de comunicações sem precedentes em todo o país e foi alvo de uma repressão brutal. As manifestações perderam entretanto intensidade, mas as detenções prosseguem.
Leia Também: Trump diz que Irão quer acordo e que há prazo, mas "só eles sabem"
O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse hoje que o Irão quer chegar a acordo com os Estados Unidos e que deu um prazo não divulgado a Teerão, após repetidas ameaças de intervenção militar.


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