© REUTERS/Alexey Pavlishak Por LUSA 10/08/2026
"A Crimeia enquadra-se nos principais pilares conceptuais no caminho para o fim da guerra", afirmou o major Robert "Magyar" Brovdi, em entrevista à agência norte-americana Associated Press (AP).
O comandante militar destacou que as suas forças poderão atingir sete vezes mais alvos militares na Crimeia se a ajuda financeira prometida pelos aliados ocidentais de Kiev chegar mais rapidamente.
Apesar desta limitação, a campanha de verão da Ucrânia na Crimeia já infligiu danos significativos, atingindo pontes ferroviárias, depósitos de petróleo e infraestruturas energéticas para interromper as linhas de abastecimento e "cegar" as defesas aéreas russas, enquanto os drones ucranianos sobrevoam a região.
No entanto, Brovdi disse que as suas forças estão equipadas com apenas 14% do que precisariam para realizar a campanha na Crimeia na sua plena capacidade.
Antigo gestor de um negócio internacional de comércio de cereais, Brovdi juntou-se à defesa territorial da Ucrânia como voluntário nos primeiros dias da invasão russa, em fevereiro de 2022.
Progrediu rapidamente, comandando uma das brigadas de drones mais eficazes do país antes de ser escolhido para liderar um contingente sem precedentes antes da guerra: as Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia.
"Não é que a capacidade de produção dos fabricantes ucranianos não nos permita produzir as quantidades necessárias" de drones, observou, mas "o problema banal do financiamento" que os parceiros anunciam para a Ucrânia e que chega "mais devagar" do que os planos militares de Kiev.
As suas unidades trabalham 24 horas por dia para tentar impedir que a Crimeia funcione como uma base de operações para o exército russo, segundo Brovdi, cujo nome de guerra "Magyar" faz referência às suas raízes étnicas húngaras.
Para abrir uma "janela" que permita que os drones atinjam a Crimeia sem serem abatidos em massa, as suas forças destruíram mais de 300 dispositivos de defesa aérea nos últimos meses, entre sistemas terra-ar, estações de radar e equipamento de guerra eletrónica.
Grande parte do equipamento de defesa aérea da era soviética da Rússia funciona com a rede elétrica, o que é uma das razões pelas quais a infraestrutura energética da Crimeia se tornou num alvo recorrente.
Os militares russos ficam "cegos", restando apenas metralhadoras e espingardas, relatou.
Esta tática também afetou o acesso à energia elétrica para os civis, e Brovdi afirmou à AP já ter pedido desculpas públicas duas vezes aos ucranianos que vivem na Crimeia por estas interrupções.
Onde quer que as comunicações por satélite Starlink (serviço fornecido pela SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk) alcancem a Crimeia, as suas forças podem agora destruir até o alvo mais fortemente defendido, com uma média de apenas três drones, misturando munições com diferentes características e ogivas, dependendo do que está a ser atingido, prosseguiu.
Brovdi descreveu estes ataques como deliberadamente calibrados, munições diferenciadas para um pilar de uma ponte, para um camião-cisterna ou um comboio em movimento -- e insistiu que as suas forças evitam atingir infraestruturas civis.
Pelo contrário, "criar condições que tornem impossível para qualquer tipo de capacidade militar... permanecer no local tornará a Crimeia desinteressante como base militar", comentou.
O comandante militar referiu que a Ucrânia está também a trabalhar para desmantelar o papel da Crimeia como base naval, que seria um golpe para a presença da Rússia perto das fronteiras da NATO.
Os resultados iniciais da campanha não foram divulgados, segundo Brovdi.
Referiu porém que, cerca duas semanas após o início da ofensiva, no final de junho, os serviços de informação ucranianos indicaram que as autoridades russas ordenaram que todos os comandos militares e serviços de segurança se retirassem da península, juntamente com uma ordem secreta para remover ficheiros e obras de arte confidenciais
A AP não conseguiu verificar a informação de forma independente.
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