Por Capital News Guiné -Bissau 10/08/2026
Jurista receia golpe institucional na Ordem dos Jornalistas
A Ordem dos Jornalistas da Guiné-Bissau mergulhou em crise institucional. Na reunião da última sexta (8/8),a direção cessante prorrogou o próprio mandato por mais um ano, destituiu a comissão eleitoral e suspendeu a Assembleia Geral. Sem consenso sobre regras básicas, como a idade mínima para Bastonário, a organização congelou o processo democrático interno e abriu espaço para o que um jurista Fodé Mané classifica como "aproveitamento oportunista" que pode descredibilizar toda a classe.
O impasse estourou durante encontro marcado para organizar o pleito. O principal ponto de discórdia foi a idade para concorrer ao cargo máximo da Ordem. A proposta previa 35 anos como mínimo. Um grupo defendeu reduzir para 20 ou 25 anos. Outra corrente exigiu manter os 35. Sem cedência de lado nenhum, a reunião terminou em tensão.
Segundo o presidente da Mesa da Assembleia Geral, Alfredo Maria Gomes, em declarações à Rádio Capital FM, a comissão eleitoral foi destituída e os poderes regressaram à direção cessante. A justificação oficial é "reparar as eleições" adiadas e cumprir duas missões urgentes. Com isso, o atual mandato foi estendido por 12 meses.
Para o jurista Fodé Mané, a solução adotada carece de base legal.
"Analisando bem os estatutos da Ordem dos Jornalistas, esta situação concreta não tem previsão. As normas para o fim do mandato e preparação das eleições estão claras, mas uma vez não tendo sido feitas no prazo estipulado, as coisas tornam-se complicadas, porque repor a situação seria sempre atribuir competências a quem carece de legitimidade", alerta.
Mané defende que o caminho passa por consenso entre os membros, mas critica a forma como a decisão foi imposta.
"Aqui é necessário haver algum consenso para aceitar alguma solução consensual, mas não agir como que é uma solução correta, ou seja, tem que ser assim. O meu receio é que não haja o aproveitamento oportunista da situação para descredibilizar os jornalistas", disse.
Apesar do cenário, Alfredo Maria Gomes garantiu que vai trabalhar para viabilizar a Assembleia Geral e defendeu a participação de todos no processo.

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