quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Secretário da Energia norte-americano garante que EUA não querem "roubar o petróleo" venezuelano... Chris Wright defendeu um acordo em que a Venezuela passa a usufruir de um ativo "não utilizado, que não rende nada ao povo venezuelano", anunciou contratos para energia e hidrocarbonetos e destacou a necessidade de estabilizar o país antes das eleições.

 SIC Notícias/Lusa   03/09/2026 

O secretário da Energia norte-americano, Chris Wright, rejeitou na quarta-feira a acusação de que Washington pretende "roubar o petróleo venezuelano", relacionada com o acordo de exploração pelos Estados Unidos de 20% das reservas da Venezuela.

"Vi as manchetes. 'Estamos a roubar o petróleo venezuelano'. Claro que isso não é verdade. Os recursos, o petróleo da Venezuela, pertencem efetivamente ao povo venezuelano", declarou Wright em Caracas à agência France-Presse (AFP), no final de uma visita ao país.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou em 28 de agosto ter celebrado com a Venezuela um acordo que permite aos Estados Unidos assumir o controlo maioritário de mais de 65 mil milhões de barris das reservas do país.

A Venezuela estima que irá obter ganhos no valor de 209 mil milhões de dólares (180 milhões de euros) ao longo de 25 anos.

As empresas privadas, sublinhou Chris Wright, "fornecem o capital para produzir o petróleo, mas os lucros, royalties e impostos revertem inteiramente para o Governo da Venezuela e para o povo venezuelano".

"Tudo o que fazemos é pegar num ativo subterrâneo não utilizado, que não rende nada ao povo venezuelano, e fornecer o dinheiro e a tecnologia necessários para o desenvolver, para que beneficie a Venezuela e o mundo inteiro", acrescentou, sublinhando que se trata de uma "partilha de receitas".

A visita do secretário de Donald Trump foi marcada pela assinatura de vários contratos com multinacionais, para a exploração de hidrocarbonetos, bem como para a reabilitação da rede elétrica.

Wright insistiu na importância de recuperar o setor elétrico, numa altura em que os cortes de energia são recorrentes na Venezuela e em que o setor petrolífero depende dele para funcionar.

"A boa notícia é que já existe na Venezuela uma enorme capacidade de produção de eletricidade, que não está a ser utilizada. Em breve, penso que serão adicionados gigawatts de capacidade à rede venezuelana, simplesmente colocando novamente em funcionamento algumas infraestruturas existentes", acrescentou o responsável, referindo-se a um plano de cinco anos, cujos primeiros efeitos serão visíveis nos próximos seis a 12 meses.

No plano político, em resposta às declarações do Presidente Trump, que considerou na quarta-feira que a Venezuela "ainda não está pronta" para eleições, Wright precisou: “É um processo (...). É preciso estabelecer os cadernos eleitorais, reforçar certas instituições civis”.

"Temos de estabilizar o país, relançar a economia“, afirmou, acrescentando que ”alguns dos desafios a longo prazo - reestruturação da dívida, investimentos, entrada de empresas - são, em parte, independentes da estrutura política".

"Não queremos esperar, ficar de braços cruzados durante todo o tempo que o processo eleitoral demorar", concluiu.


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O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, instou hoje os países parceiros a "cessarem imediatamente" o comércio com a Nicarágua, após o parlamento deste país ter votado a exclusão dos partidos da oposição das eleições.

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