quarta-feira, 9 de setembro de 2026

ONU deplora "silêncio ensurdecedor" face a restrições dos talibãs... O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos alertou hoje para as inúmeras restrições impostas pelas autoridades talibãs aos afegãos, particularmente às mulheres e raparigas, deplorando o "silêncio ensurdecedor" perante o seu sofrimento.

© Lusa    09/09/2026 

"A situação de muitas pessoas no Afeganistão continua a piorar. Milhões estão mergulhados na pobreza", disse Volker Turk, citado em comunicado.

"Mês após mês, as autoridades [talibãs] apertam o cerco e implementam medidas opressivas. No entanto, parece que o mundo se esqueceu e abandonou o povo afegão, deixando-o a enfrentar uma situação que se agrava de dia para dia. Este silêncio é ensurdecedor", sublinhou.

Turk deplorou "as restrições que dificultam o acesso à educação, ao emprego, à liberdade de circulação e à vida pública, a imposição de códigos de vestuário rígidos e a completa ausência de mulheres em todos os órgãos públicos de decisão".

O alto comissário apelou à comunidade internacional para que intensifique esforços que garantam que as autoridades talibãs respeitam o Direito Internacional.

Para o líder da agência da ONU para os direitos humanos, a "exclusão sistemática das mulheres e raparigas da vida pública, normalizada e institucionalizada pelas autoridades, equivale a um 'apartheid' de género".

Aproximadamente 2,4 milhões de jovens afegãs foram privadas do ensino secundário desde que os talibãs regressaram ao poder, há cinco anos, segundo a UNESCO.

O alto comissário alertou ainda que decretos recentes aumentaram as dificuldades de as mulheres se divorciarem e legitimaram implicitamente o casamento infantil e a violência contra as mulheres e crianças.

Há um ano, as autoridades talibãs proibiram as mulheres afegãs, incluindo as funcionárias da ONU, de aceder às instalações da organização no país.

Pelo menos 449 homens e mulheres foram sujeitos a castigos corporais pelas autoridades talibãs durante o primeiro semestre do ano, de acordo com a UNESCO, que acrescenta que as minorias religiosas, particularmente as comunidades xiitas e ismaelitas, continuam a enfrentar restrições.

O alto comissário denunciou ainda "a censura" dos meios de comunicação afegãos e as detenções de jornalistas.

Apesar da situação dramática dos direitos humanos, os regressos forçados ao Afeganistão continuam, com mais de 400 mil afegãos a serem devolvidos à força este ano, segundo a ONU, principalmente do Irão e do Paquistão, afirmou o gabinete do Alto Comissariado.

A agência salientou também que "vários Estados-membros da UE reforçaram a sua coordenação com as autoridades 'de facto' relativamente ao regresso de afegãos" ao seu país, onde 21,9 milhões de pessoas, ou seja, cerca de 45% da população, necessitam de ajuda humanitária.


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