© REUTERS/Mehr News Agency/Rauf Mohseni LUSA 01/09/2026
"Uma operação decisiva das forças armadas iranianas em resposta ao inimigo americano teve início", indicou a agência noticiosa, sem precisar os alvos.
Segundo a Tasnim, "as bases e os interesses americanos na região estão a ser alvejados por mísseis e drones iranianos".
A Guarda Revolucionária já tinha ameaçado punir os Estados Unidos "severamente" pelos novos ataques, hoje anunciados contra alvos da força ideológica do regime iraniano, após o reatamento dos bombardeamentos norte-americanos desde a noite de domingo.
"As forças norte-americanas começaram a atacar alvos da Guarda Revolucionária Islâmica no Irão", afirmou o Comando Central norte-americano (Centcom).
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou pelo seu lado que, se Teerão "retaliar contra este ataque totalmente justificado, será novamente atacado, com muito mais força e intensidade".
Os ataques norte-americanos começaram logo após o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, ter pedido o regresso do diálogo com Washington, atualmente parado.
O líder iraniano pretende que os Estados Unidos respeitem o memorando de entendimento assinado em junho que conduziu a um cessar-fogo antes de o acordo colapsar.
"Se os Estados Unidos regressarem aos seus compromissos ao abrigo do memorando de entendimento (...), a República Islâmica do Irão tomará imediatamente medidas recíprocas", declarou durante a cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, no Quirguistão.
A televisão estatal iraniana noticiou várias explosões no sul do país, perto de Bandar Abbas e da ilha de Qeshm, junto ao estreito de Ormuz, onde as forças iranianas colocaram sob ameaça o tráfego marítimo desde o começo da guerra, em 28 de fevereiro, fazendo disparar os preços internacionais de petróleo.
De seguida, foram relatadas novas explosões nos mesmos locais, bem como na ilha de Lavan, que alberga um dos terminais de exportação de petróleo do Irão.
Os meios de comunicação estatais iranianos informaram que quatro projéteis atingiram cidades a leste do estreito de Ormuz e anunciaram que um aeroporto no sul do Irão, na província de Kerman, tinha sido alvejado.
Ao fim do dia, Ahmad Nafisi, vice-governador da província de Hormozgan, disse à televisão estatal iraniana que um ataque aéreo norte-americano atingiu uma casa onde decorria uma cerimónia de casamento em Kuhestak, no sul do país, matando duas pessoas e deixando outras feridas.
Estes relatos surgiram pouco depois de dois petroleiros terem sido atingidos por "projéteis de origem desconhecida" quando deixavam o estreito, de acordo com a agência marítima grega Marisks.
Os Estados Unidos já tinham lançado ataques no domingo, os primeiros no último mês, contra a ilha iraniana de Larak, referindo que foram visados lançadores de minas destinadas ao estreito de Ormuz.
O Irão respondeu com bombardeamentos a bases norte-americanas na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos, embora os dois países tenham indicado que intercetaram todas as ameaças.
Esta escalada de confrontação ocorre após o anúncio, na semana passada, da operação "Pária Económico", que visa isolar o Irão atingindo as suas receitas comerciais.
Washington e Teerão acordaram em 17 de junho um memorando de entendimento, que incluiu um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio naval entretanto imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irão.
As partes voltaram no entanto à confrontação e aos respetivos bloqueios navais e não prosseguiram as negociações previstas no memorando para alcançarem um acordo de paz definitivo, cujo prazo de dois meses já expirou.
O presidente do parlamento e líder dos representantes do Irão nas conversações indiretas de paz com os Estado Unidos ameaçou hoje com "uma resposta militar" se as forças norte-americanas intensificarem o seu bloqueio naval aos portos iranianos.
"Se intensificarem o bloqueio, daremos, sem dúvida, uma resposta militar", declarou Mohammad Bagher Ghalibaf num vídeo divulgado pelos meios de comunicação social iranianos, no qual apelou aos iranianos para que usem contenção no consumo de combustível.
O Irão exige que os Estados Unidos voltem aos compromissos assumidos no memorando e tem reiterado que o estreito de Ormuz só será reaberto em troca do fim da guerra em todas as frentes e do levantamento do bloqueio norte-americano.
Ao mesmo tempo, tem negociado com o vizinho Omã um acordo provisório para o estabelecimento de rotas marítimas seguras em Ormuz, antes de os dois lados avançarem para um entendimento final, que poderá culminar na cobrança de portagens à navegação comercial.
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A Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) sublinhou que a falta de acesso às instalações nucleares iranianas para verificar o material nuclear "deve ser resolvida com a maior urgência", num relatório hoje divulgado.


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