© Taiwan Presidential Office/Anadolu via Getty Images Por LUSA 04/08/2026
No discurso de abertura do Fórum Ketagalan, um encontro sobre segurança no Indo-Pacífico organizado pelo Governo taiwanês, Lai voltou a criticar duramente a Lei para a Promoção da Unidade e do Progresso Étnicos, que entrou em vigor na China e que, segundo Pequim, visa reforçar a unidade nacional e promover o desenvolvimento das regiões habitadas por minorias étnicas.
Uma das principais preocupações de Taiwan prende-se com o artigo 63 da lei, que estabelece que "organizações e indivíduos fora da China que pratiquem atos que comprometam a unidade e o progresso étnicos ou promovam o separatismo étnico serão responsabilizados nos termos da lei".
Segundo académicos taiwaneses, esta disposição poderá expor os cidadãos da ilha a riscos políticos e jurídicos, sobretudo aqueles que viajam frequentemente para a China continental ou que aí mantêm emprego, investimentos ou laços familiares.
"A lei chinesa sobre a unidade étnica viola a soberania de Taiwan e persegue religiões e grupos minoritários. Mas vai mais longe. Através de formas de repressão transnacional, impõe censura política em todo o mundo e cria um efeito intimidatório", denunciou Lai, frequentemente descrito pelas autoridades chinesas como "independentista" e "agitador".
Neste contexto, Lai garantiu que "Taiwan não se desviará do seu caminho" e continuará a defender "os valores da liberdade e da democracia", prometendo igualmente "não recuar" na proteção desses direitos perante as ameaças decorrentes da nova legislação chinesa.
"Não aceitaremos a infiltração da frente unida nem o terror vermelho. Não ficaremos de braços cruzados enquanto a China tenta alargar a sua influência sobre Taiwan ou qualquer outra nação, ou região livre. Construiremos sistemas mais robustos para prevenir, responder e proteger-nos destas ameaças", afirmou.
O líder taiwanês sublinhou ainda que Taipé responderá com "ações" assentes nos princípios da "defesa coletiva" e da "responsabilidade partilhada", comprometendo-se a aprofundar a modernização das Forças Armadas e a reforçar a "resiliência de toda a sociedade".
"Mesmo perante ameaças autoritárias e novos desafios globais, manter-nos-emos firmes. Garantiremos que este farol da democracia continue a brilhar e que os alicerces da nossa liberdade permaneçam sólidos", declarou.
As declarações surgem numa altura de crescente tensão entre Taiwan e a China, que considera a ilha, governada autonomamente desde 1949, uma "parte inalienável" do seu território e não exclui o recurso à força para assumir o seu controlo.
As Forças Armadas de Taiwan iniciam na quarta-feira a fase com fogo real das manobras militares anuais Han Kuang, destinadas a testar o grau de preparação das tropas perante uma eventual ofensiva militar chinesa.

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