© Iranian Presidency / Handout/Anadolu via Getty Images Por LUSA 04/08/2026
"Se alguma vez decidir demitir-me, serei eu próprio a anunciá-lo. Mas não me vou demitir e vou manter-me firme", disse Masoud Pezeshkian numa entrevista televisiva citada pela agência iraniana Tasnim.
O jornal norte-americano The New York Times avançou no dia 4 de julho que Pezeshkian tinha ameaçado demitir-se caso o líder supremo iraniano rejeitasse o memorando de entendimento com os Estados Unidos, firmado a 17 de junho, o que terá aumentado a pressão sobre o líder religioso xiita para que aprovasse o acordo.
Segundo a organização não-governamental (ONG) norte-americana Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), Khamenei acabou por autorizar o acordo apesar de ter "uma opinião diferente".
Em 18 de junho, o líder supremo "provavelmente atribuiu a responsabilidade pelo acordo a Pezeshkian" e ao Conselho de Segurança iraniano para se distanciar de qualquer "fracasso resultante do memorando de entendimento ou das negociações", adiantou o ISW.
Além do Presidente iraniano, Khamenei estará também a procurar limitar a capacidade de outros responsáveis da linha mais pragmática do regime para influenciar a abordagem de Teerão em relação aos Estados Unidos no atual conflito.
Segundo a agência Tasnim, o diretor adjunto do gabinete de comunicação presidencial, Seyyed Mehdi Tabatabaei, rejeitou também hoje as notícias "infundadas" da demissão de Pezeshkian, classificando-as como uma "mentira descarada".
Criticou ainda "os extremistas políticos por espalharem os rumores", numa "tentativa de minar a unidade nacional e servir os interesses dos inimigos do Irão", de acordo com a agência noticiosa iraniana.
Horas antes de se pronunciar sobre a alegada demissão, o Presidente iraniano disse que a República Islâmica não pretende alargar o conflito com Washington, após o homólogo norte-americano, Donald Trump, ter insistido uma vez mais que os países estavam a negociar.
"Defendemos o nosso território, mas não pretendemos uma escalada da guerra nem prolongar o conflito", afirmou Pezeshkian durante um discurso na inauguração de um projeto de saúde de apoio a famílias, segundo a Tasnim.
O líder apelou também ao reforço da coesão interna para impedir que "o inimigo" consiga "dividir e destruir" a sociedade iraniana.
"Devemos trabalhar para construir, nas circunstâncias atuais, uma sociedade que não desperte a ganância do inimigo, na qual este não possa intervir nem seja capaz de a dividir e destruir", afirmou.
Trump insistiu na segunda-feira que os Estados Unidos mantêm negociações com o Irão, apesar de Teerão ter negado isso horas antes, uma postura que o republicano classificou de hipócrita.
"Estamos a dialogar e fazemo-lo a pedido do Irão, com o apoio da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar, além de outros países. (...) Todos queriam dar uma última oportunidade a este processo. É uma última oportunidade. É a última oportunidade que (o Irão) tem para assinar um bom acordo", continuou o líder norte-americano de 80 anos, um dia depois de ter suspendido os ataques contra infraestruturas energéticas iranianas para retomar as conversações.
A guerra começou em 28 de fevereiro, com o lançamento de uma ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, a que Teerão respondeu com ataques na região e o bloqueio do estreito de Ormuz.
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