quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Israel lançou 113 projéteis no Líbano, máximo desde acordo... O exército israelita lançou na quarta-feira 113 projéteis no sul do Líbano, o maior número de ataques num dia desde o acordo de segurança alcançado pelos dois países em junho, informou hoje a missão de paz da ONU.

© iStock   Por  LUSA   06/08/2026 

"As forças de paz continuam a observar violações diárias do espaço aéreo libanês e atividades militares em terra", alertou em comunicado a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL), que aponta os 113 projéteis disparados por Israel como "o maior número" registado pelos militares internacionais desde o acordo anunciado em 26 de junho.

A missão da ONU observou que a violência "continua significativamente menor do que nos meses anteriores", mas salientou que "a situação geral continua frágil", numa altura em que Israel prossegue os ataques no Líbano, em plena sétima ronda de negociações entre os dois países, a decorrer em Roma com o patrocínio dos Estados Unidos.

"O diálogo e a coordenação continuam a ser essenciais para a desescalada e fundamentais para a restauração da plena estabilidade no sul do Líbano", reforçou a FINUL.

Representantes libaneses e israelitas alcançaram um acordo em junho para a criação de "zonas-piloto" no sul do Líbano, que prevê a retirada das tropas de Israel e o posicionamento de forças regulares de Beirute, como parte dos esforços para um entendimento final de paz, apesar da oposição do grupo xiita Hezbollah ao diálogo entre os dois países.

O exército israelita confirmou ataques no sul do Líbano na quarta-feira, "em resposta a uma violação flagrante do cessar-fogo" pelo Hezbollah, que provocaram pelo menos um morto e 11 feridos, segundo a agência de notícias estatal libanesa (NNA).

Já hoje, as autoridades de Beirute confirmaram que oito civis ficaram feridos em novos ataques israelitas contra o sul do país, na zona de Burj al-Shamali.

Além disso, a NNA noticiou que o exército israelita intensificou os ataques nas últimas horas, sobretudo na região de Tiro, onde realizou uma série de bombardeamentos aéreos e de artilharia.

Por sua vez, o exército israelita indicou hoje que dois dos seus soldados foram mortos no sul do país vizinho.

As hostilidades ocorrem durante a sétima ronda de negociações entre representantes libaneses e israelitas, que hoje retomaram os trabalhos em Roma, depois de, na quarta-feira, terem sido interrompidos "mais cedo do que previsto devido aos acontecimentos no terreno", de acordo com um porta-voz do Departamento de Estado.

O Líbano foi arrastado pelo Hezbollah para a nova guerra na região ao reatar, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita, como retaliação da ofensiva israelo-americana contra o seu aliado iraniano.

Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do Líbano desde o conflito anterior, provocando mais de 4.300 mortes e deixando acima de um milhão de deslocados, segundo as autoridades de Beirute.

As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e interrompido com o início do conflito, em 28 de fevereiro, entre Estados Unidos, Israel e Irão. 

Israel avisou repetidamente que não abandonará o sul do Líbano até que as milícias do Hezbollah sejam desarmadas e deixem de constituir uma ameaça.


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