quarta-feira, 25 de março de 2026

OIM: Recorde de 900 migrantes mortos ou desaparecidos no Mar Vermelho em 2025... Pelo menos 900 migrantes foram mortos ou desapareceram no Mar Vermelho em 2025, sendo este ano o "mais mortífero de sempre" para a Rota Oriental, anunciou hoje a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

© Lusa   25/03/2026 

"O ano de 2025 foi o mais mortífero de sempre registado na rota migratória do Leste, [que liga o Corno de África à Península Arábica], com 922 pessoas mortas ou desaparecidas, o dobro do ano anterior", declarou a chefe de missão da OIM no Djibuti, Tanja Pacifico, acrescentando que "a maioria das vítimas era originária da Etiópia".

Todos os anos, dezenas de milhares de migrantes do Corno de África, muitas vezes provenientes da Etiópia e da Somália, percorrem esta "Rota Oriental" para tentarem chegar aos países do Golfo, que são ricos em petróleo, fugindo, assim, de conflitos, catástrofes naturais e das perspetivas económicas desfavoráveis dos seus países.

A maioria dos migrantes tenta a travessia a partir do Djibuti.

A Etiópia, o segundo país mais populoso do continente africano e com cerca de 130 milhões de habitantes, tem mais de 40% da sua população a viver abaixo do limiar da pobreza, segundo o Banco Mundial (BM).

O país africano é palco de conflitos armados nas duas regiões mais populosas e acaba de sair de uma sangrenta guerra civil na região do Tigray (norte), que causou mais de 600 mil mortos entre 2020 e 2022, de acordo com uma estimativa da União Africana (UA), considerada subestimada por vários especialistas.

Cerca de 1.300 pessoas morreram de fome e por falta de medicamentos em campos de deslocados em todo o Tigray desde o fim da guerra, disse, na segunda-feira, um responsável local citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Segundo a agência das Nações Unidas, o crescimento económico previsto para 2026 na Etiópia, de cerca de 10%, "poderá reduzir alguns movimentos migratórios pela Rota Oriental", mas a inflação, em torno dos 10% em fevereiro, é "suscetível de comprometer os progressos económicos e de continuar a alimentar as pressões migratórias".

Entre aqueles que conseguem completar a travessia, muitos ficam retidos no Iémen, o país mais pobre da Península Arábica, assolado por uma guerra civil há quase 10 anos, onde tentam sobreviver em condições difíceis. Alguns migrantes que ficam retidos neste país preferem voltar para trás.

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