Por LUSA
As depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados, obrigaram o Governo a responder com medidas excecionais e urgentes, tendo sido realizados três Conselhos de Ministros em oito dias.
A primeira depressão a chegar foi a Kristin, que na madrugada de 28 de janeiro se intensificou de forma muito rápida, com ventos na ordem dos 200 quilómetros por hora e chuva forte que destruíram ou danificaram inúmeras habitações e infraestruturas.
Muitas populações ficaram isoladas, sem luz, água e telecomunicações. Os distritos mais afetados foram Leiria, por onde a tempestade entrou no território continental (só a capital de distrito já contabilizou 792 milhões de euros em prejuízos, ainda sem fechar o balanço), Coimbra, Santarém e Lisboa.
Um mês depois, ainda há quem não tenha eletricidade ou telecomunicações na totalidade ou de forma estável. Na quinta-feira, a E-Redes (do grupo EDP) indicou que a recuperação do fornecimento de energia está "praticamente concluída", persistindo "apenas alguns casos mais pontuais".
Após a avaliação possível, muitas vezes dificultada pela impossibilidade de aceder a algumas freguesias devido à queda de árvores, os executivos municipais procuraram reagir rapidamente.
Logo no dia 30, a Câmara de Leiria lançou uma ação de voluntariado para limpar os destroços. No mesmo distrito, a Marinha Grande pediu ajuda de voluntários para limpeza e recuperação das zonas afetadas, e Pedrógão Grande juntou-se no apelo à doação de lonas e material de cobertura para as habitações danificadas, a que se seguiram outras autarquias.
Sem ter recuperado da Kristin, e com as populações ainda privadas de eletricidade e a precisarem de ajuda para tapar telhados, o país enfrentou a tempestade Leonardo, que colocou em alerta as zonas ribeirinhas, onde acabou por ser necessário evacuar diversas localidades.
Poucos dias depois chegou a Marta, que entrou no território pelo Algarve e se deslocou para norte.
Já com os solos saturados de água e os rios com caudais no limite, agravou-se o cenário de cheias, com a ocorrência de inundações devido à subida das águas de vários rios.
Viveram-se dias desafiantes em várias cidades, como Alcácer do Sal (distrito de Setúbal), que ficou inundada devido ao transbordamento do Sado, e Coimbra, onde a subida das águas do Mondego levou à rutura de um dique e à consequente derrocada de um troço da Autoestrada 1. Também em torno do Tejo vários concelhos sofreram cheias.
As barragens foram forçadas a libertar grandes volumes de água para evitar inundações descontroladas. A da Aguieira chegou a atingir um volume armazenado de 99% e em Coimbra temeu-se que uma cheia de grandes dimensões pudesse afetar toda a zona ribeirinha do centro urbano. O concelho chegou a retirar de casas e lares perto de três mil pessoas.
Ainda antes, entre o final de janeiro e o início de fevereiro, a Proteção Civil nacional deu conta de que cerca de outras 1.200 pessoas de várias regiões chegaram a ser preventivamente retiradas das habitações e levadas para locais considerados seguros.
Em plena crise, demitiu-se a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, entretanto substituída por Luís Neves.
Entretanto, o Governo nomeou como coordenador da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro o antigo autarca do Fundão Paulo Fernandes, que já falou em prejuízos entre os cinco mil milhões e os seis mil milhões de euros.
A EDP estimou em cerca de 80 milhões de euros os impactos provocados pela Kristin. A Infraestruturas de Portugal registou mais de 4.200 ocorrências durante as últimas semanas nas redes rodoviária e ferroviária nacionais e garantiu que já foi "reaberta a quase totalidade da infraestrutura" sob a sua gestão.
Num território que foi comparado a um cenário de guerra, e entre críticas de autarcas e investigadores à falta ou à demora de atuação do poder político e de organismos nacionais, as Forças Armadas empenharam militares no apoio às populações afetadas em ações de vigilância de diques ou de relocalização de pessoas e bens. Em média, estiveram no terreno cerca de 2.000 a 3.000 militares em cada dia de atuação.
Bombeiros de todo o país surgiram para apoiar sobretudo os concelhos do distrito de Leiria, bem como milhares de cidadãos anónimos, que ajudaram na limpeza e em trabalhos de reconstrução, com o contributo de várias empresas.
Na quinta-feira, já depois de ter anunciado um aumento dos apoios para 3,5 mil milhões de euros, o Governo aprovou um decreto-lei que estende a todo o território "o regime de apoios e medidas de simplificação" que vigoravam para 90 municípios, desde que seja comprovado que os danos se deveram às tempestades.
Depois de ter declarado a situação de calamidade em 60 concelhos num primeiro momento, o executivo alargou os apoios primeiro a mais oito municípios e, esta semana, a outros 22, mas admitindo que havia situações que poderiam ter ficado de fora.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou a 15 de fevereiro.

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