sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

China adverte cidadãos que residência na Rússia pode implicar serviço militar... Pequim alertou hoje os seus cidadãos para uma nova lei russa que pode exigir um ano de serviço militar a estrangeiros que peçam residência, num contexto de crescente recrutamento internacional por Moscovo para sustentar a guerra na Ucrânia.

Por  LUSA 

Num aviso publicado na sua conta oficial nas redes sociais, o consulado chinês na cidade russa de Vladivostoque indicou que, ao abrigo das novas regras relativas às autorizações de residência permanente na Rússia, cidadãos estrangeiros do sexo masculino entre os 18 e os 65 anos poderão ser obrigados a assinar um contrato de serviço numa unidade militar russa por um período mínimo de um ano.

Segundo a mesma nota, os requerentes poderão ficar isentos caso apresentem documentação das autoridades russas que comprove serviço militar anterior ou justifique dispensa por motivos médicos. Caso contrário, deverão aceitar formalmente a prestação de serviço.

O consulado aconselhou os cidadãos chineses a "tomarem decisões prudentes com base nas suas circunstâncias individuais para garantir um estatuto de residência legal na Rússia".

O aviso surge num momento em que Moscovo enfrenta dificuldades persistentes no recrutamento interno para sustentar a ofensiva militar na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, e tem recorrido de forma crescente a cidadãos estrangeiros para reforçar as suas fileiras.

De acordo com a Coordenação Ucraniana para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra, quase 200 estrangeiros de 37 países foram capturados a combater ao lado da Rússia e encontram-se atualmente detidos na Ucrânia.

Autoridades ucranianas estimam que mais de 18.000 estrangeiros, provenientes de 128 países e territórios, tenham combatido ou estejam a combater ao lado das forças russas, número que não inclui militares norte-coreanos destacados no âmbito de um acordo bilateral.

Segundo responsáveis da inteligência militar ucraniana, o número de estrangeiros identificados na frente de combate aumentou de forma significativa em 2025, tendo duplicado face ao ano anterior.

Kyiv acusa Moscovo de recorrer a "chantagem, suborno e engano" para recrutar combatentes estrangeiros, incluindo através da promessa de vistos, autorizações de residência e cidadania russa. Em alguns casos, segundo as autoridades ucranianas e organizações de direitos humanos, migrantes oriundos da Ásia Central terão sido pressionados com ameaças de deportação ou prisão.

A Rússia tem facilitado a concessão de passaportes a estrangeiros que aceitem servir nas Forças Armadas, ao mesmo tempo que aprovou legislação que permite retirar a cidadania a naturalizados que não se registem para o serviço militar.

Moscovo nega forçar estrangeiros a alistarem-se. No entanto, vários governos, incluindo os do Quénia, Índia, África do Sul, Nepal e Cuba, manifestaram preocupação com o recrutamento dos seus cidadãos e pediram às autoridades russas que ponham termo à prática.

A publicação do aviso pelo consulado chinês surge numa altura em que Pequim mantém oficialmente uma posição de neutralidade face ao conflito, embora tenha reforçado os laços políticos e económicos com Moscovo desde o início da guerra.


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As defesas antiaéreas russas abateram, entre as 20h00 de quinta-feira (17h00 TMG) e as 07h00 (04h00 TMG) de hoje, 148 drones ucranianos de asa fixa, incluindo 17 que se dirigiam à capital russa, segundo o Ministério da Defesa da Rússia.

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