© Lusa 27/09/2026
O ministro dos Negócios Estrangeiros Wang Yi classificou no sábado as relações sino-americanas como estando num "momento histórico" e destacou a comunicação estreita mantida pelos dois chefes de Estado.
A cimeira entre os presidentes da China e dos Estados Unidos (EUA) estabeleceu um modelo de respeito mútuo que se tornou o "ativo estratégico mais valioso das relações bilaterais", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros do gigante asiático.
Num comunicado, o ministro mencionou o conceito de "estabilidade estratégica construtiva", uma fórmula que Xi reiterou durante a visita e que Pequim utiliza para definir a relação bilateral desde a viagem de Trump à China, em maio.
"Este novo posicionamento reflete tanto a realidade do progresso constante nas relações bilaterais como as expectativas de ambas as partes de uma melhoria contínua da relação", opinou Wang.
O diplomata destacou ainda os avanços comerciais, como uma redução tarifária recíproca de 30 mil milhões de dólares (cerca de 26 mil milhões de euros).
No entanto, o ministro acusou certas forças norte-americanas de usarem o conceito de segurança nacional para politizar questões económicas e reprimir empresas de capital chinês, as quais instou a serem tratadas de "maneira justa".
Wang indicou ainda que Xi e Trump trocaram pontos de vista sobre questões internacionais e concordaram em reforçar a coordenação para contribuir para a paz e o desenvolvimento mundiais.
Neste aspeto, o diplomata afirmou que Xi incentivou todas as partes do conflito no Médio Oriente a optar pela paz e a retomar o diálogo para alcançar um "acordo abrangente", incluindo a questão nuclear.
"O desenvolvimento saudável, seguro e ordenado da inteligência artificial [IA] é crucial para o futuro da humanidade e não pode ser alcançado sem a cooperação sino-norte-americana", afirmou Wang, destacando a responsabilidade de ambas as potências em desenvolver uma IA que permaneça sob controlo humano e beneficie as pessoas.
Quanto à terminologia a utilizar para se referir à tecnologia emergente, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China garantiu, no sábado, que Pequim respeita a escolha norte-americana pelo termo "superinteligência" — como Trump a rebatizou — e apontou para a necessidade de "maior comunicação e intercâmbio aprofundado de opiniões para procurar consensos".
Em relação à droga sintética fentanil, Wang considerou que, "embora o problema não tenha sido causado na China", o Governo tem prestado assistência aos EUA para fazer face à crise, incluindo precursores químicos na lista de substâncias controladas ou reforçando os controlos de exportação.
Sobre Taiwan, um assunto sensível que não constava de nenhum dos dois comunicados sobre os resultados do encontro, afirmou que Xi salientou que a China salvaguarda firmemente a "unidade nacional" e a "integridade territorial", instando os EUA a tratarem a questão com prudência.
Segundo os dois líderes, a visita serviu para reforçar a relação bilateral entre as duas potências e resultou também no prolongamento, até janeiro, da trégua tarifária anunciada pouco antes da chegada do Presidente chinês a Washington.
Xi e Trump deverão voltar a encontrar-se pelo menos mais duas vezes antes do final do ano: primeiro em novembro, em Shenzhen, no sul da China, por ocasião da cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), e depois em Miami, no sudeste dos EUA, durante a cimeira de líderes do G20.
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