A ilha de Kharg situa-se no norte do Golfo Pérsico, ao largo da costa do Irão, na província de Bushehr, a cerca de 25 a 30 km da costa iraniana e a noroeste do Estreito de Ormuz.GALLO IMAGES / GETTY IMAGES Por SIC Notícias/Lusa 08 set.2026
Um petroleiro iraniano foi alvo de um ataque norte-americano esta terça-feira à noite, segundo uma agência de notícias iraniana, depois de terem sido ouvidas explosões no Golfo Pérsico e nas imediações do estreito de Ormuz.
"O som de várias explosões foi ouvido há poucos minutos em diversas áreas da Ilha de Kharg", relatou a agência Mehr, enquanto a Fars descreveu explosões a ocorrer "em duas fases, com um curto intervalo entre elas", na cidade de Jask, perto do estreito de Ormuz.
Já a agência de notícias Tasnim divulgou que as forças armadas norte-americanas realizaram um ataque com mísseis contra um petroleiro iraniano perto da ilha iraniana de Kharg, no norte do Golfo Pérsico.
"Um pequeno petroleiro iraniano foi alvo de um ataque com mísseis levado a cabo pelas forças militares terroristas norte-americanas, a quatro milhas (aproximadamente 6,4 quilómetros) da ilha de Kharg", afirmou a agência, referindo que a tripulação do navio estava a ser retirada.
Pouco antes, o Irão tinha ameaçado voltar a atacar bases norte-americanas na região caso os seus navios-tanque continuassem a ser alvo de ataques.
Companhias aéreas iranianas sujeitas a sanções económicas
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irão, revelou ter “capturado um dos mais modernos drones submarinos das forças armadas dos EUA (...) de madrugada”, segundo um comunicado transmitido pela televisão estatal.
Os Estados Unidos responderam mais tarde, afirmando que um dos seus drones de vigilância submarina --- utilizado para apoiar as operações --- tinha apresentado uma "falha técnica" mais de um dia antes. Nos céus, a Guarda Revolucionária afirmou ainda ter “intercetado e destruído” um drone sobre o estreito estratégico.
O Departamento do Tesouro referiu esta terça-feira que "todas as companhias aéreas iranianas" estão agora sujeitas a sanções económicas. As principais companhias aéreas iranianas, Mahan Air e Iran Air, já estavam sob sanções. Agora, juntam-se a elas 27 empresas que operam a nível local ou regional.
O Departamento do Tesouro dos EUA acusa as autoridades iranianas de "utilizar o setor da aviação (...) para transportar armas, pessoal e cargas ilícitas".
A administração norte-americana liderada por Donald Trump decidiu também suspender as isenções para o transporte aéreo, como aquela que permitia às companhias aéreas não americanas voar com aviões de fabrico norte-americano para o Irão.
"Progressos significativos" sobre a gestão do estreito de Ormuz
No campo diplomático, as autoridades iranianas relataram "progressos significativos" nas negociações com Omã sobre a gestão do estreito de Ormuz, uma afirmação regularmente nas últimas semanas.
As discussões visam estabelecer um corredor "permanente" e definir a “futura gestão do estreito”, bem como um mecanismo para "prestar os serviços de navegação e segurança necessários", reiterou o Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano.
O estratégico estreito de Ormuz, por onde passava um quinto dos hidrocarbonetos mundiais antes do conflito, foi bloqueado por Teerão desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, na sequência dos ataques de Israel e dos EUA contra o Irão. Em resposta, os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos.
O Irão insiste que não haverá regresso ao regime de livre navegação existente antes da guerra e pretende cobrar taxas de serviço às embarcações que utilizam o estreito, uma medida firmemente rejeitada por Washington e por vários países da região.
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