© Lusa 08/09/2026
Os mísseis destinam-se ao sistema de defesa aérea da Ucrânia e sairão do 'stock' das Forças Armadas da Alemanha, disse Pistorius.
"Apelo a todos os membros do Grupo de Contacto para a Defesa da Ucrânia a verificarem os seus próprios 'stocks' e a fazerem fornecimentos similares", afirmou ainda o ministro alemão.
Boris Pistorius fez este anúncio no final de uma reunião por videoconferência do Grupo de Contacto para a Defesa da Ucrânia, criado em abril de 2022 para coordenar o apoio militar internacional à Ucrânia e que integra cerca de 50 países, incluindo Portugal.
Desconhece-se para já a quantidade de mísseis que a Alemanha vai enviar ou quando concretizará o fornecimento à Ucrânia, país atacado e invadido militarmente pela Rússia há mais de quatro anos.
Por outro lado, Espanha anunciou, no final da mesma reunião, o fornecimento em breve à Ucrânia de equipamentos autónomos de energia que garantam abastecimento elétrico.
Num comunicado, o Ministério da Defesa espanhol lembrou que Espanha enviou já para a Ucrânia mais de 70 mísseis de defesa aérea de diversos tipos, incluindo Patriot, e garantiu que Madrid continuará a dar todo o apoio que conseguir a Kyiv em matéria de defesa aérea.
Estes anúncios somam-se a outro de hoje da União Europeia (UE), que autorizou a Ucrânia a utilizar fundos do empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros para comprar mísseis intercetores Patriot, fabricados nos Estados Unidos.
"Saúdo o acordo alcançado pelos Estados-membros sobre a derrogação que permite à Ucrânia adquirir produtos essenciais para os sistemas de defesa aérea Patriot", afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, numa publicação nas redes sociais.
A líder do executivo comunitário salientou que, com esta autorização, o próximo desembolso de 3,2 mil milhões de euros do empréstimo vai permitir que a Ucrânia "proteja melhor os seus céus contra os ataques indiscriminados da Rússia".
"Este montante acresce aos 8,4 mil milhões de euros já desembolsados ao abrigo do empréstimo, incluindo para defesa aérea", indicou Von der Leyen, prometendo ainda que a UE vai continuar a trabalhar "para apoiar a Ucrânia e reforçar a capacidade de defesa da Europa".
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, também saudou o acordo hoje alcançado entre os Estados-membros e recordou que, no ano passado, a Aliança Atlântica disponibilizou mais de 10 mil milhões de dólares (cerca de 8,60 mil milhões de euros) através da Lista de Requisitos Prioritários para a Ucrânia (PURL), o mecanismo através do qual é coordenada a aquisição de armamento para Kyiv.
"A UE e a NATO vão continuar a trabalhar lado a lado para apoiar a Ucrânia. É mais um exemplo da Europa a assumir as suas responsabilidades", afirmou Rutte, numa publicação nas redes sociais.
Com o acordo hoje alcançado, a UE abre assim uma exceção à regra de "preferência europeia" que tinha estabelecido no empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, permitindo que Kiev compre, com dinheiro europeu, equipamento norte-americano para os mísseis Patriot.
Kiev tem alertado para a necessidade urgente de mísseis intercetores Patriot, fabricados nos Estados Unidos e os únicos capazes de neutralizar os mísseis balísticos russos, que voam a grande velocidade em trajetórias muito inclinadas.
Os ataques russos contra o território ucraniano, nomeadamente Kyiv, intensificaram-se nos últimos meses.
Na segunda-feira à noite, novos ataques causaram pelo menos duas mortes e oito feridos na capital ucraniana, após uma trégua por ocasião de uma visita de emissários norte-americanos para tentar relançar as negociações de paz entre Moscovo e Kyiv.

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