quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Israel quer "terminar o trabalho" em Gaza e avançar com plano de migração... O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, reafirmou hoje o objetivo de esvaziar Gaza dos dois milhões de habitantes palestinianos, depois de os Estados Unidos terem desmentido a existência de um plano de saídas forçadas.

© AHMAD GHARABLI/AFP via Getty Images    LUSA   16/09/2026 

Katz disse que o exército israelita estava pronto para "terminar o trabalho" na Faixa de Gaza e que, em seguida, os palestinianos seriam retirados.

O ministro respondia a um adversário político na campanha eleitoral para as legislativas de outubro, que ridicularizou o Governo por ter anunciado a morte de um comandante de brigada do Hamas no sul da Faixa de Gaza.

"Três anos de guerra, cinco divisões que combateram em Gaza, e ainda há um comandante e uma brigada [do Hamas] em Rafah?", questionou Ofer Winter, candidato de uma nova formação de direita.

Israel já "esvaziou Rafah de habitantes e 70% de Gaza" desde o início da ofensiva lançada após o ataque sem precedentes do Hamas em 7 de outubro de 2023, respondeu Kataz, membro do partido Likud.

Kataz afirmou que o cessar-fogo alcançado sob a égide dos Estados Unidos em outubro de 2025 teve um "valor precioso para todos os israelitas" por ter permitido o regresso dos últimos reféns detidos em Gaza.

Assinalou também o compromisso previsto no acordo de desarmar o Hamas.

"Todos percebemos que isso não ia acontecer", declarou Katz num comunicado, citado pela agência francesa AFP.

"O exército está pronto, quando vier a ordem, para eliminar o Hamas, terminar o trabalho, para que possamos também implementar o plano de migração", acrescentou.

Katz já tinha afirmado no início de setembro que Israel estava preparado para esvaziar Gaza da população, mas que as autoridades aguardavam luz verde dos Estados Unidos.

Referiu, então, que os Estados Unidos tinham primeiro de determinar para onde enviar os dois milhões de habitantes de Gaza.

O embaixador norte-americano em Israel, Mike Huckabee, desmentiu qualquer plano para "deslocar pessoas para fora de Gaza contra a sua vontade".

Katz descreveu o plano como voluntário e disse que a maioria dos palestinianos quer sair, sem demonstrar como chegou a essa conclusão.

A quase totalidade da população de Gaza foi deslocada dentro do território, devastado pela guerra, que causou mais de 73.700 mortos do lado palestiniano, de acordo com as autoridades do Governo controlado pelo Hamas.

A ofensiva militar em Gaza, que valeu acusações de genocídio a Israel, seguiu-se ao ataque terrorista em solo israelita em outubro de 2023, liderado pelo Hamas, que causou cerca de 1.200 mortos e 250 reféns.


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