© Getty Images/AFP LUSA 29/08/2026
As forças de segurança mantinham-se em alerta na sequência de ataques armados nas últimas horas contra centros estratégicos de Niamei, como a Base Aérea 101 e o palácio presidencial.
Tiros, explosões e disparo de armas pesadas foram ouvidos em vários setores da cidade durante a noite, em especial nos arredores do aeroporto internacional Diori Hamani, noticiou a agência espanhola EFE.
Segundo o meio de comunicação social nigerino ActuNiger, as Forças de Defesa e Segurança foram destacadas para vários pontos estratégicos e estabeleceram perímetros de segurança ao redor das zonas afetadas.
As autoridades nigerinas ainda não divulgaram um balanço oficial de eventuais vítimas nem confirmaram a identidade dos atacantes.
O aeroporto Diori Hamani e a Base Aérea 101 foram alvo de um ataque em janeiro de 2026, reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico, e de outro em junho, cuja autoria foi atribuída a um grupo vinculado à Al-Qaida.
O Níger é governado por uma junta militar chefiada pelo general Abdourahamane Tiani, que tomou o poder após um golpe de Estado de julho de 2023.
Os incidentes de hoje parecem ter uma dimensão maior do que os ataques jihadistas de janeiro e junho, que visaram apenas a zona do aeroporto e foram repelidos em poucas horas pelo exército.
Às 09:00 (mesma hora em Lisboa), um ecrã preto substituía a programação da Télé Sahel, tanto via satélite como na internet, relataram residentes da capital à agência francesa AFP.
Os acessos à presidência e à televisão nacional foram bloqueados por militares que forçavam os automobilistas a fazer inversão de marcha, precisaram as mesmas fontes.
"Perante os acontecimentos em curso, mantenhamos a calma e evitemos divulgar informações não verificadas", afirmou de manhã o regime militar nas páginas oficiais nas redes sociais.
"As nossas forças de defesa e segurança estão mobilizadas para a defesa da pátria", acrescentou.
Segundo moradores, "tiros intensos e detonações ao nível da Base 101" começaram durante a noite, por volta da 01:00.
Um habitante da zona, contactado por telefone, disse ter ouvido "rajadas de tiros" depois das 07:00.
"Fui comprar saldo para o meu telemóvel. Vi um veículo militar a dirigir-se para a base que teve de fazer inversão de marcha. As armas que ouvimos não são armas que terroristas em motas possam transportar", afirmou.
"Os combates continuam sem paragem desde a noite", acrescentou.
A Base 101, situada no complexo do aeroporto, alberga o quartel-general dos parceiros russos de Niamei, o Africa Corps.
Também é a sede do estado-maior da força unificada da Aliança dos Estados do Sahel, que o Níger integra juntamente com o Burkina Faso e o Mali.
O local é sensível: entre dezembro e janeiro, acolhia um importante carregamento de concentrado de urânio à espera de exportação.
Não foi identificado qualquer movimento dessa carga desde então.
O Níger enfrenta desde meados da década de 2010 a ameaça jihadista, tal como os vizinhos Burkina Faso e Mali.
Os ataques mortíferos contra civis e militares continuam a ser recorrentes no Níger, em particular na região de Tillabéri, na fronteira com o Mali e o Burkina Faso.
Os três países, todos governados por juntas militares, formaram uma confederação, a Aliança dos Estados do Sahel (AES), e viraram as costas à França, o antigo parceiro-chave na luta antijihadista, para se aproximarem da Rússia.
A junta de Niamei acusa regularmente a antiga potência colonial de financiar os jihadistas para a desestabilizar, o que Paris nega.
Leia Também: Explosões e tiros ouvidos em vários bairros da capital do Níger
Tiros e explosões foram ouvidos durante a madrugada em vários bairros da capital do Níger, Niamey, particularmente junto à base militar adjacente ao aeroporto internacional, que foi atacada duas vezes este ano por fundamentalistas islâmicos.


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