quarta-feira, 23 de setembro de 2026

PORTUGAL/ESTUDO: Quase 80% dos jornalistas já ponderaram abandonar a profissão... Quase 80% dos jornalistas que participaram num estudo sobre ambientes de trabalho saudáveis já ponderaram abandonar a profissão, sobretudo por causa dos salários estagnados, falta de progressão na careira e excesso de carga de trabalho.

© Shutterstock   Por  LUSA  23/09/2026 

O relatório hoje divulgado, desenvolvido pelo Laboratório Português de Ambientes de trabalho Saudáveis (Labpats), aponta também como motivos deste risco de abandono da profissão as dificuldades de conciliação da vida profissional e pessoal, assim como a falta de condições laborais.

O estudo, que se centrou nos ambientes de trabalho, na saúde e no bem-estar dos jornalistas, diz que os dados recolhidos revelam sinais relevantes de "desgaste profissional e de fragilidade no ecossistema laboral".

Embora muitos jornalistas continuem a atribuir significado ao seu trabalho, os resultados mostram "dificuldades persistentes" ao nível da remuneração, da organização do trabalho, da liderança, da comunicação interna, da saúde mental e da conciliação entre a vida profissional e pessoal.

Os autores sublinham que a elevada percentagem (79,5%) de participantes que já ponderaram deixar a profissão não deve ser lida como um dado isolado, mas como "expressão de um desequilíbrio entre exigência, reconhecimento, estabilidade, progressão e condições concretas de trabalho".

Em declarações à Lusa, a coordenadora do estudo, Tânia Gaspar, lembrou que, apesar das dificuldades, os profissionais continuam a achar que o trabalho que fazem tem um impacto positivo na sociedade, o que mostra que "o sentido de missão está lá" e que é preciso olhar para ele.

"É exatamente neste mundo de digitalização e 'fake news' que é fundamental, cada vez mais, haver espaço e tempo para um jornalismo que consiga ajudar as pessoas a distinguir as duas coisas [a verdade e a mentira, ou desinformação]", afirmou a especialista.

A psicóloga sublinhou ainda que é preciso desenvolver cada vez mais o juízo crítico, sem ficar preso "à rigidez de um extremismo" e afirmou que "quanto mais as pessoas mais poderosas tiverem o poder nestes meios de informação digital, mais necessário vai ser haver alguém imparcial a validar a informação".

O estudo aponta para um "quadro misto", com dimensões que funcionam como fatores de proteção, mas com "fragilidades importantes" nas áreas mais estruturais do trabalho.

O teletrabalho apresenta a avaliação mais positiva, seguido do envolvimento dos trabalhadores. Em sentido contrário, os recursos para a saúde pessoal, o compromisso da liderança, a ética e valores organizacionais e alguns indicadores do ambiente psicossocial merecem "atenção prioritária".

Pouco mais de um em cada quatro profissionais concordam que a organização se foca no bem-estar dos trabalhadores e tem políticas estratégicas para o promover, um dado que mostra que o bem-estar "ainda não é percecionado como uma prioridade suficientemente integrada" na cultura das organizações, refere o documento.

A liderança surge como uma "área crítica", não apenas pela forma como organiza o trabalho, mas também pelo modo como comunica, reconhece, escuta e protege as equipas.

No ambiente psicossocial, os especialistas destacam três sinais de alerta: só 20,9% dos participantes diz ser informado com antecedência sobre decisões importantes; 31,7% diz que os conflitos são resolvidos de forma justa e 32,2% entende que a chefia oferece boas oportunidades de desenvolvimento.

Apesar deste contexto, o envolvimento profissional mantém valores relevantes: 52,3% dos profissionais dizem sentir-se motivados e terem prazer no seu trabalho; 50,3% sentem que o trabalho dá significado à sua vida e 59,2% dizem-se satisfeitos com o que fazem.

"O problema não parece estar na falta de ligação à profissão, mas nas condições em que ela é exercida", consideram os autores do estudo.

O documento mostra que os jornalistas valorizam uma liderança mais humana, empática, disponível e menos controladora, bem como maior transparência nas decisões, uma "escuta ativa" e equidade no tratamento.

Foram igualmente mencionadas necessidades de melhor organização do trabalho e definição clara de funções.

A organização do trabalho surge como uma das áreas mais sensíveis: 42,6% dos participantes trabalham por turnos e 36,9% trabalham entre 40 e 50 horas por semana. O trabalho durante mais de 50 horas/semana é uma realidade para 12,5%.

Quanto às condições de trabalho, os profissionais sugerem o teletrabalho, horários mais flexíveis e semanas mais curtas, pedem respeito pelos horários de saída e menos pressão associada ao excesso de tarefas.


Governo Trump informa que acolherá 17.500 refugiados brancos sul-africanos... O governo de Donald Trump informou hoje o Congresso que planeia limitar a 17.500 o número de refugiados acolhidos no país, sendo a maioria sul-africanos brancos.

© Charles McQuillan/Getty Images   LUSA   23/09/2026  

Numa informação ao Congresso obtida pela Associated Press, o governo justifica que os sul-africanos brancos enfrentam o confisco das suas terras e outras formas de perseguição, e que provavelmente se assimilariam bem quando chegassem aos Estados Unidos.

O governo sul-africano tem rejeitado repetidamente a ideia de que os brancos — conhecidos como afrikaners — sejam uma minoria perseguida.

Trump alterou drasticamente um programa de refugiados que historicamente contava com um forte apoio bipartidário, acolhendo dezenas de milhares de pessoas de todo o mundo, e transformou-o num mecanismo para realojar os sul-africanos brancos.

O governo informou também o Congresso que prevê gastar cerca de 500 milhões de dólares para realojar os refugiados.

Cabe aos presidentes norte-americanos definir o limite anual de refugiados acolhidos. Historicamente, o total era repartido por várias regiões, tendo em conta guerras ou conflitos que geram necessidades humanitárias em todo o mundo.


PORTUGAL: "Lei das burcas" entra hoje em vigor (e prevê coimas até três mil euros)... O diploma que proíbe a ocultação do rosto em espaços públicos, conhecido como "lei das burcas", entra hoje em vigor, prevendo multas de até três mil euros para quem cobrir a cara, exceto por motivos de saúde, entre outros.

© Lusa   23/09/2026 

A lei 58/2026 determina ainda que quem forçar outra pessoa a ocultar o rosto incorre numa pena de até dois anos de prisão ou de até 240 dias de multa, agravada em um terço quando a vítima seja menor.

Segundo o diploma, são espaços públicos as "vias públicas, bem como os locais abertos ao público, afetos ao serviço público, os locais onde sejam prestados serviços geralmente acessíveis aos cidadãos", ficando excluídas da aplicação da lei "aeronaves, instalações diplomáticas e consulares", e "locais de culto" e outros locais sagrados.

A lei admite exceções à proibição de ocultação do rosto em espaços públicos por motivos de saúde, profissionais, artísticos, publicidade, "relacionados com a segurança ou devido às condições climáticas ou sempre que tal decorra de disposição legal que o permita".

Na origem do diploma, que dividiu o parlamento, está um projeto de lei do Chega que teve como objetivo proibir que "as mulheres andem de burca em Portugal", assumiu o presidente do partido, André Ventura, na discussão em plenário, em outubro de 2025.


GUINÉ-BISSAU: TERMINA PRAZO PARA PARTIDOS MUDAREM SEDES, MAS PAIGC CONSIDERA MEDIDA ILEGAL

Por  Rádio Sol Mansi   23 09 2026

Termina esta quarta-feira, 23 de setembro, o prazo estabelecido pelo Alto Comando Militar para que os partidos políticos com sedes localizadas a menos de 500 metros de órgãos de soberania, hospitais, representações diplomáticas e unidades militares ou paramilitares mudem de instalações.

A decisão consta de uma resolução aprovada pelo Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança e Ordem Pública, numa sessão extraordinária realizada no dia 14 de setembro. O documento foi assinado um dia depois da sua aprovação.

Segundo a resolução, os partidos abrangidos devem transferir as suas sedes no prazo de sete dias úteis, contados a partir da notificação oficial. Para executar a medida, o Alto Comando Militar encarregou o ministro do Interior de tomar as diligências necessárias.

A decisão baseia-se no artigo 10.º da Lei dos Partidos Políticos, que estabelece uma distância mínima de 500 metros entre sedes partidárias e determinadas instituições.

O documento refere ainda que a decisão surge no quadro das medidas destinadas a permitir, de forma gradual, o retorno à normalidade constitucional, que deverá ser restabelecida através da realização de eleições simultâneas  de 06 de dezembro próximo.

Embora a resolução não identifique partidos pelo nome, a medida poderá afetar diretamente o PAIGC e o MADEM-G15, cujas sedes nacionais ficam nas proximidades do Palácio da República.

Entretanto, dias depois da decisão, o PAIGC considera a decisão “absolutamente ilegal”. O partido defende que a retirada ou despejo de uma sede partidária é matéria da competência dos tribunais.

O PAIGC afirma ainda que as suas sedes constituem património do partido e diz que recorrerá aos meios legais para proteger as instalações.

Apesar de afirmar que não recebeu notificação oficial, o partido já orientou o Secretariado Nacional a procurar um espaço provisório para o funcionamento da comissão preparatória do congresso.