quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Putin reforça retaguarda e drones perante escalada bem-sucedida de Kyiv... O Presidente russo, Vladimir Putin, reforçou hoje a defesa da vulnerável retaguarda russa e as forças de drones pondo dois generais no comando dessas unidades, para combater a bem-sucedida escalada no conflito ucraniana contra alvos no seu território.

© Mikhail METZEL / POOL / AFP via Getty Images     Por  LUSA  05/08/2026 

Com as suas aeronaves não-tripuladas de longo alcance, a Ucrânia conseguiu transformar a retaguarda russa numa segunda linha da frente, que avança cada vez mais sobre a capital russa, Moscovo.

Drones inimigos atacaram hoje outro armazém de comércio eletrónico na Rússia, enquanto o diretor-geral da Uraldronzavod, empresa especializada na produção de drones 'kamikaze' FPV Upir, Vladimir Tkachuk, se encontra em estado crítico, após ser vítima de um atentado bombista, segundo fontes policiais.

Cerca de 30 civis morreram na Rússia desde sábado passado --- sete dos quais na explosão de um drone numa praia --- em ataques ucranianos com drones, mísseis e artilharia, e numa tentativa de assassínio em Moscovo de um oficial de alta patente do Exército.

Por isso, Putin convocou uma reunião extraordinária no Kremlin, onde recebeu o chefe do Estado-Maior, Valeri Guerasimov, e o ministro da Defesa, Andrei Belousov.

Putin anunciou a criação de um novo serviço de defesa da retaguarda, uma vez que os drones ucranianos estão a bombardear praticamente toda a Rússia europeia, do Báltico até aos Urais.

"Nas atuais condições, este é também trabalho de combate, totalmente de combate", observou.

O chefe de Estado russo explicou que a decisão é a resposta a uma proposta de Belousov de "concentrar todas as unidades da retaguarda sob um único comando".

O novo comandante da retaguarda russa será o coronel-general Valeri Solodchuk -- o recém-nomeado vice-ministro da Defesa -, que até agora dirigia o Grupo Militar Central, "o encarregado da libertação da República Popular de Donetsk".

Também hoje, o presidente da Câmara de Moscovo, Serguei Sobyanin, anunciou planos para reforçar a defesa antiaérea em redor da capital, alvo de dois terços dos drones que Kyiv lança diariamente sobre o território russo.

Além disso, o líder do Kremlin também anunciou a nomeação do chefe das novas Forças de Sistemas Não-Tripulados (drones), que serão a partir de agora lideradas pelo coronel-general Denis Lyamin.

"Este novo tipo de força ainda está a ser criado. Quero expressar a minha esperança de que o senhor (...), sendo um dos especialistas mais qualificados, conclua com êxito a sua formação", disse.

Lyamin, de 47 anos, desempenhava anteriormente as funções de chefe do Estado-Maior do Distrito Militar Central.

"Continuamos a aperfeiçoar as estruturas do Ministério da Defesa de acordo com as exigências e a experiência da operação militar especial", acrescentou Putin.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, lançou a 25 de junho uma intensa campanha de ataques à retaguarda russa, com duração prevista de 40 dias.

Nesse período, o Exército ucraniano atacou cerca de 20 centros logísticos da companhia Wildberries, 25 refinarias e infraestruturas energéticas e aproximadamente 200 petroleiros e navios mercantes nos mares Negro e de Azov.

Em resposta, Moscovo lançou, só em julho, 381 mísseis, mais do que em qualquer outro mês desde o início da guerra, com a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022.

Putin nomeou ainda o coronel-general Andrei Ivanayev como novo chefe do Grupo Centro e o tenente-general Piotr Bolgarev como novo chefe do Grupo Vostok (Leste).


Leia Também: ONU condena ataques russos em julho. "Mês mais mortífero para civis"

O responsável pela resposta humanitária da ONU na Ucrânia, Mathias Schmale, condenou hoje os ataques russos que tornaram julho no "mês mais mortífero para civis na Ucrânia, desde abril de 2022", matando pelo menos 377 pessoas.

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