© Shutterstock Por LUSA 01/08/2026
No Aeroporto de Fiumicino, em Roma, que recebe uma média de 55 voos diários provenientes de Espanha durante o verão, jornalistas da agência de notícias espanhola Efe constataram a implementação das verificações à medida que os voos comerciais chegavam de cidades como Madrid, Barcelona ou Málaga.
Agentes da polícia italiana solicitavam documentos de identidade ou passaportes aos passageiros provenientes de Espanha, tanto cidadãos da União Europeia, como de fora dos 27, no momento do desembarque, para verificar a nacionalidade, acrescentou a EFE.
Um viajante espanhol confirmou à EFE que os seus documentos foram verificados duas vezes na manga de embarque que liga a aeronave ao terminal do aeroporto.
Os agentes italianos também realizaram verificações de documentos mais direcionadas antes de os passageiros deixarem o aeroporto, designadamente na área pública onde costumam ser recebidos depois de retiradas as bagagens.
Alguns viajantes relataram que a conferência de documentos causou pequenos transtornos na chegada, embora alguns tenham manifestado apoio à medida.
A decisão do Governo italiano, motivada pela crise migratória em Ceuta e justificada pela necessidade de "proteger a segurança nacional", envolve verificações seletivas em cidadãos de países terceiros que chegam de Espanha, para garantir que possuem a documentação adequada para viajar dentro do Espaço Schengen.
A imprensa italiana noticiou que os passageiros só vão passar por verificações adicionais caso surjam irregularidades ou suspeitas.
A suspensão, por Itália, do Acordo de Schengen em relação a Espanha é temporária e deve permanecer em vigor durante todo o mês de agosto, auge da temporada de turismo de verão.
Na sexta-feira, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, declarou que seria dada uma "atenção especial" para garantir que essas verificações não prejudicassem o fluxo de turistas.
Numa mensagem publicada nas redes sociais, a líder da extrema-direita italiana abordou novamente a crise migratória em Ceuta, defendendo "uma resposta europeia urgente à imigração irregular".
Meloni, juntamente com a homóloga dinamarquesa, Mette Frederiksen, liderou uma carta assinada por mais 22 países europeus, instando a liderança da UE a convocar uma reunião de ministros do Interior para coordenar o reforço das fronteiras externas.
"Este é um sinal importante: a posição que a Itália defende há muito tempo é agora partilhada por um número crescente de nações europeias. Defender as fronteiras externas da União não é do interesse de uma única nação, é uma responsabilidade europeia partilhada", observou Meloni na mensagem.
A fronteira entre Marrocos e Ceuta, um enclave autónomo espanhol no norte de África, voltou hoje a uma aparente normalidade, após uma crise sem precedentes que começou na quinta-feira, quando cerca de 50.000 migrantes entraram irregularmente no território, muitos a nado, num incidente que causou pelo menos 67 mortos.
Pelo menos 48.300 migrantes regressaram, entretanto, voluntariamente a Marrocos até às 18:00 (17:00 em Lisboa) de sexta-feira, de acordo com o Ministério da Administração Interna espanhol.
Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.
Leia Também: Mais de 600 migrantes atendidos em hospitais e centros de saúde em Ceuta
Um total de 613 pessoas foram atendidas no Hospital Universitário de Ceuta e em centros de saúde, com 12 hospitalizados, durante quinta e sexta-feira, após a entrada massiva de migrantes provenientes de Marrocos naquela cidade espanhola em África.


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